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Sábado, 10 de maio de 2008, 12h58 Atualizada às 12h36

Entrevista com Denílson

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Volante do Arsenal da Inglaterra, jogador Denílson sonha ser convocado para a seleção olímpica que vai a Pequim
Volante do Arsenal da Inglaterra, jogador Denílson "sonha" ser convocado para a seleção olímpica que vai a Pequim

Luciano Borges
De São Paulo

Nunca é tarde para ser campeão olímpico. O volante Denílson, 20 anos, quer disputar os Jogos de Pequim. Para isso, ele termina a temporada inglesa como titular do time do Arsenal, de Londres. Amanhã, diante do Sunderland, deve formar dupla de volantes com Gilberto Silva.

O ano não começou tão bem para Denílson, que passou por duas lesões que o afastaram do time. Contratado em 2006 por US$ 6,5 milhões, o atleta formado na base do São Paulo encarou o Velho Mundo sozinho. Não levou a família junto.

Até porque o pai, José Pereira, é dono de uma escolinha de jogadores em São Paulo. Em casa, ele educou os filhos para que se tornassem jogadores de futebol. Denílson é, até agora, o mais bem sucedido. Ele é freqüentador assíduo das seleções brasileiras de base. Falta garantir vaga na equipe olímpica. Até hoje só foi chamado pelo técnico Dunga uma vez, para um amistoso contra a Suíça.

Denílson conversou com Terra Magazine nesta sexta-feira, de seu apartamento no norte de Londres. Ele contou, por telefone, que já pediu dispensa do Arsenal para o caso de ser convocado. "Eles sabem que sonho disputar a Olimpíada".

O volante faz parte de uma geração de craques adolescentes que já estão na Europa e querem disputar os Jogos Olímpicos. O time terá pouco tempo de preparação para o torneio de futebol. Mesmo assim, Denílson acha que o Brasil pode conseguir a medalha de ouro.

Terra Magazine - Você quer disputar os Jogos Olímpicos?
Deninson -
Eu? Muito. Primeiro porque o sonho de todo jogador de futebol é jogar na Seleção Brasileira. Depois, disputar uma Olimpíada e conquistar a medalha de ouro seria inesquecível.

O técnico Dunga já disse que vai precisar da pressão dos jogadores para conseguirem dispensa de seus clubes europeus. Você já falou com o Arsenal?
Já conversei com o técnico (Arsène Wenger). Acho que não vai haver problema. Ele me disse para ligar se eu for convocado. Mas está na boa. Ele é um cara com quem converso todos os dias e sinto que ele quer me ajudar.

Você ficou parado um mês por causa de uma lesão e veio se tratar no São Paulo. O Wenger liberou?
Veja só: eu cheguei para jogar aqui e me machuquei três vezes. Poxa, levou um tempo para eu ficar bem. Na última vez, falei com o Arsène e disse que achava melhor me tratar no Brasil. Ele me liberou para ir ao São Paulo. Eu fiquei um mês parado. Mas ele disse antes: "Vá, melhore e volte porque não tem nada acabado para esta temporada". Ele já mostrou interesse em me aproveitar mesmo faltando poucos jogos.

E você foi o titular nas últimas duas partidas.
Ele me colocou no segundo tempo do jogo contra o Reading. No jogo seguinte, diante do Derby County, comecei jogando como primeiro volante. Na semana passada, o treinador me colocou junto com o Gilberto Silva. Aí, contra o Everton, joguei de segundo volante que é mais minha posição.

Falando em Gilberto Silva, ele vai mesmo deixar o Arsenal?
Rapaz, não procuro saber destes detalhes. Não sei do caso dele com o clube. Procuro ficar de canto que é melhor. O Gilberto é uma pessoa sensacional e grande jogador. Desde que eu cheguei aqui ele sempre me tratou muito bem, me orientou e tudo o que ele disse funcionou. É um privilégio jogar com ele.

Vocês falam em jogar juntos na Seleção?
Eu quero né, mas a gente não fala muito disso não. Eu tento fazer bem o meu trabalho. Acho que se eu jogar bem aqui no Arsenal, torno a coisa mais simples possível e posso esperar por uma convocação. Seria uma coisa maravilhosa.

