
Atualizada às 21h11 Claudio Leal
O tricolor baiano enfrentará nova turbulência extra-campo. Por solicitação do Ministério Público, o ex-presidente do Esporte Clube Bahia Paulo Maracajá teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela juíza da 10ª Vara Cível, Maria de Lourdes Araújo.
Um inquérito civil investiga se o ex-dirigente desenvolve "atividade clandestina" no clube. Situação legalmente proibida: ele também ocupa a cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Ex-deputado estadual e afilhado político do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, Maracajá é apontado como "eminência parda" do atual presidente tricolor, Petrônio Barradas.
Com a quebra dos sigilos, o procurador-geral de Justiça Adjunto para Assuntos Jurídicos do MP, Carlos Frederico Brito dos Santos, vai aprofundar as investigações sobre as interferências de um funcionário público numa instituição privada - "co-gestão", no jargão jurídico. Noutras palavras, conselheiro com poder decisório.
O MP acolheu denúncia de opositores da atual gestão do Bahia: o jornalista Nestor Mendes Jr., o arquiteto Ivan Carvalho, o corretor de seguros Jorge Maia e o publicitário Fernando Passos.
Entre as acusações, algumas pitorescas. Segundo nota do MP, Jorge Maia afirma que Maracajá negocia contratações de jogadores e "costuma utilizar o seu cartão de crédito para pagar despesas do Bahia". De acordo com o opositor, o ex-presidente freqüenta o "Fazendão" (campo do clube) pela manhã e o TCM à tarde. Dupla jornada de trabalho.
Em entrevista a Terra Magazine, Paulo Macarajá se diz tranqüilo com a quebra dos sigilos e denuncia a existência de uma "oposição radical":
- Eu avalio da seguinte maneira: aqui tem uma oposição radical, radical, na Bahia. Alguns setores da oposição me fazem oposição radical. Eles fizeram uma denúncia ao Ministério Público dizendo que eu exerço cargo no Bahia. Mas eu não exerço cargo nenhum, sou apenas um conselheiro. Sei que o Bahia está numa situação difícil e ajudo o Bahia da maneira que eu posso. E aí esse pessoal me denunciou ao Ministério Público. Contra um deles eu já entrei com duas queixas-crime. Uma na terceira vara crime e outra na quarta. São pessoas que não gostam de mim.
Maracajá é campeão brasileiro de 1988. Admite a influência na administração, mas nega ter efetuado pagamento de despesas no clube, atualmente na Série B do Brasileiro.
- O Ministério Público, para dirimir dúvidas, mandou quebrar meu sigilo bancário e fiscal, o que eu encaro naturalmente. Vai demonstrar que não tem nada demais - diz o ex-presidente. Quem está dizendo isso são os caras que me denunciaram. São os denunciantes. Não existe isso.
O cartola baiano sofre ainda a acusação de representar o time no "Clube dos Treze", apesar de desempenhar cargo público no TCM. O advogado do conselheiro do tricolor baiano, Celso Castro, afirma que não tem ainda em mãos o processo, e aponta estranhezas.
- Não estou entendendo porque se quer o sigilo bancário, já que se trata de um clube particular, não tem nada de verbas públicas. Não há acusação de ter recebido dinheiro do Bahia. Há a denúncia de interferência. Ele foi presidente, deu um título de campeão brasileiro, é natural que participe como torcedor. Esse fato não caracteriza ingerência indevida. "Co-gestão" é uma figura esquisita. Claro que um ex-presidente tem sempre um peso - pondera o advogado.
Terra Magazine