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Quinta, 3 de abril de 2008, 16h56

Briga dos Magalhães atinge renovação de emissora

Fabio Pozzebom/Agência Brasil
Briga de familiares do ex-senador ACM atinge novo patamar: uma das emissoras da Rede Bahia pode não ter renovado o sinal. Boatos e a sucessão de ...
Briga de familiares do ex-senador ACM atinge novo patamar: uma das emissoras da Rede Bahia pode não ter renovado o sinal. Boatos e a sucessão de Salvador também entram no conflito

Claudio Leal

A briga dos herdeiros do ex-senador Antonio Carlos Magalhães atinge seu segundo impasse. Depois da derrota do dono da construtora OAS, César Mata Pires (casado com Tereza Helena, filha de ACM), na disputa pelo controle da Rede Bahia, a ausência de rubricas e assinaturas tumultua a renovação do sinal da emissora TV Santa Cruz, em Itabuna, uma das principais cidades do interior baiano.

Essa nova rusga (ou capítulo de arrastada novela) se tornou pública esta semana e guarda, nas coxias, os diálogos precários das duas partes da família. A TV Santa Cruz é um dos braços vitais da Rede Bahia, que engloba seis emissoras de TV aberta, uma de canal fechado, o jornal Correio da Bahia e duas emissoras FM.

Em resposta à união do senador ACM Jr. com os herdeiros do ex-deputado Luis Eduardo Magalhães (juntos, 66% das ações da empresa), César se recusa a assinar o pedido de renovação.

Veja também:
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» Padre Sadoc: "A Bahia deve respeitar Arlette"
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Em 11 de março, uma devassa judicial no apartamento da viúva de ACM, Arlette Magalhães, expôs uma ação de arrolamento de bens movida por Tereza Mata Pires. Ela suspeitava - e depois confirmou, em nota pública, a ausência de algumas obras - do sumiço de bens do ex-senador. Em contra-ataque, os demais herdeiros doaram à viúva as obras de arte a que teriam direito. Uma briga empresarial envolvia Arlette, até então a única capaz de conversar com os dois lados. Mas outros lances, políticos e humanos, acirram os humores familiares.

Com as negativas de César no processo de renovação da TV de Itabuna, os atritos ganham uma dimensão mais grave: a Rede Bahia pode ter perdas econômicas. Diante do atraso na assinatura, receia-se o fim do sinal. Veredas jurídicas exigem a aprovação de todos os sócios, não somente os majoritários. Em miúdos: César, com 33%, pôs uma pedra no meio do caminho.

Terra Magazine apurou que, nos bastidores, seguem os palavrões e as agressões. O diálogo cortês se dá na esfera judicial. Em 1º de abril, o Diário do Poder Judiciário da Bahia publicou, na página 37, o andamento de uma ação ordinária de César Mata Pires contra a TV Bahia, Arlette Magalhães, ACM Jr., Luis Eduardo Magalhães Filho e as irmãs Paula e Carolina.

Trata-se do despacho da 14ª Vara Cível: "Ouça-se a parte Autora sobre a contestação oferecida pelos Suplicados, no prazo legal." Esta é uma das frentes da luta pelo comando do grupo de mídia. Corre em sigilo de Justiça.

O conflito familiar tem três esferas: a Justiça, os bastidores e os boatos. Não deve ser menosprezado o poder dos últimos. Equivalem a caneladas. A notícia de que César Mata Pires estaria se aliando à Record da Bahia (TV Itapoan) causou arrepios nos Magalhães. Versão corrente: o empresário teria oferecido apoio ao apresentador popular da Record, Raimundo Varela, que lidera a disputa pela Prefeitura de Salvador, para prejudicar o pré-candidato ACM Neto.

Em entrevista a Terra Magazine (leia abaixo), Varela se afasta do diz-que-diz:

- Não vi, não sei nem onde mora (César)... Nesse negócio de família, eu não me meto, meu irmão!

Uma frase do ex-governador da Bahia Octávio Mangabeira sintetiza a lógica dessa história: "O baiano dá 100 para o vizinho não ganhar 50". O vizinho seria o deputado federal ACM Neto (DEM). Procurado pela reportagem, Neto declara:

- Não tenho informação sobre isso. Apenas li a respeito.

O senador ACM Jr. decidiu não mais se pronunciar, publicamente, sobre a briga judicial. O executivo da OAS, Léo Pinheiro, foi procurado três vezes no escritório da construtora em São Paulo. Não houve resposta aos telefonemas. O advogado de César Mata Pires foi procurado, mas não retornou à ligação.

Os Magalhães trabalham com a hipótese de César Mata Pires não assinar o pedido de renovação da TV de Itabuna. Duas soluções em estudo: o apoio de uma emissora próxima ou a aquisição de outro sinal. Saídas que não evitam a perda de identidade regional e os custos elevados da operação. E sem a expectativa de ver resolvido o conflito com César e Tereza Mata Pires - a não ser que ambos, num gesto desprendido, se desfaçam das ações. Improvável. Ao que parece, cunhado é para sempre.

***

A seguir, a conversa com o apresentador da Record (TV Itapoan) e pré-candidato a prefeito de Salvador, Raimundo Varela.

Terra Magazine - É verídica a história de que o empresário César Mata Pires, dentro da briga da família de ACM, teria procurado a Record e o senhor?
Raimundo Varela - Nunca! Não vi, não sei nem onde mora.

Nem onde mora?
Não sei. Eu só sei que ele é o tal presidente da (construtora) OAS.

E que teria oferecido apoio à sua campanha, contra ACM Neto...
Não, não. Alguém está plantando isso. Isso não existe. Fique tranqüilo. Nesse negócio de família, eu não me meto, meu irmão!

Sim...
Deus lhe abençoe.

 

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