
Atualizada às 10h12 |
Divulgação
Chapeuzinho vermelho - Leila Lopes investe em filme pornô
|
Claudio Leal
Direto dos estúdios do programa de João Gordo, na MTV, Leila Lopes, recém-chegada ao star system da indústria pornô brasileira, dedicou hoje alguns minutos a Terra Magazine. Enquanto acertava o tom da maquiagem e esperava os assistentes do bravo entrevistador acertarem a intensidade da luz, a atriz falou do lançamento do picante Pecados e Tentações, da Brasileirinhas.
Na fita, lançada em maio, a ex-global interpreta Marlene, que seduz o priminho seminarista. Puro Nelson Rodrigues - ao menos, eles garantem.
Leia também:
» Bazuca: Quero filmar com a Garota Melancia
Gaúcha de São Leopoldo, Leila já atuou nas novelas "Renascer" e "O Rei do Gado", da Rede Globo. Aos 38 anos, perto do fim de sua década balzaquiana, a atriz trocou os tarcísios-meiras por Carlão Bazuca.
Carlão faz duas cenas de sexo com Leila. Até onde se sabe, até onde se viu, houve uma relação profissional. Bazuca - não se deixe levar pelo nome - é ator pornô há nove anos. A atriz o considera "educadíssimo". E não vê acrobacia na atuação, apenas romantismo. Confira a entrevista.
Terra Magazine - Como está a maratona pós-filme?
Leila Lopes - Uma verdadeira maratona, realmente (risos). Não tem mais tempo de nada, nada! A gente tem pautado três, quatro coisas por dia. E eu amo essas coisas... Eu amo meu trabalho. Estou muito feliz. Estou gostando demais! Parece que eu estou na novela das nove! (gargalhadas)
Você ainda pensa em fazer novelas?
Penso, claro, por que não? Penso em fazer novela, teatro, cinema... Fazer meu programa da Brasileirinhas com a Band.
Ah, é?
Vai... A Band e a Brasileirinhas fizeram uma empresa, compraram um canal a cabo, e esse canal é 24 horas para adulto. Vai passar filmes e ter uma grade de programação. Uns quatro, cinco programas adultos.
Como é que você entra nisso?
Como que eu entro?
O que vai ser...?
Entro como apresentadora, âncora. E eu sou formada em jornalismo. Estou muito, muito, muito, muito feliz.
Você vai enfrentar preconceitos para voltar às novelas? Walcyr Carrasco criticou sua participação.
Ele não criticou. Ele disse que ficou triste. É diferente. Ele se colocou triste por ter me lançado na dramaturgia da televisão. Mas eu mandei uma carta pra vocês, do Terra, respondendo a ele. É bastante estranho que ele tenha se colocado só agora, pra dizer que me considerava muito, e tinha um orgulho imenso de me ver nas novelas do Benedito (Ruy Barbosa), Walter Negrão... Foi isso que eu respondi. Se ele tivesse o orgulho de ter me lançado, a primeira coisa que ele devia ter feito é dizer isso pra mim. Encontrei com ele várias vezes na Globo. Então, ele podia me parar um dia: "Leila, só queria te dizer que sou muito orgulhoso de eu ter te lançado". Segundo, podia me convidar pra uma novela.
Galãs e mocinhas se relacionam fora dos estúdios...
Todo mundo, né? Professoras, deputados e deputadas... Em todas as profissões. É uma questão de afinidade.
Como foi atuar com Carlão Bazuca?
Ele foi educadíssimo, acho que escolhi o menino certo. Porque eu assisti a muitas cenas, com todos eles, e eu escolhi o menino que eu achei mais romântico, mais meigo, mais doce, carinhoso...
Esse nome "Bazuca" não lhe assustou?
Quando eu escolhi, nem sabia que nome ele tinha...
Foi aleatório?
Escolhi vendo os filmes. Passei na Brasileirinhas pra escolher os parceiros. Escolhi por ser o mais delicado, o mais educado.
Ele achou que você se entregou completamente...
Qualquer personagem que eu tiver na minha vida, meu amigo, seja ele no teatro, na televisão, na gazeta, no filme adulto, em qualquer um, sou uma profissional. Eu interpreto o personagem.
Você leu Nelson Rodrigues antes de fazer o filme?
É totalmente inspirado, né? Ele (Bazuca) é meu primo no filme. Totalmente inspirado no Nelson Rodrigues. É um filme de época, 1950. O figurino é de época. Não tem fio-dental, não tem nada disso. As lingeries são grandonas.
Houve inovação no enredo?
Ah, eu acho que houve! Fora do Brasil já existe. Nos Estados Unidos... Eu digo que há uma diferença em três coisas: pornô é aquele filme que você põe e só tem cena de sexo, não tem cabeça, nem história; erótico é aquele que não tem penetração de pornochanchada; eu digo que meu filme é um longa-metragem com sexo explícito.
Você é religiosa. Explica como é que foi lidar com um seminarista...
Não sou evangélica, sou católica. O seminarista é apenas um estudante para alguma coisa. Não é um padre. Ele está estudando para ser. Pode desistir da carreira a qualquer momento. Não concluiu ainda, é apenas um estudante. Pode mudar de opinião. Não é tão polêmico assim. Seria polêmico se fosse um padre (risos)
Você achou que as cenas foram elegantes?
Porque as atrizes, os atores pornôs, têm uma habilidade técnica muito maior. Eu jamais teria condições de fazer as coisas que eles fazem. Eles são malabaristas...
Acrobatas...
São. Com certeza. E eu optei por uma coisa mais light, mais romântica, como se fosse um casal mesmo namorando. Não tem nada de acrobático. Nada de malabarismo. Existe uma sensualidade a todo vapor. Isso, sim. Mas isso da personagem. Não a cena em si, a penetração. A cena tem uma sensualidade. Ficou muito bonito. O corpo ficou elegante. Ficou lindo.
Você voltaria a contracenar com Carlão Bazuca?
Eu não voltaria a fazer outro filme.
Por quê?
Porque eu já tenho um programa agora. Estou com um trabalho fixo com a Brasileirinhas. Até quando durar meu programa. Espero que tenha a durabilidade da Hebe. Não quero que seja uma coisa Silvio Santos, que dura meses e acaba.
E se o público exigir um retorno ao pornô?
Ah, eu vou dizer pra eles assitirem ao programa sobre sexo, que vai ser superbacana, superaberto...!
Terra Magazine
» A influência francesa em nossas mesas