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Sexta, 11 de abril de 2008, 07h56

Um civil entre a guarda

Sora Maia/Reprodução
No percurso que leva à Igreja do Bonfim em Salvador, uma cena muito baiana
No percurso que leva à Igreja do Bonfim em Salvador, uma cena "muito baiana"

Claudio Leal e Thais Bilenky

Na manhã do dia 14 de janeiro de 1999, senhoras e senhores, crentes e ateus, foram às ruas da Cidade Baixa, em Salvador, para se integrar ao cortejo da Lavagem do Bonfim. Liderada por grupos de baianas, a população caminha da Conceição da Praia até o adro da Igreja do Bonfim para lavar sua escadaria. Com água de cheiro e suor.

Na festa do padroeiro dos baianos, o preço da cerveja cai com a passagem do dia; logo, a noite de todos os santos se torna o melhor horário para se embriagar. Mas há os que preferem derramar os níqueis à luz solar. Pano avermelhado na cabeça, o cavalheiro da foto cerra fileira ao lado dos policiais, alheio a eles. Sob efeito da cachaça, carrega a insubmissão que vem de Carlitos; quiçá da dupla do "Gordo e o Magro". A cena "debochada" diz muito da Bahia, opina a autora, Sora Maia.

Baiana, formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Sora é fotógrafa atenta ao "inusitado" do cotidiano. Segundo ela, fotojornalismo é "uma das formas mais interessantes, porque alia agilidade ao domínio da técnica".

A fotógrafa realiza ensaios fotográficos para os principais grupos teatrais baianos. Do Teatro XVIII, de Aninha Franco, às montagens do diretor Fernando Guerreiro. Antes disso, passou por diversos jornais, a exemplo do Bahia Hoje, e acabou se especializando na área de cultura e arte. Conhece também as ondas do rádio: com amigos, já apresentou o programa RockLoco, no bairro popular de Santa Cruz. Sessões semanais de bossas novas e velhas, humor, amizade - e rock.

Sora pretende organizar, em breve, uma exposição individual. Montou um estúdio em Salvador. Já exerga em seus negativos uma linha a integrar sua arte. Para chegar à imagem do civil entre a guarda, teve de provar as ruas da cidade, conhecer os vícios e as rebeldias dos humanos. Captar os olhos irados da cantora Cesária Évora. Beber nas noites da Bahia. Fotografar os sertanejos que viram o bando de Lampião. Uma foto nasce antes do clique.

 

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