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Sexta, 11 de julho de 2008, 10h40 Atualizada às 16h34

Mello: Ministros do STF não têm nada a esconder

José Cruz/Agência Brasil
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que elogia as ações da Polícia Federal, apesar de pecadilhos
O ministro Marco Aurélio Mello, do STF, que elogia as ações da Polícia Federal, apesar de "pecadilhos"

Raphael Prado

"Perplexo" com a informação de que a Polícia Federal teria monitorado o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o ministro Marco Aurélio Mello sai em defesa do colega. Para Mello, a transparência da Corte não dá margem à "bisbilhotice":

- Isso é algo que apenas desmerece quem tentou bisbilhotar - retruca o ministro.

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Reportagem de hoje do jornal Folha de S.Paulo diz que "a PF monitorou seu gabinete na presidência do STF a pedido do juiz Fausto de Sanctis", que expediu as - duas - ordens de prisão de Daniel Dantas. Segundo o texto, a Polícia Federal possui um vídeo em que assessores do ministro se encontram com advogados do banqueiro. De Sanctis nega que tenha pedido o monitoramento.

Para Marco Aurélio Mello, que defende as ações da Polícia Federal como a Operação Satiagraha - que também prendeu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas -, esses "pecadilhos" não podem ser potencializados:

- É elogiável o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Polícia Federal, deixando de lado alguns pecadilhos.

O ministro opina também sobre o vazamento das informações para a imprensa e o uso de algemas, que classifica de "contrário à ordem jurídica". Leia os principais trechos da entrevista.

Terra Magazine - Qual a sua opinião sobre essa suposta investigação ao presidente do STF?
Marco Aurélio Mello - Estou perplexo. Não quero dizer que é uma inverdade, mas ali nós temos verdadeira bisbilhotice. E sem autorização judicial, porque a autorização teria que ser do próprio Supremo, já que há prerrogativa de foro. E se isso ocorre em relação ao presidente, ao chefe do Poder Judiciário, imagine como deve estar sendo acompanhado o cidadão comum.

Fala-se que a Polícia Federal tem desempenhado um papel inédito na história do País, de alcançar intocáveis. Ricos, banqueiros, políticos. Os ministros do STF podem ser considerados uma nova leva de "intocáveis" incomodados pela PF?
Não, não, não. Nós não temos nada a esconder. Nossa atuação é muito transparente. É elogiável o trabalho que vem sendo desenvolvido pela Polícia Federal, deixando de lado alguns pecadilhos. Esse acompanhamento pela televisão mediante aviso de dirigentes às 6h da manhã, a utilização desenfreada das algemas, contrária à ordem jurídica... fora a isso o trabalho é elogiável.

Em relação a esse caso de possível monitoramento dentro do STF, o senhor, como ministro, pretende tomar alguma providência?
Não, eu não sei se o ministro Gilmar (Mendes) vai providenciar alguma coisa. Isso é algo que apenas desmerece quem tentou bisbilhotar.

O ministro Gilmar Mendes falou em debater o que ele chama de espetacularização das ações da PF.
Sim, mas pouco a pouco a Polícia, ela própria, vai corrigir rumos. E vai evitar daqui pra frente, é o que eu presumo, o que ocorreu no passado recente. Mas não podemos esvaziar o papel da Polícia Federal, potencializando o que eu apontei como um pecadilho.

Essa discussão sobre os métodos da PF não é de certa forma maniqueísta? Com pobre pode isso, com rico não pode...
Não, não, não. O tratamento tem que ser igualitário, porque vivemos em uma República, uma democracia. Eu, por exemplo, sou contra a prerrogativa de foro. E tenho votado nesse sentido. É o que eu digo: nós não podemos excomungar a Polícia Federal, no papel que ela tem em prol da sociedade, só porque tivemos alguns extravasamentos. Eles têm que ser corrigidos, evitados, mas sem prejuízo da atividade da Polícia Federal.



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