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Quarta, 16 de julho de 2008, 07h47 Atualizada às 09h24

Pequim bane migrantes, camisetas e sabe Mao o quê

Felipe Corazza Barreto
De Pequim

As sensações: Se você não fizer patriotada, está contra a nação. Se você não tiver uma bandeira do país no carro, está por fora. Se não apoiar o grande evento internacional no qual o país está envolvido, é um traidor. As semelhanças com o procedimento de certos "demônios ocidentais" são demais para se ignorar aqui na China.

As Olimpíadas são para o mundo inteiro. Claro, mas estrangeiros não podem comprar ingressos se não estiverem na China há mais de 6 meses. As Olimpíadas são a união do país? Claro, mas quaisquer camisetas ou faixas "inadequadas" serão punidas "de acordo com a lei".

Todos envolvidos na construção da grande China, certo? Certo. Mas...

Os trabalhadores migrantes - que ganham miséria para trabalhar em obras fundamentais em Pequim - serão todos mandados de volta para suas cidades durante os Jogos.

Os mendigos e "trabalhadoras de pequenos salões de cabeleireiras" (leia-se "as putas") serão enviados de volta para suas cidades e/ou impedidos de trabalhar.

Os cidadãos chineses de fora de Pequim são aconselhados a não dar as caras na cidade durante os Jogos. Para reforçar a coisa, carros particulares chineses só poderão entrar na capital no período com uma "autorização especial".

Isso, e muito mais, está registrado em um guia formulado pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos (BOCOG, leia-se governo chinês) para os voluntários que trabalharão no centro de atendimento telefônico.

Ah, como é bom viver em um país onde tudo vai bem...


Felipe Corazza Barreto é jornalista, mora em Beijing e ainda está tentando entender aquilo ali.

Fale com Felipe Corazza Barreto: felipecbs08@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 

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