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Quarta, 27 de agosto de 2008, 13h51 Atualizada às 14h05

RR: índios não querem segregação, diz governador

Roosewelt Pinheiro/ABr/Agência Brasil
O governador de Roraima, José de Anchieta Jr. (PSDB), diz que os arrozeiros estão na área da Raposa/Serra do Sol bem antes da demarcação da reserva
O governador de Roraima, José de Anchieta Jr. (PSDB), diz que os arrozeiros estão na área da Raposa/Serra do Sol "bem antes" da demarcação da reserva

Diego Salmen

O governador de Roraima, José de Anchieta Jr. (PSDB), acredita que mais de 70% dos índios da reserva Raposa/Serra do Sol são contrários à demarcação em terra contínua.

- A gente tem a expectativa de que 70% a 80% dos índios não apóiam essa demarcação contínua. São índios aculturados, que já vivem num mundo diferente - afirma.

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O Supremo Tribunal Federal iniciou nesta quarta-feira o julgamento que decidirá o futuro da Raposa/Serra do Sol, homologada pelo presidente Lula em 2005. No total, a reserva destina 1,7 milhão de hectares do Estado de Roraima aos povos indígenas.

Os arrozeiros presentes na região, liderados pelo prefeito de Pacaraima, Paulo César Quartiero (DEM), são contrários à demarcação em terra contínua - o que os obrigaria a se retirar da área.

Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, o governador Anchieta Jr. se diz "otimista" com o resultado do julgamento, e reconhece que uma decisão contrária à demarcação em terras contínuas pode causar uma reação imediata dos indígenas. Mas ressalva:

- Isso é o momento do fervor da decisão. Depois tudo se acalma, e nós temos a obrigaçãode unir os índios para a manutenção da paz e da ordem no Estado - afirma.

Leia abaixo a entrevista com o governador de Roraima, José de Anchieta Jr.:

Terra Magazine - O que esperar do julgamento pelo STF?
José de Anchieta Jr. -
Eu acredito na Suprema Corte, que vai ter pela primeira vez a oportunidade de se manifestar sobre a demarcação de terras indígenas e criar parâmetros para que, daqui para frente, o governo federal tenha um balizamento nessas demarcações. Eu aguardo com otimismo, porque essa definição não é só de Roraima, é para o Brasil também. Eu acredito no bom senso e na coerência da mais alta corte.

Se o STF tiver um julgamento contrário à homologação, isso não pode criar uma reação mais acalorada dos índios?
Pode ser que ocorra, mas isso é o momento do fervor da decisão. Depois tudo se acalma, e nós temos a obrigação, tanto o governo estadual como o federal, de unir os índios para a manutenção da paz e da ordem no Estado.

Os índios dizem que os rizicultores que estão na região são invasores, e que só chegaram à área depois da demarcação. Eles têm razão nesse ponto?
Não, não. Eles estão lá há bem antes da demarcação. E a questão não é só dos arrozeiros que estão ali, é bem mais complexa: são famílias, índios que não concordam com isso, a questão da soberania nacional. Não é simplesmente a questão dos arrozeiros.

O senhor não acha que uma decisão contrária à homologação pode abrir precedente para que outras terras indígenas sejam questionadas, e que isso aumente a gravidade dessas disputas?
Isso depende muito da decisão do Supremo. Ele pode acatar o que já passou, e criar parâmetro daqui para frente e, mesmo que haja necessidade de revisão de outras demarcações, não se justifica você não mudar com medo de (criar) algum mal-estar. O importante é que se tenha a oportunidade de rever e corrigir, isso é o que interessa.

Já foi debatida no Congresso uma proposta de plebiscito para resolver essa questão. O que o senhor acha dessa idéia? Quem está distante do cotidiano de Roraima fica sem saber quantos índios de fato apóiam a demarcação contínua...
A gente tem a expectativa de que 70% a 80% dos índios não apóiam essa demarcação contínua. São índios aculturados, que já vivem num mundo diferente. Eles querem estudar, ter celular, bicicleta, querem faculdade, internet com banda larga. Eles não querem mais essa segregação.

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