Roberto de Sousa Causo
De São Paulo

Taikodom
Taikodom é um massive social game - um RPG jogado pela Internet - inteiramente criado no Brasil, pelos fundadores da empresa Hoplon Infotainment (http://www.hoplon.com.br), de Florianópolis, SC, fundada em 2000 e hoje com 80 funcionários. O enfoque do jogo é o da aventura espacial, e ele está prestes a ser lançado comercialmente no país. Segundo o site da Hoplon, "quando for oficialmente lançado no Brasil, ainda em 2008, Taikodom será o primeiro game no mundo a rodar em um gameframe da IBM, um servidor híbrido que combina o poder computacional do chip CELL com as capacidades transacionais do mainframe System Z". O lançamento acontece no dia 27 de outubro agora, a partir das 20h00, na Lotus (Rua Iguatemi, 236, Itaim Bibi, São Paulo, SP).
Leia também:
» Resenha: Ficção científica ufológica
» DVD: Objetos subaquáticos não-identificados
» DROPS
Alguns dias antes, a Hoplon lançou um outro produto relacionado ao game - o romance Taikodom: Despertar, de J. M. Beraldo, jovem game designer e autor carioca de um outro romance de aventura espacial, O Véu da Verdade (2005), em edição do autor. O lançamento de Despertar foi na loja FNAC da Av. Paulista, e contou com a presença de Beraldo e de um dos diretores da Hoplon, Tarqüínio Telles, além de Gerson Lodi-Ribeiro, experiente autor brasileiro de FC hard, que é o criador do universo ficcional em que Taikodom se passa. Também estiveram no lançamento Douglas Quinta Reis, Diretor Editorial da Devir, a editora que está publicando o livro, e da emergética Maria Emília da Silva, a "Mila", que, segundo entendi, é uma espécie de gerente de produção de Taikodom.
Fui o primeiro a receber o autógrafo de Beraldo, cuja cara (ele lembra o ator Selton Mello) não me era desconhecida. Ele esteve na FantastiCon 2008, com Tarqüínio e Lodi-Ribeiro (mais sobre isso em Terra Magazine, no relatório de Libby Ginway, aqui). O lançamento contou, antes da sessão de autógrafos propriamente dita, de um bate-papo entre Beraldo, Tarqüínio e Lodi-Ribeiro. O empresário falou primeiro, e arrancou sorrisos ao relatar que, em certo momento do projeto do jogo, pensou em contratar um autor de FC brasileiro para a concepção do universo ficcional, mas não sabia se poderia pagar pelos serviços de um.
Então Lodi-Ribeiro falou sobre o processo de selecionar e adequar idéias de FC hard e space opera às exigências conceituais e técnicas do jogo, e informou que Despertar se passa dentro do primeiro estágio do Taikodom. Outros romances da série - o próximo será assinado pelo próprio Lodi-Ribeiro - serão ambientados em outros estágios.
Beraldo contou que o aspecto que lhe parece mais interessante é o entrecruzamento de situações do romance com situações potenciais do jogo, conforme ele for sendo desenvolvido pelos seus criadores, e conforme o desenrolar das situações jogadas pelos usuários no futuro.
O romance tem 319 páginas e capa de Ivan Jerônimo, que também esteve no lançamento e também autografou o livro.
A Coleção Taikodom, que prevê ainda uma antologia de contos (muitos deles disponíveis no site do jogo, em http://www.taikodom.com.br), é o segundo mundo partilhado da história da FC brasileira, certamente o primeiro com uma base comercial sólida, como é necessário a esse tipo de projeto. Antes dele surgiu o universo da Intempol©, criado por Octávio Aragão, e também o Projeto Slev, de Rogério Amaral Vasconcellos, que por algum tempo movimentou bastante o fandom, mas que, eu imagino, se manteve apenas numa esfera amadora.
Taikodom: Despertar não é, contudo, uma novelização - mas sim um desdobramento literário, estreitamente vinculado a um jogo. Essa prática também existe, e há vários anos, nos Estados Unidos e Inglaterra, o jogo podendo ser um role playing game ou um videogame, como o mega-sucesso Halo. Os criadores de Taikodom imaginam toda uma gama de desdobramentos - ou spin-offs - futuros para ele, criados no Brasil.