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Sábado, 12 de julho de 2008, 08h01 Atualizada às 09h48

"Se aparecer boa proposta, saio", diz André Santos

Luciano Borges/Terra Magazine
O lataeral-esquerdo André Santos diz que ganhou confiança jogando no Corintihians. Meu futebol deslanchou.
O lataeral-esquerdo André Santos diz que "ganhou confiança" jogando no Corintihians. "Meu futebol deslanchou".

Luciano Borges
De São Paulo

O Corinthians está fazendo uma "poupança de pontos" na Série B do Campeonato Brasileiro. A imagem é do lateral-esquerdo André Santos, de 25 anos, que já marcou 11 gols em menos de seis meses de clube.

Ele conta, em entrevista a Terra Magazine, que o projeto do time é acumular o maior número de vitórias possíveis no primeiro turno. Só assim, poderá administrar a vantagem na segunda parte do torneio, quando os adversários deverão estar - na análise dos corintianos - mais competitivos.

Veja também:
» Veja a entrevista com o lateral-esquerdo André Santos

O time paulista está cumprindo a meta. Em dez rodadas, o Corinthians já soma 26 pontos, seis a mais do que o Barueri, vice-líder da competição. O desempenho ofensivo é o melhor do torneio: 25 gols. A defesa é a menos vazada ao lado do Juventude: sete gols.

André contribuiu com estas duas marcas. Ele é elemento chave da equipe no ataque e, dentro das exigências do técnico Mano Menezes, fecha o lado esquerdo da defesa. Depois de passar por Flamengo, Atlético Mineiro e Figueirense, ele garante estar jogando onde sempre quis. "Era um dos meus sonhos", afirmou na conversa da última quinta-feira no estádio Fazendinha, que fica no Parque São Jorge.

Na noite anterior, ele tinha feito um dos gols da goleada sobre o Marília por 5 a 0. André ouviu o nome gritado pela torcida e, depois da partida, escutou pedidos para que não deixe o clube. A diretoria do Corinthians vê no lateral uma das possíveis negociações na janela européia que fecha no final de agosto.

André está de bem com a vida. A noiva, Suelem, passa as férias do curso de Odontologia no apartamento do jogador. Ela é de Florianópolis, onde André pretende viver quando encerrar a carreira. A dupla pensa em casamento, já tem até um pingente de prata com a foto estampada. "Estou vivendo um grande momento pessoal e profissionalmente", diz.

A seguir a entrevista com o jogador que, depois de 39 partidas com a camisa 27 do Corinthians, se tornou um dos ídolos do time que pode até voltar à Série A no mês de vem.

Terra Magazine - Os jogadores têm conversado sobre possibilidade do time subir para a Série A ainda em agosto?
André Santos -
Não tem conversa nenhuma sobre isso. Até porque o campeonato fica muito mais difícil na segunda parte. No primeiro turno, os times ainda oscilam muito, mas no segundo turno eles estarão mais fortes, mais ligados, mais consistentes, jogando no tudo ou nada. Vai ser mais difícil.

O objetivo inicial da comissão técnica era a de acumular pontos e acumular "gordura" neste início de campeonato.
Essa é a idéia: tentar ganhar jogos, fazer pontos para acumular. É como fazer uma poupança de pontos para ajudar lá na frente. No segundo turno, o campeonato vai afunilando. O Corinthians pensa em somar pontos neste primeiro turno para, se preciso, facilitar a vida no returno.

O time mudou de perfil depois da Copa do Brasil?
Mudou. Hoje saem muito mais jogadas pela direita. Antes era concentrado no lado esquerdo. Hoje, a equipe está mais forte, mais compacta. Jogamos pelas duas laterais. Os meias Douglas e Elias chegam bem. Temos o Dentinho e o Herrera lá na frente. Está melhor de se jogar.

Os adversários fecharam a "avenida André Santos" no lado esquerdo?
(risos) Fecharam bastante. O Mano Menezes (técnico do Corinthians) sempre fala que nossos adversários já sabem da força do nosso lado esquerdo. Por isso vão colocar algum atacante por lá, para me segurar. Ou então vão fechar o setor com um marcador. Mas tenho encontrado espaço para jogar. Se não tivesse, não estaria dando passes e fazendo os gols. Tenho liberdade para atacar, mas tenho a responsabilidade de marcar no meu setor. Nós fazemos uma linha de quatro na defesa e a ordem é de fechar meu setor.

"Não tem torcida igual à do Corinthians. Ela apóia o tempo todo e, lógico, cobra mais também"

Você jogou em equipes populares. A torcida do Corinthians é diferente da do Flamengo ou do Atlético Mineiro?
Com certeza. Não tem torcida igual à do Corinthians. Ela apóia o tempo todo e, lógico, cobra mais também. O jogador tem que saber que vai trabalhar num clube que sempre está sob pressão. Mas eu queria jogar aqui e o Corinthians me acolheu muito bem. Estou atravessando um grande momento da carreira, me encontro na melhor forma.

Em que sentido?
Profissionalmente estou jogando melhor do que nunca. Pessoalmente estou num ótimo momento. Todo dia acordo para trabalhar e estou muito feliz.

Por que você não jogou neste nível no Flamengo e Atlético Mineiro?
Faltou seqüência lá. No Corinthians e no Figueirense tive mais seqüência de jogos, pude jogar melhor, ganhar confiança. Aqui no Corinthians meu futebol deslanchou.

