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Terça, 3 de fevereiro de 2009, 08h19

Berzoini: aliança PT-PSDB não é duradoura

Valter Campanato/Agência Brasil
Para o presidente do PT, Ricardo Berzoini, a crise econômica deve ser o foco do Congresso após as eleições das mesas
Para o presidente do PT, Ricardo Berzoini, a crise econômica deve ser o foco do Congresso após as eleições das mesas

Claudio Leal

Presidente do PT, o deputado federal Ricardo Berzoini afirma que a aliança PT-PSDB, derrotada na eleição para a presidência do Senado, está circunscrita a essa votação. Não há compromisso de levar essa "afinidade" adiante. Em entrevista a Terra Magazine, Berzoini descarta desdobramentos políticos para 2010:

- O próprio PSDB, de maneira transparente, declarou que continua oposição e o PT continua situação. Possivelmente... Certamente, estaremos em campos opostos em 2010. Ali foi claramente uma questão do Senado Federal e não uma questão que tenha efeitos mais duradouros.

Ontem, o senador José Sarney (PMDB-AP) se elegeu presidente do Congresso, com 49 votos, contra 32 votos de Tião Viana (PT-AC). Na Câmara, o peemedebista Michel Temer foi eleito com 304 votos.

Berzoini avalia que as novas mesas diretoras da Câmara e do Senado devem priorizar o combate à crise financeira mundial. Leia a entrevista:

Terra Magazine - Como o senhor avalia a dupla vitória do PMDB no Congresso?
Ricardo Berzoini - O processo de disputa é natural no parlamento. Na verdade, nós tínhamos desde 2007 um acordo com o PMDB, para apoiarmos a candidatura de Michel Temer. Esse acordo resultou, em 2007, na eleição de Arlindo Chinaglia. Portanto, na Câmara nós tínhamos esse acordo, que passou pra uma frente de 14 partidos. No Senado, em função da candidatura tardia do senador Sarney, não foi possível ter um acordo PT-PMDB, de modo que disputamos a presidência. O resultado é típico da disputa parlamentar.

Isso atrapalha o diálogo entre os dois partidos?
Não, acho que a eleição para a mesa da Câmara e do Senado, em poucas semanas, é fato passado. O importante é olhar para o futuro. Temos que ter um parlamento muito focado no enfrentamento da crise e também na questão da reforma tributária e da reforma política, que são desafios de muitos anos. O parlamento precisa dar uma resposta objetiva a essas duas questões. Sem falar dos fatos conjunturais, que são importantes: a questão orçamentária, os projetos de lei ordinária que têm relação com a gestão cotidiana do sistema legislativo. Enfim, existe um amplo entendimento dentro da Casa de que a eleição da mesa é importante, mas, passada a eleição, temos que voltar pra agenda mais focada nas questões legislativas.

E a aliança PT-PSDB no Senado? É algo mais? Há desdobramentos para 2010?
Ali é uma aliança pra eleição da mesa.

E essa afinidade...
O próprio PSDB, de maneira transparente, declarou que continua oposição e o PT continua situação. Possivelmente... Certamente, estaremos em campos opostos em 2010. Ali foi claramente uma questão do Senado Federal e não uma questão que tenha efeitos mais duradouros.

Para a candidatura Dilma Rousseff, o cenário atual é mais favorável?
Acho que não muda praticamente nada. Porque antes você tinha o PMDB na presidência do Senado, e continua o PMDB. Na Câmara, o que havia era uma aliança PT-PMDB, com o apoio de outros partidos, e continua essa aliança, agora com Michel Temer. E Temer tem sido transparente: vai presidir a Câmara a partir desta aliança, até porque o primeiro-vice-presidente é do PT, o terceiro-secretário é do PT. O PT tem um papel muito definidor nessa aliança, que depois envolveu também o PSDB, o Democratas, o PTB, o PR e outros partidos.

 

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