
Carlos Drummond
De São Paulo
Há 30 anos, um bilhão de pessoas viviam em economias avançadas ou em rápido crescimento. Hoje são cerca de quatro bilhões de pessoas nessa situação. Entretanto, não é certo que a base de recursos naturais do mundo possa sustentar o crescimento dessa parcela da humanidade, que perfaz mais da metade da população do planeta. A avaliação é de Mike Spence, economista laureado com Prêmio Nobel que coordena a Comissão de Crescimento e Desenvolvimento do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas. A base de recursos naturais não pode ser expandida infinitamente e as possibilidades de a mesma comportar o crescimento dependem de tecnologia, incentivos e engenhosidade, diz Spence nas conclusões de uma pesquisa sobre desenvolvimento concluída em maio e que faz parte do trabalho permanente da comissão de investigar as políticas e as estratégias necessárias para o crescimento econômico e a redução da pobreza.
A referência utilizada no estudo são economias que experimentaram períodos de crescimento sustentado e elevado a partir do término da Segunda Guerra Mundial. Para os autores do trabalho, sustentado significa durante 25 anos contínuos, pelo menos; e elevado é de 7% ao ano para mais.
Considerou-se também que o crescimento não é o objetivo final, mas a sua tradução em redução da pobreza, desenvolvimento humano, saúde, oportunidade de trabalhar e de ser criativo e também o atingimento das metas do milênio das Nações Unidas. A primeira dessas metas é erradicar a pobreza extrema e a fome. "A maior parte das metas do milênio, incluindo a redução da pobreza, são muito difíceis de atingir e sustentar sem crescimento econômico", observa Spence.
A Comissão de Crescimento e Desenvolvimento identificou 13 países que experimentaram crescimento sustentado e elevado no pós-guerra: Botswana, Brasil, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coréia, Malásia, Malta, Oman, Cingapura, Taiwan e Tailândia. O Brasil figura na lista por conta do período de crescimento econômico verificado entre 1950 e 1980.
Entre os novos desafios ao crescimento, o estudo identifica a elevação dos preços dos alimentos e das matérias primas, a volatilidade dos preços, o crescimento e o envelhecimento da população, migrações e o desafio climático.
O trabalho coordenado por Spence adiciona subsídios para se pensar as implicações e o alcance daquela que talvez seja a mais grave crise energética mundial, concomitante com problemas no suprimento de alimentos e exaustão ambiental. A crise tríplice resulta, entre outros efeitos, em recordes de preços do petróleo e em uma pressão simultânea sobre os preços dos combustíveis renováveis destinados a substituí-lo. A substituição vem ocorrendo, mas em ritmo e proporções muito inferiores ao necessário para assegurar uma transição tranqüila de matrizes energéticas.
Fale com Carlos Drummond: carlos_drummond@terra.com.br
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