A torcida do Corinthians apóia, mas também vem aqui no clube protestar durante os treinos. Já passou por algo parecido antes?
Nunca tive esta experiência antes. Mas atleta que quer jogar em time grande, tem que se acostumar com a pressão desde que sai de casa. O torcedor ficou muito triste com a perda da Copa do Brasil. A gente sabia que a pressão viria normalmente. Mas nós mostramos para eles que vamos dar o máximo sempre, o tempo todo. Este grupo faz o máximo para ganhar jogos e títulos. Ningué aqui queria perder a final da Copa do Brasil. Quantas vezes o Corinthians decidiu títulos e perdeu? O torcedor entendeu isso e apoiou a gente no jogo seguinte da final.

Você conhece as novas músicas que a torcida canta nos estádios?
Eu gosto daquela do "sou louco por ti Corinthians" (criada por um integrante da Gaviões da Fiel) e também daquela do "não pára, não pára, não pára" (que utiliza uma canção de Roberto Carlos). Tem também aquela que é tirada de uma música do Tim Maia, mas ainda não ouvi muito. Ela é boa.

"Eu tinha três sonhos: ser atleta profissional, jogar na seleção brasileira e ser atleta do Corinthians"

O corintiano chega perto e conversa com você?
Vivi um pouco disso no Flamengo, que é um clube popular até fora do país. Mas aqui é diferente. Eu sou abordado pelo porteiro, pelo frentista do posto de gasolina, no restaurante, na churrascaria. E sempre com muito carinho. Outro dia, depois da vitória sobre o Marília, eu estava saindo do Pacaembu e alguns torcedores falaram que a Gaviões (maior uniformizada corintiana) me ama, pediam para eu não sair do Corinthians. Mas sei que isto é normal, porque estamos vencendo. Se perdemos pode mudar.

Para você, jogar na Série B pelo Corinthians não diminuiu sua exposição no mercado da bola?
De maneira nenhuma. Olha, antes de vir para cá, eu tive propostas para jogar - por empréstimo - no Porto e no Sporting de Portugal. Não quis ir. Fiquei pressionando meu empresário (José Carlos Lage) para que resolvesse logo minha transferência para o Corinthians. Era meu sonho jogar com esta camisa. Eu tinha três sonhos: ser atleta profissional, jogar na seleção brasileira e ser atleta do Corinthians. Não é demérito disputar a Série B pelo Corinthians. Quero colocar nosso time na Série A, marcar meu nome com uma passagem forte por aqui.

A janela européia está aberta. Algum clube de fora mostrou interesse por você?
Meu empresário fala que tem algumas especulações. É aquela coisa: o pessoal liga e pergunta como estou, se toparia sair. Mas o Zé diz sempre para eu manter os pés no chão, me concentrar no Corinthians. É o que faço. Quero ser campeão da Série B.

Mas se você for negociado, não vai ser campeão.
É verdade, Quero ser campeão. Quero realizar o sonho de ser campeão com esta camisa. Mas sei também que se aparecer uma grande proposta e ela for considerada boa pelo clube, vou sair. Se for vontade do clube, não vai ter problema. Mas minha vontade é permanecer aqui.

"Quero ser campeão pelo Corinthians, mas sei que se parecer uma boa proposta, vou sair"

O volante Fabinho disse aqui, no Terra Magazine, que nunca tinha trabalhado com um grupo tão unido. É verdade para você também?
Concordo com ele. Quando você chaga num clube grande, espera encontrar jogadores vaidosos, estrelas mesmo. Aqui é diferente. O grupo é forte dentro e fora do campo. A gente consegue trazer para dentro dos jogos esta amizade que temos. Aqui tem hora de falar sério, hora de brincar, hora de trabalhar.

Você é brincalhão?
Sou extrovertido. Pego sempre no pé dos caras. Tenho umas vítimas mais comuns porque me relaciono mais com eles: Dentinho, Acosta, Herrera e Carlos Alberto. Alugo o Acosta pelo jeito que ele fala e porque ele é a cara do Lula Molusco (personagem do desenho animado Bob Esponja). O Herrera ganhou apelido novo: Rafael Nadal. Quando ele tinha mais cabelo, era a cara do tenista espanhol. O Dentinho virou dente de burro, de cavalo ou só dentuço.

E o Carlos Alberto?
Ah, ele é o Brucutu. Porque, às vezes, ele vai chutar a bola e erra feio. A gente pega no pé dizendo que ele só sabe correr e não pensa. Mas isso é só em treinos, claro.

"Alugo o Acosta pelo jeito que ele fala e porque ele é a cara do Lula Molusco"

Para você, tem lateral-esquerdo melhor do que o André Santos jogando no Brasil ou no exterior?
(pausa para pensar) Não posso falar isso... Eu sou... mas existem excelentes jogadores da posição atuando no Brasil e lá fora. O Kleber (Santos) joga muito. O Juan (Flamengo) está fazendo uma ótima temporada. O Júnior César (Fluminense) també está realizando uma campanha execelente. O Gilberto, da seleção, é muito bom. Queria falar que sou o melhor, mas não posso...Tenho que buscar uma sequência, jogando bem, para chegar à seleção um dia.

Quem foi o melhor lateral-esquerdo que você viu jogar?
Antes, no Flamengo, eu gostava muito do Athirson. Ele tem um estilo de jogo fino, elegante, extremamente técnico. É o cara que eu vi jogar que mais chamou a atenção. Ele joga muito.

E o melhor jogador em outra posição?
Para mim é o Ronaldo. Ele joga muito. O Robinho também é talentoso. O Kaká joga muita bola. Eles são caras que eu vi jogar.


Luciano Borges é editor-chefe do Bandsports e autor do Blog do Boleiro.


Fale com Luciano Borges: borges.luciano@terra.com.br

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