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Quinta, 21 de agosto de 2008, 08h54 Atualizada às 09h49

Antonio Candido: "Estou fora do tempo"

Claudio Leal/Terra Magazine
O crítico Antonio Candido recebe os cumprimentos do amigo Boris Schnaiderman após a entrega do Troféu Juca Pato
O crítico Antonio Candido recebe os cumprimentos do amigo Boris Schnaiderman após a entrega do Troféu Juca Pato

Claudio Leal

O crítico literário Antonio Candido de Mello e Souza, 90 anos, recebeu ontem à noite o prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano de 2007, conferido pela União Brasileira de Escritores (UBE). Na entrega do troféu, no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, o crítico repassou sua trajetória intelectual e política. Afirmou-se fiel à "tradição do humanismo ocidental definida a partir do século XVIII".

­- O que importa não é que os alvos ideais sejam ou não atingíveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial é que nos disponhamos a agir como se pudéssemos alcançá-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que há de pior em nós e em nossa sociedade.

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Compareceram à homenagem o presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães (Juca Pato 2006), a escritora Lygia Fagundes Telles, o bibliófilo José Mindlin, o tradutor e ensaísta Boris Schnaiderman, os professores Jerusa Pires Ferreira, Davi Arrigucci Jr. e Fábio Konder Comparato, entre outros intelectuais e amigos.

Em 2007, Candido relançou "Um Funcionário da Monarquia - Ensaio Sobre o Segundo Escalão" (ed. Ouro sobre Azul), uma biografia de Antônio Nicolau Tolentino (1810-1888), conselheiro do Tesouro no Império.

O Juca Pato foi criado em 1963. A UBE escolheu Antonio Candido por ele ser "uma das inteligências mais completas e influentes da cultura brasileira contemporânea". No discurso proferido na Faculdade de Direito, o crítico relembrou a militância no Estado Novo, sem desfazer-se das convicções socialistas.

- Afinado com as tendências radicais do momento, assumi então posições socialistas que não abandonei mais e continuam a nortear as minhas convicções relativas à necessidade de transformar profundamente a nossa sociedade desigual e mutiladora.

Nos últimos anos, o autor de "Formação da Literatura Brasileira" se tornou mais recluso. Resolveu se dar um presente ao completar 90 anos, no último 24 de julho, como revela a Terra Magazine:

- Não dou mais entrevistas, nem leio obras novas. Estou fora do tempo...

Para ler a íntegra do discurso de Antonio Candido, batido à máquina de escrever, clique aqui. Uma peça coerente com antigos princípios.

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