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Terça, 15 de julho de 2008, 09h10 Atualizada às 11h45

Dantas ressuscita ACM para atacar ministro do STJ

STF/Divulgação
O ex-ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça, atacado por Daniel Dantas em conversa interceptada pela Polícia Federal com autorização ...
O ex-ministro Edson Vidigal, do Superior Tribunal de Justiça, atacado por Daniel Dantas em conversa interceptada pela Polícia Federal com autorização judicial

Bob Fernandes

Os intestinos do Brasil.

Quinze de novembro de 2007. Aniversário da proclamação da República do Brasil.

Oito e cinqüenta da manhã. Em conversa de 11 minutos e 21 segundos, Daniel Dantas, a diretora jurídica Danielle Ninnio e Bernardo Rodemburg - filho de sua irmã Verônica com Carlos Rodenburg - discutem a estratégia para enfrentamentos jurídicos e societários do Grupo Opportunity no exterior.

Veja também:
» Opine aqui sobre o caso Daniel Dantas

É preciso, em função da querela jurídico-comercial, desmoralizar um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Para tanto, invocam um morto, Antônio Carlos Magalhães, para atacar um vivo, o ex-ministro Edson Vidigal e ex-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Dois anos antes, em 15 de junho de 2005, Vidigal concedeu liminar que permitiu aos fundos de pensão e ao Citibank retomarem o controle da Brasil Telecom. Esta é a batalha a ser revista na manhã de 15 de novembro.

Em transcrição de escuta autorizada judicialmente - já em poder de advogados -, recheio da Operação Satiagraha, diz Daniel Dantas:

- (...) a decisão nossa foi de quebrar a caixa de ovos toda, tá? (...) ele perguntou o que é que o SENADOR ANTONIO CARLOS MAGALHÃES disse de VIDIGAL? Disse que era ladrão... aí o cara não tá preparado pra ladrão, tá certo?

Ainda nesse rol de conversas, no mesmo dia 15.

Em diálogo anterior na mesma manhã, iniciado às 8h37 e com duração de 9 minutos e 12 segundos, Daniel e a irmã, Verônica, já haviam ressuscitado ACM para nele ir buscar a referência a Vidigal: "ladrão".

Daniel refere-se à "viadagem" - o estilo prolixo de um de seus advogados, Korologos, - e repete o que já dissera sobre Vidigal num depoimento:

- Verônica: E aí? Você deu nomes? Falou de VIDIGAL? Falou de tudo?

- Daniel: Eu não amarelo nada... Falei de tudo... que ANTONIO CARLOS... Ah! O que o Senador disse? Que era ladrão. Qual é o termo exato (em inglês)? Ladrão (em inglês). Não é o normal, e eu sustentei... ladrão, aí o cara... né?

- Verônica: O cara tomou um susto...

Leia aqui a íntegra do telefonema.



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