O chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou a expulsão, no início da noite, do embaixador colombiano Fernando Marín. Maduro alega os mesmos motivos que o Equador: "Cuidar da soberania nacional frente aos fatos do final de semana". Nessa mesma segunda-feira, a chancelaria equatoriana divulgou uma carta oficializando o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia. É esperado, ainda para a noite desta segunda, um pronunciamento do presidente do Equador, Rafael Correa.
Leia a nota oficial divulgada:
"O governo equatoriano rechaça energicamente essas afirmações que, com cinismo, se somam à atitude hostil, manifestada na recente violação à soberania e integridade territoial do Equador. As infundadas acusações constituem um deliberado intento para desviar a atenção do fato da violação da soberania territorial equaotiriana tal como reconhecido pelo governo colombiano em comunicados e notas diplomáticas."
Frente a esta sucessão de fatos e inamistosas imputações e, de conformidade com o estabelecido na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas de 1961, o governo do Equador decidiu romper relações diplomáticas com o governo da Colômbia, a partir de hoje.
A medida vem em resposta à invasão de território realizada pelo exército colombiano durante a operação que matou Raúl Reyes, número 2 das Farc. Além disso, o rompimento das relações também é resultado das declarações de Oscar Naranjo, diretor da Polícia Nacional da Colômbia, que acusou o governo de Correa de manter relações com as Farc.
Veja também:
» Chávez teria dado US$ 300 milhões às Farc
» Venezuela nega doação de US$ 300 milhões às Farc
» Colômbia deve fazer novo pedido de desculpas, diz Amorim
» Veja entrevista com o guerrilheiro Raúl Reyes 
O ministro equatoriano de Segurança Interna e Externa, Gustavo Larrea, admitiu ter se encontrado com o chefe das Farc Raúl Reyes, num país distinto de Colômbia ou Equador, mas afirmou que o objetivo do encontro foi unicamente a liberação de reféns. Larrea afirmou ter se reunido com Reyes em janeiro último.
Nesta segunda-feira, o ministro equatoriano foi acusado de manter acordos com o líder das Farc. A polícia colombiana divulgou documentos encontrados no computador de Reyes. Um deles expressava o "interesse do presidente (Correa) en oficializar as relações com a direção das Farc".
O texto da carta também se refere às imputações que aparecem no comunicado da presidência da República da Colômbia difundido hoje, 3 de março, onde autoridades colombianas sugerem que houve acordos entre o governo do Equador e as Farc.
A decisão foi tomada a partir de dados obtidos do computador de Raúl Reyes, porta-voz das Farc morto neste sábado pelo exército colombiano. Além disso, Naranjo disse que no computador havia informações que indicavam o financiamento do governo venezuelano ao grupo guerrilheiro, no valor de US$ 300 milhões. O governo venezuelano negou a acusação.
De acordo com Narnajo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo venezuelano teriam uma "aliança em termos armados", que diria respeito à troca de armas e dinheiro, assim como um apoio permanente em caso de "invasão" dos Estados Unidos, indica documento encontrado em computador do líder guerrilheiro Raúl Reyes.
Entre os documentos encontrados chama a atenção uma carta do chefe máximo das Farc, Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo, ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, na qual se manifesta que as Farc estarão "atentas em caso de invasão gringa (sic) para ajudar a Revolução Bolivariana da Venezuela".
Oscar Naranjo também afirmou haver informações sobre o envio de cocaína para o México e o interessa das Farc na compra e venda de 50 kg de urânio, com fim indeterminado. A partir disso, o diretor da Polícia Nacional declarou que a organização guerrilheira quer converter-se em um grande agressor internacional.
» Terminada a crise das moedas, chega a crise dos cartões