Terra Magazine

› Terra Magazine › Política

Quinta, 19 de junho de 2008, 10h24 Atualizada às 12h29

Bolsonaro: Exército fez acordo com tráfico no RJ

Terra
O ex-militar e deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) acusa o Exército de ter feito acordo com traficantes, quando da entrega dos três jovens do ...
O ex-militar e deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) acusa o Exército de ter feito acordo com traficantes, quando da "entrega" dos três jovens do Morro da Providência ao Morro da Mineira

Diego Salmen

O Exército fez um acordo para não importunar - e nem ser atacado - pelos traficantes do morro da Mineira, no Rio de Janeiro. A acusação é feita pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), militar de carreira e ex-paraquedista da instituição.

- Foi feito, sim, um acordo com o tráfico (...) Tanto é que o tenente pegou um caminhão militar e foi na outra favela conversar com traficantes. Se não tivesse feito acordo, seria recebido a bala - acusa.

Veja também:
» Episódio era "ultraprevisível", diz general
» Nilmário: "crime dos militares é crime comum"

No último domingo, 15, três rapazes foram encontrados mortos num lixão na Baixada Fluminense, depois de terem sido levados por militares para o morro da Mineira. Lá, os jovens - que eram do morro da Providência - foram torturados e executados por traficantes.

O Exército abriu inquérito para investigar a participação de 11 militares no incidente. Nesta quarta-feira, a Justiça determinou a retirada das tropas do local. O Ministério da Defesa irá recorrer da decisão.

Bolsonaro também acusa o governo de usar politicamente o Exército, que está desde dezembro de 2007 na região para dar segurança às obras do projeto Cimento Social, de autoria do senador Marcelo Crivella (PR-RJ).

- É uma sucessão de erros - diz.

Procurado pela reportagem, o Exército não se manifestou sobre as declarações do deputado.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Jair Bolsonaro:

Terra Magazine - Como avalia esse incidente?
Jair Bolsonaro -
É uma sucessão de erros. Primeiro, colocar o Exército para dar sustentação a uma obra política. Eu não conseguiria o apoio do Exército para aquilo. Foi o Crivella (que conseguiu) porque ele é ligado ao Lula e ao vice-presidente da República. Segundo ponto: foi feito, sim, um acordo com o tráfico. Os militares não importunariam os traficantes e eles, por sua vez, não retaliariam os militares.

O senhor acha que...
Acho não: foi feito acordo. Tanto é que o tenente pegou um caminhão militar e foi na outra favela conversar com traficantes. Se não tivesse feito acordo, seria recebido à bala. Outro problema: militar das Forças Armadas não tem amparo legal e nem preparo para desenvolver atividades policiais. O Nelson Jobim (NR: Ministro da Defesa) mesmo disse que para o militar participar de operações de combate ao crime organizado, teria de haver um estatuto próprio.

Certo...
Eles estão lá cumprindo uma missão do presidente Lula. Se fosse no regime militar, o pessoal do PT estaria dizendo que é ditadura, que a culpa é do governo militar. Agora, o tenente, por sua vez, cometeu um erro imperdoável: deixou-se envolver com traficantes. Inclusive com um sargento e um soldado que eram ligados ao tráfico. E ele, cansado de ser humilhado por alguns da comunidade, resolveu entregá-los a uma facção vizinha para dar um corretivo neles. Ele não pôde mensurar onde isso chegaria. Chegou onde o tráfico queria: não só executaram, como torturaram barbaramente os três moleques. A mensagem foi dada para a opinião pública: Forças Armadas, afastem-se do combate ao crime organizado e ao tráfico.

Agora o Exército deve se retirar ou permanecer na favela?
Se eu fosse comandante do Exército, eu nem teria ido lá. Sai fora.

Terra Magazine

Busque outras notícias no Terra

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol

Argentina Chile Colômbia Equador Estados Unidos México Peru Venezuela