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Sexta, 4 de abril de 2008, 08h00

Cinema navegante incentiva debate na Amazônia

Beethoven Delano/Divulgação
Tela de cinema montada na cidade de Demarcação, à margem do rio Madeira, por onde navega o Deus é amor. Festival itinerante viaja no barco para exibir ...
Tela de cinema montada na cidade de Demarcação, à margem do rio Madeira, por onde navega o "Deus é amor". Festival itinerante viaja no barco para exibir filmes às populações ribeirinhas

Thais Bilenky
Especial para Terra Magazine

"Deus é amor". E gosta de cinema. Pelo menos no que depende das intenções dos 17 profissionais que levam no barco (foto) películas produzidas na Amazônia, ou cujos temas se relacionam à região, Deus gosta sim da sétima arte.

O Festcine Amazonia Itinerante, projeto organizado em Porto Velho, Rondônia, já desceu o Rio Madeira e hoje, dia 4 de abril, parte da porção brasileira da cidade de Guajará-Mirim em direção ao lado boliviano, Guaiará-Mirim. De lá, o festival desbrava águas sulamericanas e viaja até Portugal.

"Deus é amor" passará, segundo a organização, pela Bolívia (como dito) Peru, Colômbia, e também pelos demais estados da região Norte do Brasil. No final da viagem, Festicine aporta em Coimbra. A itinerância é novidade deste ano no projeto. De 2003, quando da primeira edição, até o ano passado, o festival levou filmes às populações ribeirinhas de Rondônia e às comunidades que não têm acesso a produções audiovisuais.

A bordo, filmes que falam da questão ambiental. O objetivo, diz o curador Jurandir Costa, é fomentar reflexões sobre sustentabilidade e incentivar a preservação da natureza. Nesta quinta edição, "São Carlos do Jamari", de Alejandro Bedotti, dois vídeos de Jurandir Costa - "Marcas da Amazônia" e "Na beira do Rio Madeira" - e o dinamarquês "A Ferrovia do Diabo" constam na programação.

Programação esta que aliás insere parte competitiva ao festival. Produções de todo o Brasil concorrem ao Troféu Mapinguari, submetidos à avaliação de jurados. Isto nos meses de novembro, época de cheia do rio Madeira. Neste período, os ribeirinhos enfrentam dificuldades e problemas de saúde devido às movimentações fluviais. A equipe afirma querer presenciar o momento. Eles gravam depoimentos que integrarão documentário da itinerância.

O cinegrafista Auristênio Rodrigues, produtor do documentário, diz que em cada lugar por onde passam, os integrantes do projeto se surpreendem. Segundo Rodrigues, as populações reagem com interesse ao Festcine, lotando as tendas montadas para as exibições. O cinegrafista afirma que muitas pessoas nunca tinham tido contato com cinema antes da passagem do barco.

O Festcine Amazonia Itinerante, depois de Guaiará-Mirim, segue para Cachuela Esperanza e Ribeiralta, na Bolívia, Ariquemes, Ji-Paraná e Vilhena (Rondônia), Rio Branco (Acre), Porto Maldonado e Cuzco, no Peru, Manaus (Amazonas), Belém, no Pará, Macapá (Amapá), Boa Vista (Roraima), Santiago de Cali, na Colômbia, e encerra a viagem em Coimbra, Portugal. De acordo com a organização do projeto, serão 114 horas de exibições, vistas por mais de 10 mil pessoas.

 

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