Terra Magazine

 

Segunda, 8 de dezembro de 2008, 09h12 Atualizada às 10h53

Gremistas deixam estádio ao som de 'Inter, Inter'

Marcela Rocha/Terra Magazine
Vice-campeões brasileiros, jogadores do Grêmio lançam seus uniformes para a torcida após a partida em que venceu o Atlético-MG, em Porto Alegre
Vice-campeões brasileiros, jogadores do Grêmio lançam seus uniformes para a torcida após a partida em que venceu o Atlético-MG, em Porto Alegre

Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine

"Inter, Inter, Inter...". A provocação na saída do Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS) vinha dos "brigadianos", a brigada militar, que, de dentro do ônibus, batucava com os cassetetes para provocar os torcedores gremistas.

Ao meio-dia do domingo de sol, a torcida já se concentrava na frente do Estádio, tamanha a ansiedade.

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Na capela do complexo, um fiel. No bar, inúmeros cervejeiros. Independentemente do lugar, todos com a mesma expectativa: "O Grêmio vai sair campeão" - gritavam as arquibancadas antes do apito inicial, às 17 horas.

O calor não deu trégua ao torcedor. Sensação térmica de 40°C e picolé a R$ 3,00.

Mais de 46 mil vozes pedindo gol. Mas no primeiro tempo o Grêmio se atrapalha, peca nas finalizações - Perea e Souza perdem suas chances. Estava aberto o espaço para o Atlético Mineiro. E fizeram dois, ambos anulados: impedido! - gritavam os gremistas.

E de novo:
- Impedido!
- Quem?
- Borges do São Paulo! - avisa o torcedor, aflito, com radinho de pilha colado à orelha.

O placar no Bezerrão marcava 1 para o São Paulo. Zero para o Goiás.

A torcida viu a taça ainda mais distante: "Eu sou do Grêmio Senhor, cantamos todos com alegria, mesmo não sendo campeão, o sentimento não se termina" - passam a manifestar o apoio e evocar as novas possibilidades de título. Grêmio já está classificado para a Libertadores.

Segundo tempo, Mattione entra em campo e em seu primeiro lance sofre um pênalti. Tcheco cobra: uma avalanche. Novo levante na torcida: um eventual gol do Goiás, mais comemorado que o do Grêmio. Mas o torcedor do radinho colado à orelha mina a felicidade gaúcha: foi gol, mas do Figueira.

A única razão para comemorar é que foi um gol em cima do arqui-rival, o Inter, que já perdia de dois e contratara um avião vermelho e branco para sobrevoar o Olímpico com uma faixa: "Somos campeões de tudo".

O Galo persiste, mas o time de Celso Roth cresce cada vez mais. Segunda avalanche: Soares, de cabeça, para fechar o placar.

O Tricolor (paulista) é o campeão do Brasileiro de 2008. Para Celso Roth, "a culpa é nossa, perdemos o título não em uma partida específica, mas em todas aquelas que deixamos de ganhar".

Fim de jogo, Jean vem chorando até a geral. Tira a camisa e arremessa para a torcida. Souza fica só de sunga e Rever, revelação do Grêmio, lança a chuteira. No vestiário, o clima entre os jogadores é de desânimo.

- Vocês precisavam vê-los, estão muito frustrados - diz o técnico.

Já a torcida recupera as esperanças e deposita novas expectativas, na Taça Libertadores da América de 2009.

Gremistas deixam o Estádio sob a provocação dos "brigadianos". São obrigados a ouvir o nome do maior rival, o campeão da Copa Sul-Americana de 2008.

 

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