
Atualizada às 22h52 Tito Guarnieri
De Porto Alegre
Quando uma turma de barbados se reúne, não importa a classe social ou a escolaridade, podem ter certeza que - a folhas tantas - a conversa passa a girar em torno de mulher e futebol. Desta vez alguém na roda provocou: os homens gostam mais de mulher ou de futebol?
Com a prerrogativa de ser PhH em bagaceiragem, Gonçalves foi o primeiro a dar opinião: "Depende da parceira. Se a mulher é uma baranga, uma partida de futebol da série B pode ser até mais interessante. Se for mulher nova, conquista recente, vale a pena perder um jogo do seu time de coração".
Já o Soares - que não trabalha e vive às custas do sogro - defendeu a tese ampla de que diante de um tal e shakespereano dilema, basta se organizar para desfrutar dos dois prazeres: "O jogo do seu time está previsto na tabela, em hora, data e local. Por que, então, marcar o encontro com a mulher amada ou desejada para o mesmo dia e hora? Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa".
Velho Tiso usa e abusa dos direitos da terceira idade, como ônibus gratuito e filas especiais em bancos e supermercados. Tiso jura cometer tais e quais façanhas sexuais - sempre com meninas novas. Mas seus amigos têm certeza de que são apenas fanfarronices. Deu um pitaco sincero: "Se você gosta tanto de futebol, pode ver os gols, e os melhores momentos depois, na televisão. Mas, na minha idade, não posso correr o risco de perder uma mulher. Pode ser a última!".
Só Emiliano Cortes, o emérito professor, foi taxativo: "Sexo e mulher sempre têm preferência". Mas bastou ele virar as costas para merecer o comentário - com o qual todos assentiram - de que ele não está com essa bola toda: "Não é que ele goste tanto assim de sexo e mulher. É que ele odeia futebol".
A conversa rolou durante um bom tempo, afiada e prazerosa. Nada flui melhor num papo cabeça de marmanjos do que assuntos tão transcendentais quanto mulher e futebol.
JEJUM AÉREO
Cientistas de da Universidade de Harvard (EUA), descobriram que se o passageiro jejuar na viagem e comer só na chegada, ele não sofrerá os desconfortos do "jet lag", que impacta o organismo humano nos vôos longos com mudanças de fuso horário. Uma companhia aérea brasileira vibrou com a notícia. Em breve você poderá viajar a Paris, Londres, Nova York, e quando lhe servirem apenas uma barrinha de cereal, a comissária de vôo explicará: "É para evitar o jet lag".
PISANDO NA BOLA
De Maradona: "Se não tivesse me viciado em cocaína, Pelé não chegaria a ser nem o segundo jogador do mundo". Que ele seria muito maior sem o vício, estamos todos de acordo. Ainda assim, para igualar Pelé, ele teria que fazer mais 800 gols e ganhar mais dois títulos mundiais. A frase de Dieguito - desculpem! - é uma droga. Ele parece dizer que, se não fosse a cocaína, seria o maior jogador do mundo. Mas por que diabo de razão Pelé não seria nem o segundo?
DOIDÃO
Se continuar a dizer bobagens assim, vão começar a exigir exame antidopping de Maradona até depois de suas falas.
ADVERTÊNCIA EFICAZ
O bom Ney Latorraca nunca mais botou um cigarro na boca, depois que o seu médico ponderou: "Ney, pensa bem. Fumar é coisa de pobre". Parece uma boa sugestão para o Ministério da Saúde: a advertência "fumar é coisa de pobre" no lugar da desgastada "fumar é prejudicial à saúde". Posso estar enganado, mas a mensagem seria mais eficaz. Inclusive entre os pobres.
SALVE O GRAMPO!
O que seria da Polícia Federal e do Ministério Público sem o grampo telefônico? No barato, não seriam tão incensados e badalados. Você é capaz de se lembrar de alguma dessas operações com nomes pomposos, que tenha ocorrido sem interceptação telefônica? Os dois inquéritos mais notórios e recentes - o da prisão do deputado Álvaro Lins e indiciamento de Garotinho, e os rolos do deputado Paulinho da Força - não teriam a menor chance de serem instaurados, sem o infalível (e único) método de investigação das duas briosas instituições.
BURRICE
Os delinqüentes de todas as categorias que são presos por causa de gravação telefônica, merecem mesmo ir para a cadeia. Por duas razões: por causa dos delitos que cometem e, no mínimo, pela burrice de usar o telefone em suas infames atividades.
SER E PARECER
A escolha do deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) para presidir a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados não é a mais adequada. Moraes responde a três processos penais. Embora não haja ainda condenação, manda o senso moral e comum que a Comissão - mais do que qualquer outra - seja presidida por alguém como a mulher de César: "não basta ser honesta, tem de parecer honesta".
Terra Magazine