
Atualizada às 16h55 |
Reprodução
Peça tridimensional elaborada a partir de lanternas japonesas de seda e varetas finíssimas de bambu - parte da exposição "Um Novo Cardume", do artista nipo-brasileiro Lucas Isawa, com curadoria de Marcelo Suzuki.
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Roberto de Sousa Causo
De São Paulo
Em 27 de maio minha esposa, meu filho e eu fomos ao Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, para o lançamento do novo livro de fotografia de Marcio Scavone, o filho do pioneiro da ficção científica brasileira (e da fotografia artística nacional), Rubens Teixeira Scavone (1924-2007).
O livro se chama Viagem à Liberdade: Em Busca da Alma Japonesa de um Bairro, e é um lançamento da editora de Marcio, a Alice Publishing Editora. O livro, e a bela exposição que acompanhou seu lançamento, unem-se às variadas atividades de celebração dos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil. Todas as fotos estavam à venda, reproduzidas em cartão, com o título e a assinatura de Marcio em grafite.
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Trata-se de um volume (que conta com direção de arte de Eduardo Hirama) muito bem produzido, e as fotos exibem uma sensibilidade poética e a habilidade muito sutil de encontrar o traço, o detalhe, o elemento integrado à paisagem paulistana mas que trai a presença de uma cultura originária do outro lado do mundo - e que em anos recentes vem modificando o contexto da cultura popular no Brasil. É prefaciado por um texto absolutamente brilhante de Jorge Coli, que alinhava todas as qualidades artísticas das fotos contidas no livro e contribuído com suas próprias impressões sobre a Liberdade e São Paulo: "No passado, para um cinéfilo vindo de outro lugar, a Liberdade era o paraíso dos filmes japoneses", recorda. "Havia os grandes mestres, Mizogushi, Kurosawa, Kaneto Shindo, Ushida, criadores de obras prodigiosas, que atordoavam", e que Coli deve ter visto no cinema gerenciado pelo pai da escritora nipo-brasileira de fantasia e horror Giulia Moon. Sobre São Paulo, ele observa: "O que faz com que São Paulo viva são as pessoas. Elas dão sentido ao entulho de construções que nunca são alguma coisa, porque estão sempre em constante mutação." É justamente essa presença humana criadora de realidade, que Marcio Scavone captura.
Também no mesmo prédio (um palácio imenso que ocupa metade de uma quadra gigante no Jardim Paulistano), em São Paulo, passamos pela exposição "Um Novo Cardume", do artista nipo-brasileiro Lucas Isawa, com curadoria de Marcelo Suzuki. Peças tridimensionais de lanternas japonesas feitas em papel de seda e varetas finíssimas de bambu, que evocam, de modo minimalista, as formas orgânicas de peixes. As peças, de luminárias-esculturas, são inspiradas na tradição koinobori, de carpa colorida de tecido ou papel, introduzida no Brasil com a imigração japonesa. As peças estavam penduradas por fios elétricos e giravam lentamente, ao sabor da brisa ou quando sopradas. Para o fã de ficção científica, não há como escapar à sugestão steampunk de balões dirigíveis vernianos de uma realidade alternativa, especialmente quando a estrutura em bambu exibe treliças bastante geométricas. Lembrando que o 14-Bis, de Santos Dumont, era feito de bambu e seda... O "novo cardume" pode não ser apenas a transfiguração do orgânico animal dos peixes no orgânico vegetal do bambu e do papel, mas talvez a evocação de uma estranha flotilha de naves de um futurismo alternativo. A arte de Isawa está disponível na Internet em http://kemp.freetzi.com.
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