
Luciano Borges
De São Paulo
O atacante Borges voltou das férias e estranhou o noticiário. O São Paulo tinha contratado o atacante Adriano e seu nome não aparecia como opção para formar dupla com o "ex" e agora auto-proclamado Imperador. "Todo mundo falava em Adriano e Aloísio, Adriano e Dagoberto, mas meu nome não aparecia", disse.
Hoje, véspera do clássico contra o Palmeiras, o jogador baiano de 27 anos divide com Adriano a artilharia do São Paulo na temporada. Os dois têm seis gols marcados e parecem se entender em campo. Enquanto isso, Dagoberto e Aloísio tentam uma vaga em meio às contusões e suspensões.
Houve um momento em que Borges pensou em sair. Ele recebeu uma proposta milionária para jogar na equipe do Dubai, Emirados Árabes. Ficou porque nunca ouviu do treinador Muricy Ramalho que estava descartado ou que era apenas a quarta opção do ataque. "Se soubesse que não tinha chances de jogar, iria embora, dar um novo rumo na carreira", disse a Terra Magazine.
A seguir, a entrevista dada pelo atacante por telefone, enquanto procurava presente para uma criança recém-nascida. "Eu quero ter dois filhos, mas ainda não é hora", disse Borges, que garante ser um cara caseiro. "Não sou de sair muito. Mas já dá para ser reconhecido na rua", diz.
Calejado, o jogador começou a carreira no Arapongas. Passou por Inter de Bebedouro (SP), Jataiense (GO), São Caetano e União S. João de Araras. Depois se firmou no Paraná, foi contratado pelo time japonês do Vegatta Sendai e decidiu voltar para o Brasil no ano passado e jogar pelo São Paulo.
Borges já venceu o Palmeiras antes, com direito a um golaço. Mas acha que o lance mais bonito que já fez, foi na partida contra o Fortaleza, quando deu dois chapéus nos zagueiros e mandou a bola para a rede. No São Paulo, o gol mais bonito que marcou foi o último: "Gostei do segundo contra o Barueri. Acertei o chute de fora da área".
Ganhar o clássico significa, para o artilheiro baiano, ganhar ânimo para a Libertadores: "Sei que são torneios diferentes, mas se você ganha um clássico, sua motivação fica muito grande e as coisas saem mais fáceis".
A seguir, a íntegra da entrevista com Humberlito Borges Teixeira, baiano de Salvador, que sonha em morar no Paraná.
Terra Magazine - Seis gols no começo da temporada, quase a metade do seu desempenho em 2007. O que melhorou?
Borges - Eu estou feliz. Estou voltando a jogar da maneira que sempre joguei em outras equipes. Estou tendo mais oportunidade também. Mas acho que o mais importante é que estou bem adaptado no clube.
O que esta adaptação ajuda?
Ajuda muito. Estou no clube há um ano. Conheço todo mundo aqui. E minha parte física melhorou bastante, me recuperei das contusões do ano passado.
Quantas foram?
Fiquei 45 dias parado por causa de um problema de ligamento no joelho esquerdo. Depois, passei quase dois meses encarando um estiramento que voltou uma vez.
Três meses e meio parado.
Só que, no São Paulo, quando o cara se machuca, treina muito mais. É bom não se contundir para fugir de lá. O cara aqui se machuca e fica desesperado (risos).
No início da temporada, com a contratação do Adriano, você passou a ser considerado o quarto homem para a posição. Como você encarou esta situação?
Sinceramente, esta história me pegou de surpresa. Você é artilheiro do time num ano e, no outro ano, não é citado nem como segunda opção. Não esperava por isso, mas a verdade é que nunca ouvi nada do técnico. Isso saiu mais nos jornais e nas rádios.
O técnico Muricy Ramalho conversou com você sobre sua situação?
O Muricy nunca falou nada. Ele sempre disse que as chances estavam abertas. Que todo mundo aqui tinha que brigar pelo espaço. Se fosse de outra forma, eu iria buscar outro rumo para minha carreira.
Aliás, você recebeu uma proposta para jogar nos Emirados Árabes.
E ela era muito boa. Cheguei a pensar em aceitar, mas depois vi que esta não era a melhor forma que eu queria sair. Quero ser reconhecido pelo meu trabalho.
É fácil jogar com o Adriano?
É. Ele é um cara que se mexe no ataque, e me deu aquele passe para fazer o segundo gol contra o Barueri. Eu tenho procurado fazer assistências para ele. Já deu para deixá-lo em boa situação para marcar gols.
Você disse ao site do São Paulo que não existe rivalidade entre vocês. É isso?
Não existe mesmo. É como eu disse: Quando eu tiver condições de chutar para o gol, vou chutar. Quando não tiver, é claro que vou tocar para quem estiver bem colocado.
Você é baiano de Salvador, mas parece que sua vida está voltada para Curitiba, no Paraná. Por quê?
Bom, porque comecei a jogar futebol no Paraná (Arapongas/PR em 2001), tive uma ótima passagem pelo Paraná (2005), minha esposa é paranaense e, quando parar com o futebol, vou morar em Curitiba.
Por que você começou a jogar só com 21 anos e no Paraná?
Porque na Bahia eu não tive oportunidade. Jogava futsal lá em Salvador. Estava para jogar no Vitória, mas no futsal. Um rapaz me convidou para jogar lá no Paraná e eu fui.
Você era titular do Vegatta Sendai quando topou jogar no São Paulo. Por que deixou o futebol japonês?
Gostei de jogar no Japão. Eu era ídolo lá. Mas estou lá no Japão, vem um clube com a estrutura do São Paulo e me convida. Eu decidi tentar outra vida.
Fale com Luciano Borges: borges.luciano@terra.com.br
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