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Sexta, 28 de novembro de 2008, 16h46 Atualizada às 17h37

Ataques seriam resposta a Obama, diz CIA

The New York Times
Com o ataque em Mumbai, a meta seria provocar a ira de Obama e arrancar-lhe discursos de guerra, relata Maierovitch
Com o ataque em Mumbai, a meta seria provocar a ira de Obama e arrancar-lhe discursos de guerra, relata Maierovitch

Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine

Os 007 ocidentais não analisam o ataque terrorista consumado em Mumbai (Índia) isoladamente.

Procuram estabelecer co-relações com a recente explosão na zona mais protegida de Cabul (Afeganistão) e no alerta feito pelo FBI, sobre atentados em Nova York nesta época de festas de Natal e final de ano.

A recente explosão de um carro-bomba estacionado na zona mais blindada de Cabul mostrou que os talebans não estão enfraquecidos.

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O discurso desta semana de Hamid Karzai, o presidente afegão que mal tem o controle da capital Cabul, foi um ato de fraqueza, numa tentativa desesperada de composição com os senhores das guerras que, atualmente, por causa do mercado do ópio, voltaram para o lado dos talebans.

Só para recordar: Karzai quer, a exemplo do Iraque, um plano de retirada das tropas da coalizão da OTAN e procura não se pronunciar sobre a promessa de campanha de Barack Obama, esta no sentido de concentrar ataques no Afeganistão e capturar Osama Bin Laden.

Para os diferentes serviços de inteligência dos Estados Unidos, o auto-bomba foi uma resposta a Barack Obama e as razões, paranóias à parte, não representam escorregar na maionese.

Pelo que vazou, os 007 da CIA acham que a popularidade de Obama, um negro de falecido pai islâmico, quebra o discurso alqaedista da arrogância americana, que calçava como luva a Bush.

Para chegar a essa conclusão, os 007 entendem que o último vídeo em que Zawahiri, que comenta a eleição presidencial americana e ataca Obama, mostra, com emprego do cyberterrorismo, uma desesperada e falha tentativa de grudar em Obama a máscara da arrogância e da prepotência.

Apenas para recordar, Zawahiri insistiu num velho e ultrapassado discurso do líder afro-americano Malcom X, até sem perceber que, no final da vida, ele se reaproximou de Marthin Luther King e seguiu os seus posicionamentos.

Para Zawahiri, o futuro presidente Obama era um "negro das casas" (house slaves), isto é, igual aos escravos que faziam os serviços domésticos e sempre prontos a fazer a vontade dos patrões. A propósito, Malcolm X, dizia nos anos 60, com relação à escravidão:

- Existiam dois tipos de escravos: os negros de casa e os negros dos campos. Os primeiros viviam com os patrões, bem vestidos comiam os seus restos e seriam mortos por eles.

Os "negros do campo" eram os desfrutados no trabalho nas lavouras, os mal alimentados e os açoitados.

Zawahiri colocou Obama no mesmo patamar de Condoleezza Rice e Colin Powel, considerados a serviço dos lobistas e do sionismo internacional. Para rematar, ele afirmou que Obama, nascido de pai muçulmano, juntou-se aos inimigos do Islã.

Com o ataque em Mumbai, a meta seria provocar a ira de Obama e arrancar-lhe discursos de guerra, que a Al-Qaeda usa como guerra ao Islã, ou uma outra Cruzada.

PANO RÁPIDO. Os três episódios, Mumbai, Cabul e Nova York, podem não ser diversos e ter um alvo comum que se chama Barack Obama.

Wálter Fanganiello Maierovitch é colunista da revista CartaCapital e presidente do Instituto Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br).

 

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