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Quarta, 20 de agosto de 2008, 13h45 Atualizada às 16h13

Lacerda vai à CPI desfazer articulações de Dantas

Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, depõe nesta quarta-feira na CPI dos Grampos com o objetivo de desmontar as articulações do banqueiro Daniel ...
O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, depõe nesta quarta-feira na CPI dos Grampos com o objetivo de desmontar as articulações do banqueiro Daniel Dantas e defender-se das acusações da mídia

Raphael Prado

A mais recente cartada do banqueiro Daniel Dantas foi tentar envolver o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, em seu depoimento na CPI dos Grampos. Disse o banqueiro que a Operação Satiagraha seria uma "retaliação" à acusação instrumentada pelo próprio Dantas, há dois anos, de que o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e Paulo Larceda, à época na direção da Polícia Federal, estavam envolvidos numa fantasiosa rede de contas secretas no exterior. A tese foi investigada pela revista Veja, que não a assumiu como verdadeira.

Terra Magazine apurou que a defesa de Lacerda não se baseará nas acusações de Daniel Dantas - o que fortaleceria a idéia do banqueiro de que a briga é pessoal. O foco será outro.

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A disposição do chefe da Abin em depor na CPI dos Grampos vem de antes do depoimento do banqueiro preso no último dia 8 de julho pela PF. Quer esclarecer denúncias que surgiram na imprensa de que a Abin seria a responsável por um grampo no Supremo Tribunal Federal (STF), que, segundo varredura do próprio órgão, jamais existiu.

Paulo Lacerda é conhecido entre seus colegas como um sujeito sereno e tranqüilo. Dele mesmo partiu a iniciativa de comparecer à CPI dos Grampos; dele virá a reclamação de que a cobertura da imprensa para determinados casos beira o "limite do absurdo".

Daniel Dantas tem manobrado para passar de acusado a acusador. Essa reação, dizem até, demonstra a eficiência da Operação Satiagraha. O banqueiro é acusado, entre outros crimes, de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal.

A outra estratégia do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, ao falar para deputados na tarde desta quarta-feira, 20, consistirá na defesa de sua agência. Entende a cúpula do órgão que a Abin é uma espécie de Geni, mas sem a simpatia dada por Chico Buarque à sua personagem.

Alvo de pedradas, a Abin recebe o mesmo tratamento da imprensa brasileira e de parte da sociedade, avaliam servidores. Já Lacerda entende que um país como o Brasil, que pretende ter mais expressão na esfera mundial, com novas reservas de petróleo descobertas em território brasileiro, precisa de um setor de inteligência cada vez mais forte e respeitado.

Conta a favor de Lacerda nesse argumento o decreto número 6.540, publicado nesta mesmíssima quarta-feira 20, no Diário Oficial da União. Leva a assinatura do presidente Lula, do ministro da Defesa, Nelson Jobim, do da Justiça, Tarso Genro, do chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Felix, e do secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães Neto.

O decreto dispõe sobre a organização e o funcionamento do Sistema Brasileiro de Inteligência. Determina: "A Abin poderá manter, em caráter permanente, representantes dos órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência no Departamento de Integração do Sistema Brasileiro de Inteligência".

O Departamento em questão integra todos os setores da inteligência brasileira, como órgãos da Polícia Federal, do ministério da Defesa e do Estado-Maior. Funciona em esquema de plantão, ininterruptamente, para qualquer eventualidade.

O presidente Lula, através desse decreto, coloca um ponto final na tese de Daniel Dantas de que a participação da Abin na Satiagraha foi ilegal ou clandestina. Claramente, o decreto garante que a agência é parte do órgão que agrega todos os setores de inteligência brasileiros.

Lacerda vai até a CPI com uma idéia na cabeça: botar as coisas nos eixos e mostrar quem é acusado e quem é acusador.



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