Você já se adaptou ao futebol inglês?
O futebol inglês é muito rápido, muito movimentado. No Brasil, a segura mais a bola, carrega mais. No começo eu estranhei. Levei muita pancada, muita trombada. Só tem cara "fortão" aqui. Depois fui acostumando mais o corpo, pegando mais experiência e já não sinto tanta dificuldade.

Você ficou mais forte?
Quando cheguei aqui, há quase dois anos, pesava 69 quilos. Hoje tenho 74,75 quilos. Ganhei isso tudo de massa muscular. Eu cresci também. Estou três centímetros mais alto. O pessoal do Arsenal se preocupa muito com a alimentação, se estou descansando. Aqui o clube dá tudo. Só depende do jogador.

É diferente do tratamento que você tinha no São Paulo?
É diferente. Aqui no Arsenal, uma ou duas vezes por semana, vem um rapaz para ver como você está, se está se alimentando direito, traz os suplementos que a gente precisa. Eles estão sempre nos avaliando.

A família ajuda em casa?
Não. Eu moro sozinho aqui. Desde que cheguei. Meu pai tem o trabalho dele (é dono de um time de futebol) aí no Brasil. Meus irmãos estão jogando. O mais novo, Railson, de 13 anos, é segundo volante na base do São Paulo. O Genilson, de 17 anos, é meia. Ele joga no São Bernardo, mas vai passar duas semanas de teste no Palmeiras.

Você se vira bem? Como vai o inglês?
Me viro, é tranqüilo. Estou falando alguma coisa em inglês. Dá para entender o que o técnico fala. De vez quando, arrisco no inglês. Mas está normal.

Como é sua rotina diária?
Eu moro perto do centro de treinamento. Então acordo sempre às 9h30 para chegar lá às 10 horas. No CT, faço massagem, passo na academia para levantar peso. Depois vou treinar. Almoço no clube e vou para casa descansar. De tarde, volto para o ginásio e faço fortalecimento na perna. Depois volto pra casa e descanso.

Você conheceu pontos turísticos de Londres?
Nas folgas, dá para passear um pouco. A cidade é bacana.

Você convive bastante com o Gilberto Silva e o Eduardo Silva (brasileiro naturalizado croata)?
Só mais no clube mesmo. Eu não sou muito de sair.

A partir de segunda-feira, você está de férias. Para onde vai?
Embarco para o Brasil, fico uma semana em São Paulo e depois vou com a família para João Pessoa (PB). Vamos ficar um tempo lá no Nordeste.

Como você vai conseguir uma vaga na Seleção Brasileira olímpica?
Olha, acho que me fixando como titular aqui no Arsenal. Tenho que mostrar minha capacidade para realizar o sonho de voltar à Seleção. É um sonho.

Você tem colegas das divisões de base que estão em idade olímpica e jogam na Europa.
Ah tem. Já joguei com o Anderson (Manchester United), Marcelo (Real Madrid) e o Alexandre Pato (Milan). O Lucas (Liverpool) está bem e deve ir. Nunca atuei com ele. É uma geração muito boa que tem condição de brigar pela medalha de ouro.

Vocês foram para o futebol europeu ainda adolescentes. Deu tempo para fixar o estilo brasileiro de jogar ou esta passagem pela Europa tira a característica do nosso futebol?
Acredito que essa rapaziada não perde o estilo brasileiro. Acho que a gente joga do jeito europeu, mas mantém a qualidade brasileira. É uma coisa positiva para o Brasil. Tenho certeza que o Brasil vai ganhar a medalha em Pequim.

Mesmo com pouco tempo de treino?
Nunca é tarde para ser campeão. Se montarmos um grupo focado, com o mesmo objetivo, vai dar certo. O Brasil tem jogadores de qualidade, novos, que querem muito esta conquista.


Luciano Borges é editor-chefe do Bandsports e autor do Blog do Boleiro.


Fale com Luciano Borges: borges.luciano@terra.com.br

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