
Atualizada às 15h39 Diego Salmen
O novo ministro do Meio Ambiente deve ter "equilíbrio" e saber "dialogar com os setores produtivos". É o que diz o líder da Frente Parlamentar da Agropecuária - também conhecida como Bancada Ruralista, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
- O presidente da República deve ter claro o perfil que ele quer para o ministério, dentro da realidade brasileira. Se o agricultor não planta, ninguém come, nem almoça, nem janta. É o ditado popular. Espero que ele ponha uma pessoa que tenha equilíbrio para cuidar dos processos.
Instado por Terra Magazine a comentar o pedido de demissão de Marina Silva, Colatto afirma que ela "sofreu as conseqüências da reação dos setores produtivos".
- Ela estava impedindo o setor produtivo de fazer qualquer ação por um cartório ambiental que ela criou nesse país e que impede que sejam cumpridas as exigências que ela está impondo ao país inteiro - critica.
Nos últimos três anos, Marina obteve bons resultados na diminuição dos índices de desmatamento, tendo registrado queda de quase 60% período. Para o parlamentar de Santa Catarina, no entanto, trata-se de uma questão "ideológica":
- A questão do desmatamento é uma bandeira forçada. Não é questão de desmatamento; é uma questão ideológica, de pensar que nós podemos viver num país que não precisa produzir e que não precisa ter atividade econômica.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Valdir Colatto:
Terra Magazine - O que o senhor, como líder da bancada ruralista, achou da saída da ministra?
Valdir Colatto - Todos colhem o que semeiam. Se ela semeou a discórdia, o confronto, a repressão, uma falta de entendimento, ela sofreu as consqüências da reação dos setores produtivos que não tiveram diálogo para colocar sua posição. Ela radicalizou numa posição extremamente ambiental e ideológica, fora da realidade do país e da produção brasileira. Ela não quis ser racional e ter bom senso para enxergar o outro lado e não tinha como se manter no ministério. Ela tem que participar do processo.
Marina diminuiu os índices de desmatamento no país nos últimos anos. Do ponto de vista da atuação ambiental da ex-ministra, é legítimo comemorar seu pedido de demissão?
Na verdade a questão do desmatamento é uma bandeira forçada. Não é isso. Não é questão de desmatamento; é uma questão ideológica, de pensar que nós podemos viver num país que não precisa produzir e que não precisa ter atividade econômica. A lei 4771 permite que 20% da Amazônia seja desmatada. Nós temos 7% de desmatamento. É uma panacéia esse caso do desmatamento. Ela estava impedindo o setor produtivo de fazer qualquer ação por um cartório ambiental que ela criou nesse país e que impede que sejam cumpridas as exigências que ela está impondo ao país inteiro.
Qual a influência da sua bancada na queda da ministra?
Nós sempre tivemos a posição de que o setor estava descontente com a maneira como é conduzido o processo. Não tínhamos voz, nem vez, nem palavra; os atos era tomados unilateralmente pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Se nossa posição influenciou na decisão, nós assumimos.
O ex-governador do Acre, Jorge Viana (PT-AC), recusou o convite para assumir o ministério. A que o senhor atribuiu isso?
O presidente da República deve ter claro o perfil que ele quer para o ministério, dentro da realidade brasileira. Se o agricultor não planta, ninguém come, nem almoça, nem janta. É o ditado popular. Espero que ele ponha uma pessoa que tenha equilíbrio para cuidar dos processos. Se o governo avalia que essa pessoa é o Jorge Viana, nós só esperamos que eles busquem uma pessoa equilibrada e que faça uma linha de desenvolvimento sustentável para que o Brasil possa continuar com suas atividades. Do contrário nós vamos continuar tendo problemas.
A bancada tem alguma restrição quanto a um eventual nome? O secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, está sendo cotado para o cargo.
Não é uma pessoa conhecida no meio político, eu nem sabia que ele existia. Deve ser uma pessoa qualificada. Nós não temos indicação nem nomes; nós queremos que o governo coloque a pessoa certa, que entenda a situação e que faça o planejamento necessário para que toda essa questão não recaia sobre as costas do proprietário privado, tirando a tranqüilidade daqueles que só querem produzir e estão sendo tachados de contraventores.
Então o novo ministro precisa saber dialogar com o setor produtivo.
Com certeza. O setor produtivo não está sendo ouvido e ele precisa ser ouvido porque soluções, saídas e quer ajudar.
Terra Magazine