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Segunda, 12 de janeiro de 2009, 07h47

Mais cultura, "menas" violência

Marcio Alemão
De São Paulo

Estava em férias mas me vi obrigado a antecipar meu retorno diante do ocorrido no dia 4 de janeiro:

Faleceu o touro Bandido.

E para falar sobre o assunto ninguém melhor do que Glória Perez, a autora da novela América, que mostrou ao mundo quem era o Bandido.

(texto extraído do Blog de Gloria Perez) "Morreu o touro mágico da novela América. Mágico só na novela? que nada! nesse caso, a novela não fez mais do que retratar a vida real!Bandido era um rei, nos pastos e nas arenas. Impossível não se impressionar com ele.

Encarava a gente com a tranquilidade e a superioridade de quem detém todos os poderes. E detinha mesmo: ninguém se vangloria de ter ficado sequer 8 segundos em cima de seu lombo. Ele não tolerava ser montado.

Tinha uma origem obscura: foi criado por um cigano e, no meio dos rodeios, lhe atribuíam poderes sobrenaturais".

Bandido foi sepultado com honras. Todas merecidas.

E no dia seguinte, a Record apresentou vários bandidinhos em sua série A Lei e o Crime que não chegam à ponta dos cascos do falecido, em carisma e solidez. Já escrevi sobre minhas restrições ao diretor Luiz Fernando Carvalho. Mas ao ver A Lei e o Crime e seu desfile interminável de clichês, a fotografia canastrona e personagens mal construídos ao redor de uma trama banal, reconheço que a TV brasileira precisa é de profissionais como ele.

Também quando vi, confesso, apenas dois blocos de Aline, senti a mesma coisa: faltou uma generosa pitada de Luiz Fernando Carvalho. Não acompanho as tiras de Adão Itirrusgarai, a Aline original. A da Tv me pareceu excessivamente abobalhada. Ela, seus parceiros, e suas falas todas.

Já no Decamerão, de Jorge Furtado e Guel Arraes, não senti falta de Luiz Fernando. Um belo trabalho de texto, feito em versos. Tarefa difícil, ousada e cumprida com mérito e muito sabor, muita graça. Atuações impecáveis, ritmo delicioso. A TV precisa mais de Jorge Furtado. De Guel Arraes não pode abrir mão. A TV, como fazem os citados, precisa parar de subir o morro e frequentar mais as bibliotecas.

"Mais cultura, MENAS violência", dizia um sábio amigo meu.

Em tempo, A Lei e o Crime teve excelente audiência. Não me surpreendo. A escolinha do Sidney Magal, na Band, tem batido o CQC todos os dias.

Márcio Alemão é publicitário e cronista gastronômico da revista Carta Capital.

Fale com Márcio Alemão: marcio.alemao@terra.com.br

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Cena do seriado A Lei e o Crime, da Record

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