Atualizada às 09h49 |
José Cruz/Agência Brasil
Contratos da administração do governador José Serra com a Alstom ampliam crise em São Paulo
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Claudio Leal
O líder do governo José Serra na Assembléia Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), continua a desmerecer a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar o "propinoduto" da multinacional francesa Alstom no Estado. Na terça-feira, 3, o deputado estadual tucano orquestrou a rejeição de requerimentos do PT, na CPI da Eletropaulo.
A oposição pretendia convocar Mauro Arce e Andréa Matarazzo, que ocuparam a secretaria de Energia ao tempo dos contratos com a Alstom. O governador José Serra chamou a investida de "kit PT".
- A oposição está exercendo o jus sperniandi (direito de espernear). CPI no Brasil é pizza, é oba-oba. Não acho que deva ter CPI - diz Barros Munhoz.
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As investigações dos Ministérios Públicos da Suíça e da França indicam uma propina da Alstom de US$ 6,8 milhões. Esse valor, segundo revelou o jornal Wall Street Journal, teria sido pago a políticos paulistas para viciar uma licitação de US$ 45 milhões do Metrô de SP. Entre 1998 e 2001, empresas fantasmas podem ter sido usadas para escoar o suborno.
A Alstom também possui vínculos federais, mas o epicentro das denúncias está no governo paulista. A multinacional francesa tem contratos com a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Metrô, CTEEP (Companhia de Transmissão Energia Elétrica Paulista), Cesp, Eletropaulo e Sabesp.
Para o deputado Barros Munhoz, há um interesse eleitoral "óbvio" no escândalo. Ele defende a apuração no Ministério Público.
- A CPI dos Cartões virou esse pizza grande. Palhaçada, palhaçada. O que acontece? Apurar, tudo bem, mas só pra deputado aparecer bonitinho na televisão? Não é esse o instrumento de fazer isso. Gasta dinheiro, gasta tempo, desvia atenção... E já está no Ministério Público.
"Pulseira sabona"
A cooperação entre investigadores brasileiros e suíços promete esclarecer pontos ainda obscuros da presença da Alstom no Brasil. O jornal Folha de S. Paulo apurou que "o Metrô de São Paulo pagou R$ 4 milhões a mais por trens comprados da Alstom sem uma nova licitação".
- Cada contrato passa por 800 auditores do TCE (Tribunal de Contas), formados com cursos nas suas respectivas áreas. Independentemente dos conselheiros, cada um de nós, deputados, aprovamos ou rejeitamos... O TCE é um órgão auxiliar da Assembléia - diz Barroz Munhoz.
O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) alega desconhecer "fatos" concretos sobre o caso Alstom, mas contratos de sua gestão também são investigados. Em defesa de José Serra, o líder Barros Munhoz nega a opção por "ossos no armário":
- Não estamos guardando. O governador já determinou, já pediu investigações. É brincadeira ficar pedindo CPI. Eu até comparo à pulseira sabona de bronze, lembra? Curava tudo: câncer, dor de cabeça, diarréia, qualquer coisa. CPI não pode ser isso. E não vai ser provado, é oba-oba.
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