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Quinta, 8 de janeiro de 2009, 07h56

Fisesp: Israel deve mostrar "erro" palestino

Reuters
Crianças palestinas observam buraco feito em escola da ONU na faixa de Gaza após bombardeio israelense
Crianças palestinas observam buraco feito em escola da ONU na faixa de Gaza após bombardeio israelense

Diego Salmen

Para o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Boris Ber, os ataques israelenses à faixa de Gaza são uma oportunidade de mostrar ao povo palestino o "erro" de terem escolhido o grupo islâmico Hamas para governar seu território.

- Nós temos de ter objetivos. No mínimo, minimizar a força do Hamas e mostrar para a população palestina que foi um erro eleger esse grupo terrorista como comandante.

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Em entrevista a Terra Magazine, o dirigente israelita defende a incursão de Israel, considerada por ele como "direito de defesa", e rejeita as críticas de que a reação do país ao mísseis lançados pelo Hamas seja desproporcional.

- Quando você tem uma luta entre exército contra exército, você pode até falar em proporcionalidade. A luta contra um grupo terrorista que se mistura à população civil e que cria alvos de dificuldade em meio à população civil realmente traz uma dificuldade.

Leia a entrevista:

Como vê os ataques de Israel à faixa de Gaza?
Boris Ber -
Em primeiro lugar, com muita preocupação. Mas eu vejo como um direito de defesa de Israel. Israel tem, em primeiro lugar, uma briga com o grupo terrorista Hamas e não com o povo palestino. Israel vem sendo atacado por esse grupo há vários anos, e esses ataques vem se intensificando tanto na qualidade como na quantidade. Nenhum país admitira ser bombardeado por outro, ou pelo grupo terrorista de outro (país) sem reação. Israel avisou e pediu que esses ataques parassem e isso não aconteceu. Eu acho que é dever de Estado defender sua população e buscar sua defesa, o que na minha visão é o que Israel fez.

Um dos objetivos do governo israelense nessa incursão é aniquilar com o Hamas. O senhor acha essa meta plausível?
Eu acho que nós temos de ter objetivos. No mínimo, minimizar a força do Hamas e mostrar para a população palestina que foi um erro eleger esse grupo terrorista como comandante. E, no mínimo, fazer com que as pessoas pensem o que é melhor. O que o Hamas agregou depois da saída de Israel dos territórios? O que melhorou a vida das pessoas? Não só em termos militares, mas na vida: emprego, produção. Enfim, o que melhorou? Então, eu acho que fazer o povo palestino perceber que é um erro eleger um grupo terrorista já é um objetivo a ser alcançado.

Ao mesmo tempo em que Israel tem esse objetivo, vangloria-se de ser a única democracia no Oriente Médio. Não é contraditório que uma democracia queira suprimir a vontade do povo palestino por meio da força?
Não queremos suprimir. Nós queremos mostrar que essa guerra está ocorrendo porque um grupo eleito está preocupado com a destruição do Estado de Israel e não com a destruição do Estado palestino. Se você olhar os estatutos do Hamas, vai ver que o principal é que eles querem acabar com o Estado de Israel. Acho que quando você elege um governo para si, deve pensar no que o governo vai fazer por você. Primeiro tem que se constituir, se organizar, para depois, eventualmente, pensar em outras coisas. Mas não deliberadamente ter como missão principal (a destruição de Israel)... Nós não queremos sufocar uma democracia, o que nós queremos é mostrar que é um erro ter um comando que se preocupa somente em atirar mísseis contra um Estado soberano.

De qualquer maneira, o Hamas representa o povo palestino, uma vez que por ele foi eleito. O que o senhor acha da abertura de um diálogo com o movimento?
O diálogo se mostrou até agora surdo. Israel vinha pedindo que eles não atirassem. Foi feito um acordo de paz provisório pouco respeitado. Eu acredito no diálogo, na democracia. Eu acho que tem que se tentar. Mas para se ter uma conversa, é preciso ter condições para essa conversa, bons interlocutores e compromisso de cumprir aquilo que foi deliberado, se não ninguém vai acreditar nessa conversa. Mas eu acredito. Eu acho que sempre é tempo de uma conversa. Mas eu acho é difícil você negociar com um grupo terrorista.

Há vários anos Israel ocupa vários pontos do território Palestino. Como a população palestina pode resistir a essa ocupação, considerada ilegal pela ONU, sem recorrer ao Hamas, por exemplo?
Eu acho que por meio do diálogo. De um tempo para cá, Israel vem se retirando dos territórios, já fez ofertas magníficas, além do imaginável, e não foi aceito. Se você olhar as propostas de retirada, elas visavam a saída. Não há interesse de Israel em ficar ali. Principalmente nesse momento e com esse governo. Isso está claramente demonstrado. A questão é avaliar o que é melhor para as duas partes; no que eu preciso ceder, e no que eu preciso aceitar. A primeira coisa que eu acho que se tem que aceitar é o reconhecimento do Estado de Israel. Os palestinos não reconhecem o Estado de Israel. O diálogo vai ser a única solução. Nós não podemos imaginar, e eu acho que nem é o desejo de Israel, que haverá um conflito duradouro, prolongado. Nós temos que achar uma solução.

O senhor vislumbra alguma saída para esse conflito no curto-prazo?
Olha, o histórico mostra que os conflitos na região não são de longa-duração. A proposta que Israel coloca é de entrar, enfraquecer o Hamas para que eles parem de atacar e se retirar, eu acredito na palavra e na transparência do que diz a ministra das Relações Exteriores Tzipi Livni e os comandantes de Israel. Não acredito que seja de muito longa duração. Quanto antes isso terminar, acho que é melhor para todo mundo.

O senhor não acha que há uma desproporção nessa reação de Israel? O Hamas ataca Israel com mísseis quase artesanais, por exemplo.
Eu não acho que o direito de defesa ou a forma... É diferente de quando você vai lutar contra um inimigo igual. Quando você tem uma luta entre exército contra exército, você pode até falar em proporcionalidade. A luta contra um grupo terrorista que se mistura à população civil e que cria alvos de dificuldade em meio à população civil realmente traz uma dificuldade. Agora, Israel é um país pequeno, Israel tem que agir rápido e de maneira forte. Não dá para ser uma ação muito leve. Eu não concordo com essa desproporcionalidade.

Eu acho que receber uma quantidade enorme de mísseis durante o dia é uma desproporcionalidade. Se os mísseis acertam ou não acertam, matam ou não matam, não vou entrar na questão. Mas acho que é um direito de defesa (de Israel). Quase sete anos sendo atacado por mísseis, eu não concordo com a tese da desproporcionalidade. Israel não tem um exército muito bom e competente porque gosta da guerra; tem porque precisa, porque é cercado de inimigos e ameaças de todos os lados.

Como vê a postura do Itamaraty, que condenou os ataques israelenses?
O governo brasileiro tem seu direito de protestar. O que eu gostaria, evidentemente, é que eles também protestassem contra os ataques anteriores (do Hamas). Eu só acho que nós temos que tomar um cuidado muito grande, e isso é um pedido, de que nós não importemos o conflito. Eu tenho visto algumas manifestações que me deixam um pouco desconfortável. Eu acho que existe um confronto entre o Estado de Israel e um grupo terrorista palestino ou eventualmente até com o povo palestino. Trazer esse conflito para o Brasil é trazer um desconforto a comunidades que se respeitam e convivem muito bem.

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