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Terça, 9 de setembro de 2008, 17h09 Atualizada às 18h49

Paulo Lacerda: "Não compactuei com grampos"

Antônio Cruz/Agência Brasil
Paulo Lacerda e Jorge Félix participam da reunião na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência, no Congresso Nacional
Paulo Lacerda e Jorge Félix participam da reunião na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência, no Congresso Nacional

Claudio Leal

Na Comissão Mista de Controle de Órgãos de Inteligência, no Congresso Nacional, o diretor-geral afastado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, voltou a negar a prática de escutas ilegais por agentes da instituição.

- Não comandei, não participei, não compactuei, nem tomei conhecimento de qualquer ilegalidade no procedimento da Abin - enfatizou Lacerda.

A comissão convocou ainda o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Félix, e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa. A Abin e a Polícia Federal são acusadas de ter realizado escutas ilegais contra ministros e congressistas.

Nesta tarde de terça-feira, o general Félix declarou que o ex-agente Francisco Ambrósio do Nascimento - apontado como autor do grampo contra o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes - nunca integrou os quadros da Abin.

- Ele era da sub-secretaria de inteligência, está há mais de dez anos afastado, não existia a Abin.

Durante a audiência, Paulo Lacerda foi cortado por senadores e não pôde terminar seu pronunciamento escrito. Preside a mesa o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que apareceu no relatório da Satiagraha como interlocutor e defensor dos interesses do banqueiro Daniel Dantas, preso pela operação da PF, em 8 de julho. Fortes nega ser amigo pessoal de Dantas.

Na bancada parlamentar, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) listou dúvidas sobre os equipamentos de varredura da Abin. Flexa Ribeiro também já foi preso pela PF, numa operação que combateu fraudes na licitação pública do porto de Santana, no Amapá, em 2005.

Num apelo peripatético, o senador Heráclito Fortes ameaçou sair da mesa para catar congressistas (certamente no corredor) e completar o quórum.

Antes de ser interrompido pelos parlamentares, Lacerda avaliou: a experiência da ditadura militar fez com que o Brasil tivessse "intolerância com atividades de inteligência". Para ele, os servidores da Abin "estão sendo execrados diariamente, sem que exista qualquer prova nos crimes noticiados. Não existe provas de participação da Abin em grampos ilegais".

O deputado e ex-delegado da Polícia Civil, Laerte Bessa (PMDB-DF), afirmou que, "com conhecimento de causa", sabe que os aparelhos da Abin não fazem escutas.

Mas, até as 16h53, a estrela da comissão foi o senador Arthur Virgilio (PSDB-AM). Num tom de pele avermelhado, Virgilio perguntou a Paulo Lacerda se o ministro da Defesa, Nelson Jobim, mentiu ao dizer que a Abin possui equipamento de escutas. Lacerda pediu ao senador para fazer a pergunta a Jobim.

Levemente exaltado, o político amazonense gritou que não era um "preso", nem estava "pendurado" num pau-de-arara. Pela imagem da TV Senado, percebia-se claramente que Virgilio estava numa cadeira do Congresso.

Depois das declarações iniciais, fechou-se as portas para sessão secreta.

 

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