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Reprodução
Imagem do site eluxury, pioneiro na comercialização marcas de luxo pela internet
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Maria Alice Rocha
Do Recife
Com a posse de Barack Obama, tudo parece voltar ao lugar, mas como o novo presidente norte-americano não é mago, a crise econômica mundial ainda persiste em existir. E como não poderia deixar de ser, os relatórios sobre o comportamento do consumo no segundo semestre de 2008 começam a ser divulgados, e com eles, as projeções para os próximos meses.
Acaba de sair um estudo sobre a conjuntura econômica relacionada ao consumo de moda na França e as perspectivas não são animadoras. Segundo o documento, o balanço do mês de dezembro passado confirma a tendência da desaceleração do consumo, com uma baixa em 3% quando comparado ao mesmo mês de 2007.
Mas, o apetite para o consumo de produtos com valor de moda ainda é voraz, confirmado pelo volume de vendas nas liquidações pós-Natal. É necessário apenas lembrar, que cada vez mais, os consumidores procuram pelo preço justo devido a restrições orçamentárias.
O relatório ainda indica que apesar dos consumidores terem adquirido menos peças de vestuário no segundo semestre de 2008, o valor unitário médio das peças apresentou incremento. Na prática, isso significa que os consumidores se tornaram mais seletivos e procuram bens com mais durabilidade e com menos apelo ao modismo.
Esse novo fenômeno já está sendo apelidado como slow-fashion (moda lenta, em inglês), numa alusão ao conhecido sistema fast-fashion (moda rápida, em inglês). O fast-fashion, sistema de gestão estratégica que tem a marca espanhola Zara do grupo Inditex como exemplo-chave, tem reinado como soberano nesta última década. O sistema é o principal responsável pelas mini-coleções que garantem uma permanente novidade nas vitrines para acompanhar o ritmo acelerado do consumo.
Ainda é prematuro afirmar que o slow-fashion vai substituir definitivamente o fast-fashion, mas é certo que, pelo menos enquanto a crise durar os dois sistemas deverão coexistir. Mas, considerando que a temporada de lançamento de coleções atualmente corresponde às coleções de Outono-Inverno, com menos peças e preços unitários mais elevados, o slow-fashion tende a reinar, pelo menos para a próxima estação.
Mas, como todo momento de crise pode ser encarado como momento de ajustes, algumas iniciativas já estão sendo anunciadas, embora não haja claramente uma declaração de vínculo com a crise ou potencial queda do consumo.
O site eluxury, de propriedade do conglomerado de luxo LVMH, que controla marcas como a famosa Louis Vuitton, e foi o primeiro a comercializar marcas de luxo pela internet, anunciou que vai deixar de vender produtos a partir de junho próximo. Segundo o comunicado oficial, os produtos das marcas Marc Jacobs, Dolce&Gabbana, Céline, Versace, dentre outras, serão vendidos nos sites das próprias marcas, por meio de suas lojas virtuais.
Para o futuro, o site eluxury se dedicará a um espaço dedicado à informação de luxo, seja relacionado a roupas, jóias, bem estar, automóveis, gastronomia ou serviços. Como se prevê, o consumidor procurará se informar mais antes de abrir a carteira, e como conseqüência, talvez faça mais uso da razão do que atualmente.
Como a emoção está na moda, o exercício será estimular as experiências sensoriais com racionalidade. Parece difícil, mas não impossível, basta não ter pressa.
Fale com Maria Alice Rocha: modalice08@terra.com.br
Terra Magazine