Terra Magazine

› Terra Magazine › Cultura

Sexta, 11 de julho de 2008, 15h00 Atualizada às 15h21

Rodrigo Maranhão, cronista do Rio de Janeiro

Divulgação
Nova MPB  - Vencedor de um prêmio Grammy de Melhor Música Brasileira, Rodrigo Maranhão diz que às vezes suas músicas não fazem muito sentido para si ...
Nova MPB - Vencedor de um prêmio Grammy de Melhor Música Brasileira, Rodrigo Maranhão diz que às vezes suas músicas "não fazem muito sentido" para si próprio

Diego Salmen

Há novos tons na música popular brasileira. Maranhão de nome, Rodrigo é cronista do Rio de Janeiro - onde vive com pouco dinheiro, mas é Flamengo até morrer.

Em tempos de NXZero e Créu, o compositor Rodrigo Maranhão ainda é pouco conhecido no mainstream musical brasileiro. Parceiro de vozes consagradas das novas e novíssímas gerações da MPB - como Maria Rita, Roberta Sá e Zélia Duncan - lançou seu primeiro (e único, até agora) disco somente em 2007 - com quase 15 anos de carreira.

Quinta-feira. Depois de varar a madrugada tocando, Maranhão não se importa em interromper o cochilo matutino para conversar com Terra Magazine, por ocasião do show que realiza, a partir das 22h00 da sexta, no Circo Voador. A apresentação faz parte da turnê do álbum Bordado.

Para hoje, estão previstas participações especiais de Fernanda Abreu, Zé Renato e do bloco carnavalesco Bangalafumenga, que o músico ajudou a popularizar no circuito de música do Rio de Janeiro.

Ganhador do Prêmio Tim de Cantor Revelação em 2008, o instrumentista já havia sido agraciado com um Prêmio Grammy de Melhor Música Brasileira em 2006, com a canção "Caminhos da Água", interpretada por Maria Rita.

Sobre o sucesso ainda incipiente, diz:

- A música brasileira é muito bem vista lá fora. Meu disco já foi lançado em Portugal, no Japão, e eu acho que isso faz com que as pessoas, antes de terem algum reconhecimento aqui, tenham espaço lá fora - opina.

Confira a seguir a conversa com o compositor Rodrigo Maranhão:

Terra Magazine - O que esperar do show de amanhã?
Rodrigo Maranhão -
É o repertório do disco mais algumas canções novas, com presença de alguns amigos: Zé, Fernanda, Bangalafumenga para fechar a noite. É um show um pouco mais festivo do que o normal...

Não será tão introspectivo...
É, isso eu não sei, porque esse show não é propriamente dançante, vamos dizer assim. Mas ele acabou ficando por conta dos convidados, por conta do bando. Acho que vai ser um show diferente.

Você já ganhou um prêmio Grammy de Melhor Música Brasileira e um Prêmio TIM de Cantor Revelação. Além disso, já emprestou músicas para Zélia Duncan e Maria Rita, dentro inúmeros outros. Mesmo assim você é pouco conhecido no Brasil. Isso não reflete uma certa elitização da MPB?
Eu acho que, por estar no meu primeiro disco, não tem como ser muito conhecido. Acho que isso é normal. Eu ganhei o Prêmio TIM de Revelação, mesmo com 15 anos de carreira. Acho normal, porque na verdade eu sempre fui muito conhecido entre os músicos aqui do Rio, da galera independente, isso é um mercado; agora, eu acho que tô começando a entrar num outro tipo de mercado mais formal, entendeu? Por isso eu acho que sou novidade mesmo tendo 15 anos de carreira.

Também existem muitos músicos brasileiros que fazem sucesso primeiro lá fora, e depois aqui dentro. Acho que não é ainda o seu caso...
(risos) É, eu não faço sucesso lá fora (risos). A música brasileira é muito bem vista lá fora. Meu disco já foi lançado em Portugal, no Japão, e eu acho que isso faz com que as pessoas, antes de terem algum reconhecimento aqui, tenham espaço lá fora.

