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Quinta, 18 de dezembro de 2008, 14h03 Atualizada às 16h23

Vacina contra Cocaína: última etapa

Wálter Fanganiello Maierovitch
Especial para Terra Magazine

A vacina contra a cocaína e o crack, elaborada em 1996, entra na terceira e última fase de experimentação humana. Essa fase é dedicada a estudos comparativos sobre a eficácia da vacina preparada pela Immunologic Pharmacological Corporation. A licença para a comercialização foi solicitada pelo grupo britânico Xenova.

Segundo o laboratório produtor, a vacina é composta por uma molécula de cocaína, ácido carbônico e uma proteína transportada da toxina da cólera asiática.

Na segunda fase experimental, 35 norte-americanos usuários de cocaína receberam quatro aplicações de 400 microgramas e, nos seus organismos, verificou-se a formação de anticorpos anticocaína.

Os anticorpos, grosso modo, aderem à cocaína ingerida e que ingressa na corrente sanguínia. Com a fixação, ocorre um bloqueio, a impedir a passagem para o cérebro.

Foram animadores os resultados colhidos na supracitada segunda fase, pois 75% dos 35 vacinados ficaram desintoxicados, "limpos", em 12 semanas. Dos submetidos à vacinação, 88% falaram de redução da euforia provovada pela ingestão da cocaína.

A experiência alcançou 114 dependentes de crak (cocaína sólida, de efeito mais rápido por ser fumada). Passadas 12 semanas e em face do uso das quatro doses da vacina, 30% dos testados não apresentavam resíduo de cocaína na urina.

Para os especialistas, tudo indica que a eficácia da vacina ficará comprovada e, em breve, o produto será colocado no mercado.

Wálter Fanganiello Maierovitch é colunista da revista CartaCapital e presidente do Instituto Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br).

Opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais de Terra Magazine.

 

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