
Atualizada às 21h55 |
Cleomir Tavares/Divulgação
O Caso Isabella chegou ao fim e... Luciana Gimenez continua no ar
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José Pedro Goulart
De Porto Alegre (RS)
Enquanto durou o Caso Isabella, houve quem enxergasse um excessivo mau gosto por parte da mídia na cobertura do episódio. Cá com meus botões sempre achei esse um debate um tanto surreal - afinal o quê que se queria, que a Luciana Gimenez deixasse de ser a Luciana Gimenez e se transformasse numa Susan Sontag, por exemplo? As coisas, como na propaganda do Sprite, "são como elas são". A tal mídia funciona como se fosse uma sopa, cujos ingredientes podem boiar ou estarem escondidos no fundo da panela, mas o gosto do caldo será sempre oriundo do que estiver lá dentro.
Vejamos o caso da novela Pantanal, exibida pela enésima vez em horário nobre, agora no SBT. Um anúncio publicado nos jornais avisa que a novela "só" começa depois que termina a da Globo. E não é a primeira vez que o SBT se refere à programação de outra emissora para tentar garantir audiência. Vale tudo. Qualquer coisa por uma migalha de Ibope.
Se relacionar com a concorrência se auto-depreciando ou, ainda pior, requentar uma novela gasta ao invés de preencher o espaço (botar substância na sopa) com alguma novidade.
Notícia recente, inclusive, diz que a filha do Sílvio Santos estaria na ponta da fila para assumir o SBT. Eu não sei se a moça tem capacidade para ocupar um cargo de tamanha relevância - social, política, cultural -, mas conheço pelo menos uma dezena de pessoas que tem. Terão essas pessoas alguma chance de pleitear a vaga? Para governador, prefeito ou legislador é necessário o referendo das urnas. Entretanto, o cargo de presidente de uma emissora, com todo poder presumível, é decidido tão somente pelo DNA; no caso um DNA oriundo de uma matriz que sempre se mostrou inapta.
Novela, aliás, sempre foi o grande trunfo da Rede Globo para garantir ano após ano a liderança da audiência. Uma vez capturados durante os primeiros capítulos, nos obrigamos a seguir fiéis até o fim. Disse aqui em outro artigo e repito que a novela quando em excesso acaba tomando para si algo de orientação, de educação de uma parcela enorme da população. E aí que mora o perigo, já que a novela é uma peça superficial de dramaturgia, em que personagens previsíveis vivem conflitos maniqueístas.
Muitos anunciam a TV a cabo como opção à TV aberta, mas o fato é que para grande parte população, sem grana para o serviço, essa é ainda uma possibilidade remota. Junte isso às futilidades e factóides fartamente privilegiados nos portais de Internet; além da pouca vontade de se aprofundar ou inovar da maioria dos meios de comunicação e chegamos perto de uma equação sobre as causas e conseqüências provocadas por essa entidade chamada mídia.
A onda provocada pela morte da menina Isabella passou, a reclamação quanto aos excessos acabou; e, a propósito, a Luciana Gimenez continua no ar. Se há algo novo na disputa pela audiência é a entrada da Record na parada dedicando-se cada vez mais a...novelas. Alguém aí aposta um níquel que isso irá vitaminar a sopa que nos é servida a cada dia?
Fale com José Pedro Goulart: zp.zeppelin@terra.com.br
Terra Magazine