Você toca com o Bangalafumenga desde 1998, e tem uma carreira própria até anterior à banda. Por que demorou tanto a lançar um CD próprio?
Isso sempre foi o projeto mais importante da minha vida, eu sempre soube que eu ia gravar esse disco. Eu esperei o momento em que eu não fosse precisar gravar o disco, sabe? Ele não precisou ser...

Não houve pressão?
Não, embora.... Minha carreira já é estabelecida - eu já fiz casa, já fiz filho, já comprei carro, fiz tudo com a música, mesmo sem ninguém me conhecer. Então isso foi a minha primeira vitória, entendeu? Aí, passada essa primeira etapa de você viver de música, que era meu grande desafio...

O que já é difícil no Brasil...
E que é muito difícil. Então depois que eu conquistei uma certa estabilidade vivendo de música eu disse: "bom, ta na hora de eu gravar esse disco". Porque, teoricamente, se eu gravasse esse disco um tempo atrás, eu não sei se gravaria ele assim, com a mesma liberdade, com a mesma calma. Eu não esperava muito isso, eu queria fazer um disco de compositor mesmo.

Uma coisa mais autoral.
É, exatamente. E é o que é esse disco mesmo, né?

Na letra de "O Osso" você canta: "muita fé pouco dinheiro/ sou flamengo até morrer /então não venha com projeto, intelecto / se não há manifesto para o povo não sofrer". O que te influencia na hora de escrever esse tipo de canção? Literatura? Como é esse processo?
Eu acho que eu sou mais um cronista das coisas que me cercam, e também das minhas próprias inquietações mesmo, sabe? Da minha própria alma mesmo. Eu acho que nesse disco eu sou um cronista dessas coisas, tudo que me incomoda ou atrai de alguma forma eu acabo falando, entendeu? Nisso vai ter a crítica social, vão ter as coisas que eu falo nas minhas letras e que também não têm muito sentido, como na minha cabeça mesmo (risos) não fazem muito sentido. As músicas desse disco são a minha cara mesmo. Esse disco é o disco que mais se aproxima do Rodrigo Maranhão, sabe? Como ele é no dia-a-dia, o que ele gosta de fazer, de cantar quando eu to sozinho, esse disco é um pouco isso. Pára para respirar e mostrar o que tem de mais pessoal mesmo no meu trabalho. Porque eu também gosto de tá com a galera, tá no Banga, tá fazendo batuque, essa é uma parte que eu também adoro fazer.

Mas aí você não tem tanta liberdade do que numa peça solo, por exemplo.
Isso, eu precisava desse trabalho. Até para as pessoas me conhecerem mais, porque as minhas primeiras músicas gravadas foram um trabalho um pouco mais pop, com a Fernanda (Abreu), com a Zélia (Duncan), o próprio trabalho com o Banga e com o Monobloco. As pessoas não conheciam esse lado.

Você disse que irá apresentar algumas músicas novas no show desta sexta-feira. Já tem planos para um novo trabalho?
Trabalhando não, até porque eu não saí do Bangalafumenga, embora alguns achem que eu tenha saído, eu nunca saí e nunca sairei. É minha cachaça, minha rapaziada, como quem eu gosto de estar junto mesmo. Esse ano é o ano do Banga, que tá finalizando um disco. Antes de terminar esse do Banga, eu nem penso em começar a gravar outro meu. Foi um acordo que a gente firmou para tentar produzir intercalado. Não sei se vou conseguir manter essa média (risos) de um disco por ano, mas agora eu tô mais envolvido em finalizar esse disco. Acabando esse, aí eu vou começar a pensar num segundo disco meu, que é uma coisa que eu já venho matutando muito. E eu quero fazer muito disco, né? Não falta música, tomara (risos) que eu consiga.

Terra Magazine

Busque outras notícias no Terra

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol

Argentina Chile Colômbia Equador Estados Unidos México Peru Venezuela