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Sábado, 19 de julho de 2008, 09h29 Atualizada às 09h38

DROPS

Roberto de Sousa Causo
De São Paulo

Publicações Recebidas: Da Mythos Editora, de São Paulo, recebemos a revista Arquivos Secretos: 30 Maiores Conspirações da História, com 34 páginas e 30 artigos escritos pelo jornalista Marcello Branco, um dos co-editores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Entre as "maiores conspirações", o acobertamento do E.T. de Varginha e do Caso Roswell, entre outras que podem interessar ao fã de FC/ufologia. A revista sai por R$ 6,90.

Da Editora Devir, também de São Paulo, recebemos o recém-lançado álbum de quadrinhos francês Predadores Volume I (Rapaces # 1), escrita por Jean Dufaux, com desenho do extraordinário artista italiano Enrico Marini, hum habitué da revista Heavy Metal. O tema é o vampirismo em Nova York, e deve interessar aos fãs de HQs de qualidade e os do horror vampírico. Em cores.

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Da editora carioca Bertrand Brasil, agora parte do Grupo Editoral Record, chegou o romance francês de Bernard Werber, As Formigas (Les fourmis), uma fábula sobre a sociedade, a cultura e a política das formigas. Sucesso internacional, foi traduzido para 15 línguas, e a edição brasileira, esmerada nas artes gráficas que valorizam a sua apresentação, tem na capa (de Igor Campos) levas de formigas vermelhas convergindo para o título - um efeito de textura dá a impressão de estarmos correndo os dedos sobre a massa de formigas. Foi traduzido por Jorge Bastos.

Recém-lançado pela paulistana Aleph, Nevasca (Snow Crash), de Neil Stephenson, também traz um efeito de textura (parece ser a moda editorial do momento), na quarta-capa. Um dos lançamentos aguardados dos últimos anos no Brasil, está numa lista dos 100 Melhores Romances da Língua Inglesa, da revista Time. O livro também está na lista de clássicos da década de 1990, do crítico inglês John Clute. A tradução é de Fábio Fernandes.

Nas Bancas: Marcello Branco está duplamente nas bancas brasileiras neste mês. Além da revista sobre as grandes teorias de conspiração, ele tem um artigo sobre Arthur C. Clarke na revista Discutindo Literatura N.º 18, da Escala Editorial (R$ 7,90).

Lançamentos: A antologia de contos Anno Domini: Manuscritos Medievais, organizada por Helena Gomes e Claudio Brites, será lançada em dois locais, este mês. Lançamento oficial em São Paulo: Data: 19 de julho. Horário: das 18h às 20h30 Local: Casa das Rosas, na Avenida Paulista, 37. Lançamento em Santos: Data: 26 de julho. Horário: a partir das 19h. Local: Livraria Realejo - Rua Marechal Deodoro, 2, Gonzaga.

Evento: A escritora Simone Sauressig avisa, a respeito do seu primeiro e-book: "No próximo dia 22 (terça-feira) , estarei na Livraria Digital do Novo Shopping de Novo Hamburgo, à a partir das 19 horas, para conversar sobre O Pitbull É Manso, Mas o Dono dele já Mordeu uns Quantos..., que já chegou ao fim e que terá sua versão integral na internet à partir desse dia". Mais informações com a autora. Contatos: Simone Saueressig. Site: http://www.porteiradafantasia.com . E-mail: contato@porteiradafantasia.com Telefone: 3593-7561.

Ainda Ficção de Polpa: O leitor Colin Brayton, um novaiorquino vivendo no Brasil, nos escreveu a respeito da resenha de Ficção de Polpa Volume 1, em : "Li com interesse sua resenha sobre ficção popular no Brasil. Não sou daqui, e uma das coisas mais surpreendentes que encontro aqui no Brasil é a falta de leitura barata, popularesca, e razoavelmente boa - bem escrita, em português bom, tocando em assuntos que vão do dia-a-dia até as fantasias e tramas de espionagem e falcatruas sinistra nas cúpulas de poder e tudo o que é enredo popularesco. Pare em qualquer rodoviária ou estação de trem nos EUA e você vai ter disponíveis dezenas de títulos baratos, em edições descartáveis, de dezenas de autores como John Grisham ou Elmore Leonard, e muitos outros muito menos conhecidos, lançados por dezenas de editoras, grandes e pequenas, para ler durante a viagem. O que a minha mãe chama de 'chiclete pros miolos'. Isso é sim um sinal de uma cultura de ampla alfabetização. Aqui, reclama-se que ninguém sabe ler, então, para que produzir mais livros?

Mas o fato é que não há nada para ler aqui. O Brasil ainda procura sua série Penguin (LP&M é uma tentativa valente, mais não consegue amplia sua oferta). Cadê a fonte eterna de polpa brasileira? Aqui você tem, o quê? Garcia-Roza. Eu adoro Garcia-Roza a seu delegado Espinosa, mais o país está precisando de uma centena de Garcias-Roza, e um mercado desenvolvido que os apóie. Então, viva a ficção-polpa brasileira! Se eu tivesse umas bilhões para jogar na mesa, eu montava uma editora só para descobrir novos talentos nessa área. Só porque gosto de vocês brasileiros e gostaria ver vocês desenvolver mais a cultura própria. Porque, falando agora como pedagogo, a 'polpa' é o esterco da literatura 'de qualidade'. Quem começa lendo romances baratos de crime acaba lendo Crime e Castigo de Dostoyevsky".

Sem dúvida, o Brasil está devendo muito e há muito tempo, em termos de uma literatura popular com cara própria. Eu apenas discordo da opinião de que a literatura popular seria apenas um meio de fomentar o acesso à alta literatura. Sem dúvida, o melhor da FC, da fantasia, do horror, da ficção de detetive, da ficção militar e outras formas, possui qualidades próprias.

Cesar Silva, o outro editor do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica, também nos escreveu a respeito de nossa resenha de Ficção de Polpa Volume 1: "Em alguns de seus artigos no Terra Magazine, você afirmou que os livros Ficção de Polpa volumes 1 e 2 configurariam a primeira série de antologias originais da ficção especulativa brasileira, mas gostaria de lembrar que desde 2005 a editora Alaúde vem publicando uma série antologias com histórias inéditas de horror escritas por autores brasileiros, chamada Necrópole. Em 2005 foi de vampiros, em 2006 de fantasmas e agora, em 2008, um novo volume com histórias de bruxaria. Por ser de horror, Necrópole não configuraria uma série de ficção especulativa? Lembro também da série Sete Faces da editora Moderna que, de fato, não era exclusivamente ligada à ficção especulativa, mas foi até além de três volumes no gênero. De minha parte, como um classificador um tanto permissivo, tendo a pensar nestas duas séries como pioneiras nesse mesmo caráter da Ficção de Polpa".

Como há um tema específico para cada antologia Necrópole, ela me parece mais uma série de antologias temáticas - a primeira série desse tipo da ficção especulativa nacional, ainda que outras antologias temáticas tenham aparecido antes. O caso da série Sete Faces pode ser um candidato melhor, a rivalizar com Ficção de Polpa nesse sentido de ter sido a primeira - salvo, talvez, pelo fato de incluir outras formas, não especulativas, de ficção de gênero, como histórias de amor e de aventura.

Escritor e crítico, Roberto de Sousa Causo é autor do romance A Corrida do Rinoceronte.

Fale com Roberto Causo: roberto.causo@terra.com.br

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

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Reprodução
Imagem do livro Nevasca (Snow Crash), de Neil Stephenson, recém-lançado pela editora Aleph

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