
Atualizada às 13h50 Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine
Daniel Dantas continua a apostar no seu poder de influência e no diversionismo, ou seja, no deslocamento do foco a respeito do principal, que são os crimes a ele imputados.
Na sua estratégia, virou prioridade afastar o juiz Fausto De Sanctis e o delegado Protógenes de Queiroz. Mais ainda, reclamar no Supremo Tribunal Federal (STF) do descumprimento da decisão da ministra Ellen Gracie, que impediu a investigação criminal sobre o contido nos discos-rígidos do Opportunity-Fund, apreendidos na Operação Chacal, em 2004.
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Por meio de instrumento processual, afastar por parcialidade o delegado Protógenes não era possível.
A lei processual penal, no seu artigo 107, estabelece que "não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito".
Assim sendo, Dantas teve de usar a mão do gato.
O presidente Lula entrou como gato ao avalizar o afastamento de delegado.
Quando Lula percebeu o jogo e sentiu a desaprovação popular, voltou atrás e, na tentativa de mostrar que o seu governo não coonesta com a criminalidade organizada, mandou revelar o conteúdo da gravação da "reunião", por convocação, entre o delegado Protógenes e os seus superiores hierárquicos.
O foco, no momento, virou a ambigüidade do presidente Lula e a montagem, ou melhor, a edição desvirtuada, do real conteúdo da gravação sobre a reunião ocorrida na segunda feira passada (14 de julho) entre o delegado federal Protógenes e os seus superiores hierárquicos. Reunião para pressão hierarquica, voltada ao afastamento de Protógenes.
Enquanto a opinião pública debate sobre a edição da fita, Dantas, com Protógenes já com substitutos escalados, dá passos largos na tentativa de afastar o juiz Fausto De Sanctis do processo.
Com a argüição da suspeição já protocolada, prevista na lei processual penal, quer Dantas demonstrar ter De Sanctis, por pronunciamentos, despachos e decisões, perdido a isenção necessária para, com imparcialidade, julgar o processo.
Pano Rápido e Olho Vivo. Com o foco desviado e os nomes dos substitutos de Protógenos já anunciados, Dantas espera sucesso nas duas novas frentes, ou seja, afastar o juiz e manter a blindagem dos dados.
A reclamação por descumprimento de decisões do Supremo Tribunal é remédio previsto no seu Regimento Interno. Já foi apresentada por Dantas e não se sabe, ainda, se o ministro Gilmar, no plantão vai apreciá-la, ou encaminhar à ministra Gracie, afinal, quem pariu deverá embalar.
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