
Atualizada às 12h29 |
Terra
O ex-militar e deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) acusa o Exército de ter feito acordo com traficantes, quando da "entrega" dos três jovens do Morro da Providência ao Morro da Mineira
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Diego Salmen
O Exército fez um acordo para não importunar - e nem ser atacado - pelos traficantes do morro da Mineira, no Rio de Janeiro. A acusação é feita pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar de carreira e ex-paraquedista da instituição.
- Foi feito, sim, um acordo com o tráfico (...) Tanto é que o tenente pegou um caminhão militar e foi na outra favela conversar com traficantes. Se não tivesse feito acordo, seria recebido a bala - acusa.
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No último domingo, 15, três rapazes foram encontrados mortos num lixão na Baixada Fluminense, depois de terem sido levados por militares para o morro da Mineira. Lá, os jovens - que eram do morro da Providência - foram torturados e executados por traficantes.
O Exército abriu inquérito para investigar a participação de 11 militares no incidente. Nesta quarta-feira, a Justiça determinou a retirada das tropas do local. O Ministério da Defesa irá recorrer da decisão.
Bolsonaro também acusa o governo de usar politicamente o Exército, que está desde dezembro de 2007 na região para dar segurança às obras do projeto Cimento Social, de autoria do senador Marcelo Crivella (PR-RJ).
- É uma sucessão de erros - diz.
Procurado pela reportagem, o Exército não se manifestou sobre as declarações do deputado.
Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Jair Bolsonaro:
Terra Magazine - Como avalia esse incidente?
Jair Bolsonaro - É uma sucessão de erros. Primeiro, colocar o Exército para dar sustentação a uma obra política. Eu não conseguiria o apoio do Exército para aquilo. Foi o Crivella (que conseguiu) porque ele é ligado ao Lula e ao vice-presidente da República. Segundo ponto: foi feito, sim, um acordo com o tráfico. Os militares não importunariam os traficantes e eles, por sua vez, não retaliariam os militares.
O senhor acha que...
Acho não: foi feito acordo. Tanto é que o tenente pegou um caminhão militar e foi na outra favela conversar com traficantes. Se não tivesse feito acordo, seria recebido à bala. Outro problema: militar das Forças Armadas não tem amparo legal e nem preparo para desenvolver atividades policiais. O Nelson Jobim (NR: Ministro da Defesa) mesmo disse que para o militar participar de operações de combate ao crime organizado, teria de haver um estatuto próprio.
Certo...
Eles estão lá cumprindo uma missão do presidente Lula. Se fosse no regime militar, o pessoal do PT estaria dizendo que é ditadura, que a culpa é do governo militar. Agora, o tenente, por sua vez, cometeu um erro imperdoável: deixou-se envolver com traficantes. Inclusive com um sargento e um soldado que eram ligados ao tráfico. E ele, cansado de ser humilhado por alguns da comunidade, resolveu entregá-los a uma facção vizinha para dar um corretivo neles. Ele não pôde mensurar onde isso chegaria. Chegou onde o tráfico queria: não só executaram, como torturaram barbaramente os três moleques. A mensagem foi dada para a opinião pública: Forças Armadas, afastem-se do combate ao crime organizado e ao tráfico.
Agora o Exército deve se retirar ou permanecer na favela?
Se eu fosse comandante do Exército, eu nem teria ido lá. Sai fora.
Terra Magazine