Terra Magazine

 

Quarta, 20 de agosto de 2008, 14h18 Atualizada às 14h17

Deputado admite que CPI pode beneficar Dantas

Wilson Dias/Agência Brasil
O presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) cumprimenta o banqueiro Daniel Dantas. Para Gustavo Fruet (PSDB-PR), uma acareação entre ...
O presidente da CPI dos Grampos, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) cumprimenta o banqueiro Daniel Dantas. Para Gustavo Fruet (PSDB-PR), uma acareação entre Daniel Dantas e Protógenes Queiróz colocará "o investigado no mesmo nível do investigador".

Diego Salmen

Impulsionados pelo depoimento do banqueiro Daniel Dantas, os parlamentares da CPI das Escutas Telefônicas questionarão, nesta quarta-feira, 19, o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, sobre as relações da agência com a Polícia Federal.

Na última quarta-feira, 12, Dantas acusou o dirigente da Abin de ter "encomendado" a Operação Satiagraha - na qual o banqueiro foi preso, dia 8 de julho, por lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro.

Veja também:
» Opine aqui sobre a Operação Satiagraha da Polícia Federal
» Lacerda vai à CPI desfazer articulações de Dantas

A acusação foi feita em depoimento à CPI dos Grampos; na ocasião, Dantas estava munido de um habeas corpus concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que permitia a ele permanecer em silêncio e não se comprometer a falar a verdade durante o interrogatório.

Ouvido por Terra Magazine, o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) admite existir "um risco" de que a convocação de investigadores, como Lacerda e o delegado Protógenes Queiróz, tire o foco da CPI e enfraqueça a investigação sobre Daniel Dantas - o investigado.

- Mas não há como investigar a escuta e não saber o que motivou o pedido de escuta - afirma Fruet.

Ainda na terça-feira, 18, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) entrou com requerimento para realizar uma acareação entre Daniel Dantas e o delegado Protógenes, responsável pela Satiagraha. A proposta será avaliada pelos demais integrantes da comissão.

O pedido foi feito com base em outra acusação de Dantas. Segundo o banqueiro, Protógenes teria dito que investigaria até "o filho do presidente" Lula durante os trabalhos da Satiagraha.

"Gênio do mal"

Para o relator da comissão, Nelson Pellegrino (PT-BA), uma nova convocação de Protógenes à CPI pode dispensar a necessidade de uma acareação com o dono do Grupo Opportunity.

- A fala de Protógenes pode inclusive encerrar esse episódio, até porque esse não é o foco da CPI - diz Pellegrino.

Argumenta Raul Jungmann, autor do requerimento:

- Se o Daniel Dantas é o gênio do mal propalado por aí, ele tem que ser condenado. Agora, não dá para desconhecer os desvios que são atribuídos ao delegado. Esta acareação interessa sobretudo ao Protógenes.

Fruet, por outro lado, revela ser favorável à convocação de Protógenes, mas tem "restrições" à acareação com Daniel Dantas por questões "técnicas". Na avaliação do parlamentar, a iniciativa coloca o investigado no mesmo nível do investigador.

- Dantas não depõe como testemunha e tem habeas corpus. Ele não tem compromisso com a verdade. Corre-se o risco de termos de um lado alguém sem compromisso com a verdade, e de outro alguém que tem que falar toda a verdade.

Ele defende que a CPI aprofunde seus trabalhos, confrontando os depoimentos da Daniel Dantas com as informações contidas nos inquéritos das operações Chacal e Satiagraha.

 

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol