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Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), considera a saída de Lula do partido um "factóide político". Lula teria feito a declaração durante encontro com parlamentares do PDT
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Raphael Prado
O presidente do Partido dos Trabalhadores, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), diz que a possibilidade de o presidente Lula deixar o partido caso haja insistência no tema do terceiro mandato é um "factóide". A declaração teria sido feita por Lula durante encontro com parlamentares do PDT:
- Tentaram fazer, digamos, um factóide político. Mas nós não damos a menor importância nem à declaração em si, nem ao tema, porque não está na nossa pauta.
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O tema de um eventual terceiro mandato para o presidente está sendo levantado pelo deputado petista Devanir Ribeiro (SP), que promete apresentar um projeto de emenda constitucional para garantir a segunda reeleição. Berzoini não vê incoerência entre a opinião do congressista e a do partido.
O presidente do PT assegura que a posição oficial da sigla é a de não mudar a regra do jogo no curso do processo. O dirigente do PT Valter Pomar havia cobrado um posicionamento do partido sobre o assunto. Ele diz que a legenda é contra até mesmo que haja uma única reeleição:
- O PT, do ponto de vista conceitual, é favorável que haja apenas uma eleição. Que não haja reeleição. Mas sequer esse assunto estamos priorizando nesse momento, porque achamos que seria alterar novamente a regra do jogo no curso do processo.
Leia os principais trechos da entrevista com o presidente do PT:
O senhor tomou conhecimento dessa suposta declaração do presidente, de que ele poderia romper com o PT se insistissem em terceiro mandato também pela imprensa ou o senhor chegou a conversar com ele?
Ricardo Berzoini - Não, não falei porque esse assunto para nós já é mais do que resolvido. É mais uma vez uma pauta artificial que não tem apoio nem do presidente Lula nem do PT. O que achamos é que o presidente foi enfático com os parlamentares do PDT que o visitaram e alguns se arvoraram a porta-voz do presidente (risos). Tentaram fazer, digamos, um factóide político. Mas nós não damos a menor importância nem à declaração em si, nem ao tema, porque não está na nossa pauta.
O senhor acha que tenham talvez ampliado aquilo que ele disse?
Eu não sei, não estava presente. Mas não dou importância porque todo mundo sabe a relação do presidente Lula com o PT e o seu compromisso com o partido. Como sabemos que o presidente também é enfático em suas declarações para demonstrar sua opinião política. E a opinião política sobre esse tema nós discutimos com o presidente no ano passado, quando esse assunto veio à pauta. Com especulações também. Nós somos contra, o presidente é contra e portanto não há nenhum tipo de dissenção nesse tem. Esse tema, no PT, tem uma amplíssima maioria contrária a uma eventual discussão de mudar as regras do jogo e o presidente disse também que é completamente contrário e que não aceita sequer discutir esse assunto. Portanto estamos totalmente alinhados e não há qualquer conflito entre o PT e o presidente. O que há é um deputado do PT que tem dado declarações. E ele tem direito de fazer isso e está fazendo em nome próprio, pessoal.
Mas para a sociedade, não soa contraditório isso?
Não. Os partidos não cerceiam a liberdade de expressão. Cada deputado pode dar sua opinião. Eu tenho opiniões, embora seja presidente do PT que eventualmente não coincidem com as opiniões do PT. Mas eu, como presidente, sou obrigado a verbalizar a opinião do PT.
E a posição oficial do PT é não apoiar a mudança da regra do jogo?
Isso. Nós não apoiamos a existência de mais de uma reeleição. Ao contrário, o PT, do ponto de vista conceitual, é favorável que haja apenas uma eleição. Que não haja reeleição. Mas sequer esse assunto estamos priorizando nesse momento, porque achamos que seria alterar novamente a regra do jogo no curso do processo, o que implicaria em alterar expectativas de governadores e prefeitos atuais que estão convivendo com uma regra que os permite sonhar com a reeleição. Os que estão no primeiro mandato. Então mudar no meio do jogo seria um grande equívoco.
Discutir essa questão pontual ao invés de tratar uma grande reforma política ou falar de dossiê ou levantamento de dados ao invés de falar de outras reformas que o País tem prioridade, criando duas CPIs para tratar do mesmo assunto... não é um desvio de foco das prioridades do País?
Eu acho. Eu concordo. Na verdade, existe hoje uma certa falta de foco no Parlamento, que se revela nesse debate extemporâneo e sobre a questão da reeleição, ao invés de se discutir as grandes distorções que nós temos no sistema político. Eu estive recentemente com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e nós ficamos de estruturar o diálogo entre os dois partidos para, depois de definido esse consenso, tentar fazer uma proposta de Reforma Política que possa ser votada em 2009. Porque esse ano não é mais possível, por causa das eleições municipais. Mas em 2009 é possível sim que nós tenhamos aí uma proposta que passa de dois grandes partidos, sem prejuízo de discutir com todos os demais.