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Segunda, 17 de novembro de 2008, 08h01

Nada de novo nas novidades

Márcio Alemão
De São Paulo

São várias séries novas e várias estréias de novas temporadas das velhas séries.

Assisti a algumas.

The Eleventh Hour, na Warner, vai na linha de C.S.I.. Dr. Hood, um gênio biofísico, tenta desvendar estranhas mortes. E aí, é fácil imaginar, entra em cena um verdadeiro ramalhete de informações da chamada "cultura inútil". Coisas como: "a dádelas purpúrea que é muito comum nos pântanos de New Orleans pode causar infarte; assim como o veneno do sapo magistrales coaxacus pode provocar alucinações; mas o sapo magistrales só existe nos pântanos do norte." Inventei os nomes, mas foi por aí que a coisa caminhou. O produtor é o mesmo de C.S.I., o famosão Jerry Bruckheimer.

O lado bacana dessas séries é que devem estar dando uma oportunidade extra a, por exemplo, biofísicos, faturarem uma grana a mais. E esse é um aspecto interessante para pensarmos: House é um série espetacular, a melhor, mas não existe sem um especialista. Idem C.S.I. Idem N.C.I.S. E, por que não, Supernatural também depende dos especialistas em mistérios do além. Creia que eles existem.

Foto: Divulgação


Atores de Pushing Daisies, série que pelo menos tem uma direção de arte original, segundo Alemão

De volta ao Dr. Hood, o roteiro vai seguindo a fórmula clássica e tentando nos conduzir para o Joe. Tudo indica que foi o Joe. É claro que temos uma virada e mudamos de direção. E por aí vai. O que não engoli e jamais engulo é o final mágico de inesperadas revelações. Sabe o entrevado sábio chinês de 150 anos que ficava ali no chão pedindo esmolas durante todo o filme? Na verdade era um senegalês de 22 anos, 2 metros de altura e 200 quilos de músculos, totalmente ignorante, ziliardário e sedento de vingança porque seu cachorro pequinês havia sido atropelado por um caminhão do exército americano. Por isso ele saiu matando todo mundo que tinha carteira de habilitação.

O final do episódio caminhou nesses trilhos. Era tudo culpa de um garotinho tímido, oprimido pela mãe que passava os dias a levar pancadas dos mais "espertos". Matou todos eles e revelou-se um pequeno demônio, astuto, um "psicopatinha".

90210, um quase remake de Berverly Hills não chega a trazer novidades. Uma The O.C. com mais personagens. Na verdade, um dramalhão juvenil. Pobres crianças milionárias à procura de um sentido para a vida.

Flashing é mais uma venda de uma instituição governamental. Dizem ser uma polícia especial de Toronto. Eles têm problemas com a família; brigam e discutem entre si, mas se amam; eles freqüentam um mesmo bar; eles passam por crises e matam bandidos. Não vai fazer falta se acabar na semana que vem.

The Mentalist é mais um que vai desvendar crimes tendo flashs. E eu ando cansado de seriados com flashs reveladores. Não me interessou.

Espremendo bem a laranja a conclusão é simples: nenhuma novidade, nem sob o ponto de vista da direção, da narrativa ou direção de arte, como em Pushing Daisies.

Parece que o mundo do entretenimento decidiu não correr riscos, contribuindo para o empobrecimento geral de todos nós.

Márcio Alemão é publicitário, roteirista, colunista de gastronomia da revista Carta Capital, síndico de seu prédio, pai, filho e esposo exemplar.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br

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