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Sábado, 12 de julho de 2008, 08h03 Atualizada às 08h37

O Intérprete

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O artista japonês Tatsumi Orimoto (sentado, à esquerda) e sua obra Bread Man
O artista japonês Tatsumi Orimoto (sentado, à esquerda) e sua obra "Bread Man"

Daniel Milazzo

De gravata, com uma faixa azul na cabeça, coque e cabelos grisalhos espalhafatosos, o irrequieto artista contemporâneo japonês Tatsumi Orimoto esmera-se em quebrar o protocolo por onde passa. Uma das suas mui peculiares intervenções artísticas chama-se "Bread Man", cuja materialização é enrolar pães na cabeça - seja na dele, seja na dos outros.

Curioso, o repórter pretende perguntar-lhe qual é o sentido disso. E depois de esperar a chegada de um intérprete que traduza as palavras em japonês, obtém sua resposta:

- É uma alusão à mensagem passada por Jesus Cristo, que também usa o pão para representar o sentido da divisão, da partilha...

E pimba! Hiperativo, lá se vai o sr. Orimoto. Só que por mais rápida que se pretendesse a entrevista, ela ainda não terminou. Dá-lhe a persegui-lo pelo salão. A investida exige agilidade, dose de paciência, e bom humor. Aliás, o bom humor já havia tomado conta da situação. Repórter e intérprete parafraseiam os passos apressados do artista.

De súbito, o sr. Orimoto sai do salão e pára perto de uma mesa, no impecável salão do hotel 5 estrelas Grand Hyatt São Paulo, onde acabara de ser realizado o evento "Sukiyaki do Bem".

Mais uma pergunta ao sr. Orimoto. Ele escuta com atenção a tradução, olha para o intérprete, para o repórter, de novo para o intérprete, e responde. A vocação de sua arte é interagir com o público, não importa se em locações pequenas, minúsculas, ou amplas e grandiosas. A importância da arte desse japonês nascido em 1946 é estabelecer uma comunicação forte, inexorável, com o público; também entre o público.

Mas enquanto o intérprete gentilmente retransmite o pensamento do artista, este lá se foi. Escapa e embrenha-se pelo saguão, onde recebe cumprimentos de brasileiros e nikkeis, algumas cabeças há instantes rodeadas por pães.

- Está bom? Acabou? - indaga o intérprete.

- Na verdade, não - responde o repórter - Só queria fazer uma última pergunta... Saber se ele se diverte fazendo a própria arte.

Foi a vez da expansiva gargalhada do intérprete quebrar o protocolo e explicitar a resposta.

- Sim, se diverte! Muito...

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