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Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil
"Esqueça o automóvel" - Em sua coluna de estréia, o urbanista Jaime Lerner coloca o transporte público como prioridade para o desenvolvimento das cidades
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Jaime Lerner
De Curitiba (PR)
Parabéns, você foi eleito; Comece já a pensar no que vai fazer.
Para fazer, você tem que conhecer a cidade. Ok! Você percorreu os inúmeros bairros durante a eleição, conhece todas as lideranças e os problemas dos seus eleitores. Mas, isso não quer dizer que você domina e sabe para onde a cidade vai.
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Vai ter que ter uma visão do desenho da mesma, da estrutura de crescimento, pois aí que vai se consolidar a tua prioridade; é nesse desenho de vida e trabalho juntos que você vai ancorar o cenário, que você vai propor aos teus habitantes.
A tua proposta de mobilidade, o sistema de transporte de massa, moradia, trabalho, lazer, tudo junto e integrado.
Vai aqui uma sugestão. Comece desenhando a tua cidade.
Lembre-se que o transporte público exerce vários papéis a mais do que só transportar pessoas. Ele também é indutor do crescimento da cidade e ao mesmo tempo é fundamental para estabelecer uma relação entre o passageiro e o seu itinerário. Mas, também cada passageiro dentro do ônibus é o retrato 3x4 da carteira de identidade da gente da cidade.
Esqueça o automóvel. Estacionamento não é problema para uma cidade, porque a solução está no transporte público.
Enquanto isso vá pensando como revitalizar o centro, e outros setores que estão decadentes na cidade.
Pense numa nova periferia, repensá-la como parte viva de uma cidade, e não como área marginalizada que receba doses homeopáticas de infra-estrutura e equipamentos sociais.
Lembre-se que uma cidade, onde o jovem e a criança não têm espaço para a criatividade, perde muito.
E a criança não existe, somente a partir da escola, mas, a partir do momento em que nasce.
Não aceite a manipulação da tragédia. Fuja das siglas; não corra só atrás das necessidades, porque aí, você não mudará nada.
Mas, não se fixe só nas potencialidades, porque aí, você irá se afastar das pessoas.
É o balanço diário das duas necessidades e potencialidades que é o fundamental.
A cidade não é tão complexa quanto os vendedores de complexidades querem nos fazer acreditar. País subdesenvolvido é o que compra como última novidade o obsoleto.
Fuja do superdimensionamento; dimensionar obras para a máxima tragédia quando melhor é preparar a cidade para a tragédia do cotidiano. E, por favor, comece! Inovar é começar.
Boa sorte na sua gestão!
Fale com Jaime Lerner: jaime_lerner@terra.com.br