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Quinta, 5 de junho de 2008, 07h56

O valor econômico e cultural da MPB

Antonio Corrêa de Lacerda
De São Paulo

Minha coluna da semana passada gerou uma interessante discussão.

Selecionei os "melhores momentos" de algumas das mensagens recebidas.

Rafael Espírito Santo Godinho destaca que há "de fato, uma 'falta de vontade política' dos principais atores da indústria da música em nosso país de fomentar, ou produzir, trabalhos não tão-somente no gênero do chôro, mas igualmente com relação a outros gêneros brasileiros, dos regionais Brasil a fora e outros. Os ritmos nordestinos, as cantigas do interior do país, o tradicional samba, o jazz fusion instrumental, a música popular."

Godinho afirma ainda que "assim como o chôro surge a partir de um amálgama de gêneros europeus, constituindo eventualmente uma produção solidamente representativa da genialidade e versatilidade instrumental do músico brasileiro, as vertentes da música negra estadunidense como o jazz fusion, que cruza a música popular com a execução improvisacional (sic) jazzística, o soul brasileiro, que teve como pioneiros Cassiano, Tim Maia e Jorge Ben e aqui adquiriu roupagem única, o rap, que, a despeito de marginalizado, representa histórica e jornalisticamente as realidades das periferias e bolsões de pobreza de nosso país, em linguagem urbana e atual, e mesmo os artistas que tão proficientemente traduziram para uma linguagem abrasileirada o blues e o rock, em todas suas variações... O ponto é: ninguém tem apoio, mercado em escala maior."

Ele também registra o exemplo do Clube do Choro de Brasília, que, "capitaneado por Reco do Bandolim, recebe semanalmente os maiores nomes do país e mantém uma escola (Escola de Chôro Raphael Rabelo) que forma novos músicos, e já foi responsável pelo lançamento de nomes importantes no cenário nacional".

Mas, destaca o leitor, nem tudo são flores. Ele denuncia o que seria um "neo-nacionalismo musical. Ou, ainda mais acidamente de neo-facismo musical. O fato é que os principais fomentadores e apreciadores da música brasileira de qualidade têm, em sua maioria, assumido uma postura de preconceito para com a música aqui produzida que tenha sua gênese em gêneros internacionais. O bom jazz, a própria bossa (que talvez fosse cruzamento do samba com o último), o soul, o rock, são polidamente, e por vezes nem tanto, escorraçados, desconsiderados e tão marginalizados quanto os gêneros brasileiros tradicionais."

Lary Coutinho registra que concorda "com tudo o que foi escrito", mas, ressalva que "assim como tornou-se execrável modismo dizer, no exterior, que a Amazônia é importante demais para ser administrada por brasileiros, acrescento, contrariado, que acho o chorinho importante demais para ser entregue à sanha da indústria cultural. Porém ela é fundamental. Será preciso tornar o gênero atraente, lucrativo".

Luciano Corrêa Machado (Boca), que é músico gaitista e vocalista, escreve: "Trabalho com Blues, Jazz tradicional um pouco de MPB... Sou Curador do Poços de Caldas Jazz & Blues Festival que será realizado de 03 a 6 de Julho deste ano". O Festival tem objetivo de levar a música de qualidade para as pessoas, e "assim, trabalhamos muito no sentido de combater o lixo musical que reina na mídia..."

"Neste ano, no festival teremos uma programação muito variada e totalmente alternativa. Fora os shows da programação, haverá um palco externo para os novos talentos da música de qualidade. Este palco terá show o dia todo e os artistas que passarem por lá serão avaliados e poderão ser contratados para o festival do próximo ano:
www.jazzbluespocosdecaldas.com.br"

Bem, como podem ver, o tema gerou uma interessante discussão.

Antonio Corrêa de Lacerda é professor-doutor do departamento de economia da PUC-SP e autor, entre outros livros, de "Globalização e Investimento Estrangeiro no Brasil" (Saraiva). Foi presidente do Cofecon e da SOBEET.

Fale com Antonio Corrêa de Lacerda: alacerda@terra.com.br

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