Terra Magazine

 

Terça, 11 de março de 2008, 21h02

A história da devassa judicial na casa de ACM

Claudio Leal

A história da devassa judicial no apartamento do ex-senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), na manhã desta terça-feira, guarda laços com uma briga que encontrou uma trégua no leito de morte do político baiano. Incialmente três personagens: ACM, a filha Tereza e seu marido, César Matta Pires, dono de cerca de 95% das ações da construtora OAS.

No Incor, em São Paulo, a pedido de membros da família, César Matta Pires foi conversar com ACM. Estavam rompidos. Das palavras trocadas, sabe-se apenas de uma reaproximação superficial. Os Magalhães queriam a abertura do diálogo.

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ACM sempre contava a amigos uma anedota do ex-ministro e ex-governador da Bahia Luis Viana Filho. Quando se referiam a uma família unida, amorosa, apegada aos seus, o velho Luis Viana sorria: "Já houve um inventário?". Antonio Carlos gargalhava com a história. Em sua família, os conflitos não esperaram o inventário.

Antonio Carlos Magalhães Jr., que comanda as empresas midiáticas, e os descendentes de Luiz Eduardo Magalhães, tentaram um acordo antes da abertura do inventário. Pediram a César para constituir advogado. Terra Magazine apurou que os Magalhães foram surpreendidos pela ação de Tereza e César, embora esperassem uma jogada nesse sentido depois da morte do patriarca.

Ontem, a família recebeu o primeiro alerta. Oficiais de Justiça queriam invadir o apartamento da viúva, Arlette Magalhães, no bairro da Graça. Lá se encontram obras-de-arte do falecido político, mas não é errado supor que se trata de uma operação simbólica; e também o auge de uma tragédia grega - para ficarmos mais próximos: baiana.

A família resistiu e evitou a entrada da Justiça no apartamento. Na noite de ontem, no Portal do Tribunal de Justiça, verificou-se a existência da ação de arrolamento de bens. Troca de telefonemas. Na manhã de hoje, a inevitável ação judicial. Segundo a nota pública da família, houve apoio logístico da OAS. Gavetas reviradas, bens fotografados.

A viúva, Arlette, se encontra numa fazenda, no interior do Estado. Está abalada: a trama envolve sua filha, Tereza. Juntas estavam no velório do senador, no Palácio da Aclamação. Publicamente, familiares e amigos vinculam a ação da Justiça à sucessão da capital baiana. A juíza da 14ª Vara da Família, Fabiana Andrea, que autorizou o arrolamento de bens, é casada com o deputado federal Nelson Pellegrino (PT-BA).

Pellegrino e ACM Neto (DEM) são pré-candidatos à Prefeitura de Salvador. Em entrevista a Terra Magazine, o petista é categórico:

- Ela é juíza concursada e o processo caiu nas mãos dela por sorteio. É uma juíza independente, não interfiro, não faço política com ódio. Não me intrometo nas decisões judiciais dela. O que eu tenho a dizer é que ela é uma juíza séria, independente, comedida, e se ela determinou isso, foi com base na lei - afirma Pellegrino.

Um "ódio acumulado" contra a família teria motivado a ação de César e Tereza. Na TV Bahia, de propriedade dos Magalhães, o telejornal BA-TV informou que Tereza se encontra no exterior. Mas o faro baiano aponta para uma proximidade. A família qualifica a ação como "golpe baixo". Por ora, Tereza Matta Pires é um silêncio. Para amanhã, a promessa de um novo ato.

 

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