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Segunda, 27 de outubro de 2008, 14h00 Atualizada às 16h01

PT sai humilhado do 2º turno, diz Sérgio Guerra

Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, o PT sofreu uma derrota em todos aspectos nas eleições municipais em São Paulo
Para o senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, o PT sofreu uma "derrota em todos aspectos" nas eleições municipais em São Paulo

Daniel Milazzo

Do Recife, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, afirma que o PT saiu humilhado das eleições na capital paulista, onde o candidato Gilberto Kassab (DEM), afilhado político do governador tucano José Serra, derrotou a petista Marta Suplicy.

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- Foi uma derrota em todos os aspectos para o PT. (...) O PT sofreu uma humilhação em São Paulo. Eles apostavam tudo e não conseguiram nada - declara.

Sérgio Guerra considera que "o discurso petista foi vencido" nestas eleições e ressalta que o PSDB tem agora uma "chance rara de construir uma vitória em 2010".

- Os dois candidatos potenciais do PSDB à presidência da República foram vitoriosos na sua base - em referência a José Serra, governador de São Paulo, e Aécio Neves, governador de Minas Gerais.

Na capital mineira, o candidato Márcio Lacerda (PSB), que teve o apoio do governador tucano e do atual prefeito, o petista Fernando Pimentel, derrotou Leonardo Quintão (PMDB).

De olho em 2010, o presidente nacional do PSDB afirma que constrangimento provocado entre Geraldo Alckmin e Gilberto Kassab no primeiro turno das eleições na capital paulista não terá influências numa futura aliança DEM-PSDB.

Leia a íntegra da entrevista:

Terra Magazine - Gilberto Kassab (DEM) saiu vitorioso em São Paulo, e Márcio Lacerda (PSB), apoiado pelo governador Aécio Neves (PSDB), conseguiu se eleger em Belo Horizonte. Como o senhor avalia estes resultados?
Sérgio Guerra -
Foi uma derrota em todos os aspectos para o PT. Derrota eleitoral, derrota de gestão, derrota da política de preconceito da Marta. A gestão do Serra foi aprovada. O PT sofreu uma humilhação em São Paulo. Eles apostavam tudo e não conseguiram nada.

No caso de Belo Horizonte, confirma-se o papel decisivo do governador Aécio. Os dois candidatos potenciais do PSDB à presidência da República foram vitoriosos na sua base. Enquanto o PT, que é nosso adversário, saiu perdendo, principalmente no segundo turno. Perdeu em Porto Alegre, saiu fora da prefeitura de Belo Horizonte, perdeu em Salvador, perdeu humilhantemente em São Paulo. Ele ficou reduzido a duas eleições do primeiro turno, que já eram do PT: Recife e Fortaleza.

O que isso muda para o panorama de 2010? O presidente acordou de cabeça quente nesta segunda-feira?
Ele já está de cabeça quente há vários dias. Primeiro porque o PT ficou muito isolado nessa campanha. Segundo porque perdeu feio, inclusive rebaixando o nível da campanha. Não foi só nas urnas que ele perdeu, mas também na forma como fez campanha.

Lula não se mostrou um bom cabo eleitoral?
Aquela assombração do Lula se desfez, a idéia de que podia eleger candidatos aonde fosse foi abaixo. E ficou clara uma racionalidade do eleitorado, que votou, aprovou, reelegeu prefeitos aprovados e discutiu problemas reais. O discurso petista foi vencido.

Quão determinante foi o apoio de José Serra para a eleição de Gilberto Kassab?
A administração de Kassab foi aprovada e se apresentou como continuação da administração José Serra. É uma vitória muito grande do prefeito Kassab e do governador. E da oposição.

Como os resultados destas eleições interferem na escolha do PSDB por um candidato à presidência em 2010?
Nós trabalhamos para que o partido resolva qual será seu candidato e que essa discussão se dê com total racionalidade e equilíbrio. Uma outra lição dessa campanha é que a população não gosta de ficar presa a questões pessoais. Ela não ligou para isso. A população quer saber de propostas reais. Nós do PSDB temos uma chance rara agora de construirmos uma vitória em 2010.

O constrangimento gerado por Geraldo Alckmin em São Paulo influencia a aliança DEM-PSDB para 2010?
De maneira nenhuma. Durante todo o primeiro turno nós deixamos claro que não podíamos e não devíamos comprometer o segundo turno. E no segundo turno todos se juntaram, especialmente o Geraldo, que é uma liderança que teve um quarto dos votos em São Paulo.

 

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