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Quarta, 21 de janeiro de 2009, 08h08

Freio na moda

Reprodução
Imagem do site eluxury, pioneiro na comercialização marcas de luxo pela internet
Imagem do site eluxury, pioneiro na comercialização marcas de luxo pela internet

Maria Alice Rocha
Do Recife

Com a posse de Barack Obama, tudo parece voltar ao lugar, mas como o novo presidente norte-americano não é mago, a crise econômica mundial ainda persiste em existir. E como não poderia deixar de ser, os relatórios sobre o comportamento do consumo no segundo semestre de 2008 começam a ser divulgados, e com eles, as projeções para os próximos meses.

Acaba de sair um estudo sobre a conjuntura econômica relacionada ao consumo de moda na França e as perspectivas não são animadoras. Segundo o documento, o balanço do mês de dezembro passado confirma a tendência da desaceleração do consumo, com uma baixa em 3% quando comparado ao mesmo mês de 2007.

Mas, o apetite para o consumo de produtos com valor de moda ainda é voraz, confirmado pelo volume de vendas nas liquidações pós-Natal. É necessário apenas lembrar, que cada vez mais, os consumidores procuram pelo preço justo devido a restrições orçamentárias.

O relatório ainda indica que apesar dos consumidores terem adquirido menos peças de vestuário no segundo semestre de 2008, o valor unitário médio das peças apresentou incremento. Na prática, isso significa que os consumidores se tornaram mais seletivos e procuram bens com mais durabilidade e com menos apelo ao modismo.

Esse novo fenômeno já está sendo apelidado como slow-fashion (moda lenta, em inglês), numa alusão ao conhecido sistema fast-fashion (moda rápida, em inglês). O fast-fashion, sistema de gestão estratégica que tem a marca espanhola Zara do grupo Inditex como exemplo-chave, tem reinado como soberano nesta última década. O sistema é o principal responsável pelas mini-coleções que garantem uma permanente novidade nas vitrines para acompanhar o ritmo acelerado do consumo.

Ainda é prematuro afirmar que o slow-fashion vai substituir definitivamente o fast-fashion, mas é certo que, pelo menos enquanto a crise durar os dois sistemas deverão coexistir. Mas, considerando que a temporada de lançamento de coleções atualmente corresponde às coleções de Outono-Inverno, com menos peças e preços unitários mais elevados, o slow-fashion tende a reinar, pelo menos para a próxima estação.

Mas, como todo momento de crise pode ser encarado como momento de ajustes, algumas iniciativas já estão sendo anunciadas, embora não haja claramente uma declaração de vínculo com a crise ou potencial queda do consumo.

O site eluxury, de propriedade do conglomerado de luxo LVMH, que controla marcas como a famosa Louis Vuitton, e foi o primeiro a comercializar marcas de luxo pela internet, anunciou que vai deixar de vender produtos a partir de junho próximo. Segundo o comunicado oficial, os produtos das marcas Marc Jacobs, Dolce&Gabbana, Céline, Versace, dentre outras, serão vendidos nos sites das próprias marcas, por meio de suas lojas virtuais.

Para o futuro, o site eluxury se dedicará a um espaço dedicado à informação de luxo, seja relacionado a roupas, jóias, bem estar, automóveis, gastronomia ou serviços. Como se prevê, o consumidor procurará se informar mais antes de abrir a carteira, e como conseqüência, talvez faça mais uso da razão do que atualmente.

Como a emoção está na moda, o exercício será estimular as experiências sensoriais com racionalidade. Parece difícil, mas não impossível, basta não ter pressa.

Maria Alice Rocha é doutora em moda pela University for the Creative Arts de Rochester, Inglaterra, e professora e pesquisadora de moda, vestuário e consumo na Universidade Federal Rural/PE.

Fale com Maria Alice Rocha: modalice08@terra.com.br

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