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Divulgação
Thiago Adorno, Débora Duboc e Fernando Fecchio. No telão Elias Andreatto
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Deolinda Vilhena
De Santos (SP)
"Um Dia (quase) igual aos outros", de Dario Fo e Franca Rame, não é uma comédia qualquer, não é todo dia que podemos assistir a peças escritas por um Nobel de literatura (1997), e esta guarda em si o melhor do teatro de Fo, ou seja, "o humor cortante, a pulsação e a comunicação do homem contemporâneo, a emoção revelada através da humanidade", nas palavras de Débora Duboc.
Escrita pelo casal de dramaturgos italianos em 1986, a peça é montada pela primeira vez no Brasil, e tem como eixo central a empresária Júlia (interpretada por Débora Duboc) que diante de um fracasso afetivo decide se suicidar e deixar um DVD como testamento, com o intuito de culpar o ex-marido.
Quem assina a direção do espetáculo é Neyde Veneziano, embora especialista na obra de Dario Fo, é a primeira vez que monta uma peça do autor após seu pós-doutorado batizado de "Rigor e Improviso: uma pesquisa com Dario Fo", que deu origem ao livro "A Cena de Dario Fo: o exercício da imaginação" (Conex, 2002).
O encontro de Neyde com Débora Duboc nasceu na convivência acadêmica, mais exatamente na Unicamp, onde Neyde foi professora de Débora. Com certeza uma relação entre duas "artistas afinadas em levar a gargalhada a sério".
Débora conta que ao longo dos ensaios teve de desenvolver o timing da comédia contracenando com máquinas e passa uma informação curiosa, e desconhecida dessa que vos escreve, a de que "Dario é o autor mais montado no mundo, depois de Shakespeare". A averiguar.
"Um Dia (quase) igual aos outros" utiliza e abusa da tecnologia, que levanta, discute e revela as principais questões das mulheres independentes da contemporaneidade e pensa sobre a presença, o espaço do encontro, a solidão atual.
O cenário é um apartamento "inteligente", com sistema multimídia e "wireless", controlados por computadores "quase humanos". Tudo isso para permitir que Débora contracene com personagens virtuais (vozes em off ou imagens em telas), interpretados por Cláudia Mello, Eliana Rocha, Elias Andreatto, Marcelo Médici, Marcos Caruso e Vivianne Pasmanter. Débora tem, no palco, a companhia dos atores Thiago Adorno e Fernando Fecchio, encenando uma dupla de assaltantes, numa homenagem aos palhaços de picadeiro.
Eis uma boa ocasião para quem, como eu, não conhece o Centro cultural do Banco do Brasil em Sampa e nem o trabalho da Débora, uma das atrizes fetiche do grande Márcio Aurélio. Confiram, porque vale a dica...
SERVIÇO "UM DIA (QUASE) IGUAL AOS OUTROS"
Estréia: 13 de fevereiro
Temporada: quinta, sexta e sábado, às 19h30 e domingo, às 18h. Até 05 de abril
Ingressos: R$15,00 (inteira) e R$7,00 (meia)
Bilheteria: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Álvares Penteado, 112)
Autor: Dario Fo e Franca Rame
Elenco: Débora Duboc, Thiago Adorno e Fernando Fecchio
Direção e Tradução: Neyde Veneziano
Informações: 11 3113 3651/ 3113 3652 / www.bb.com.br/cultura

Festa da Luz no Museu du Ritmo. Gil com Irène Kirsch, Alfredo Sirkis e Adriana Liberatto e Brown (Foto: Deolinda Vilhena)
Fui observadora privilegiada da Festa da Luz, no Museu du Ritmo, comandada pelo Cacique Carlinhos Brown. Dividi com gente muito boa - Alfredo Sirkis, Charles Duvelle, grande pianista e etnomusicólogo francês, amigo de toda a vida do Pierre Verger, acompanhado da mulher Annick Garnier, em férias na Bahia; o cônsul geral de Portugal em Salvador, João Paulo Marques Sabido da Costa; a adida cultural da França em Salvador Irène Kirsch e last but not least aquele que seria a estrela da festa: Gilberto Gil, acompanhado da bela Flora.
O camarote improvisado na sala da administração do Museu du Ritmo - leia-se Duetto ou Adriana e Maiara Liberato, braço direito do Carlinhos nesse projeto maravilhoso de transformar o antigo Mercado do Ouro de Salvador num misto de museu, escola de música, galeria de arte, casa de shows - ferveu quando Brown pediu a turma do som que providenciasse um microfone para Gil.
Não satisfeito, saiu de cena, atravessou a platéia, subiu as escadas e transformou em palco a sala da administração. Pura emoção o dueto como o "Profeta da luz" como ele se referiu a Gilberto Gil. Quatro mil pessoas cantando "Eu só quero um xodó", e depois "Esperando na janela", "Vamos fugir" e "No woman no cry".
Para quem perdeu esse encontro deixo a dica: na próxima sexta acontece a abertura do Camarote Expresso 2222, que contará com a presença especial de Carlinhos Brown, convite feito por Flora Gil que presta, assim, uma homenagem aos 30 anos de folia do Cacique do Candeal.
E dia 28 de fevereiro tem Sarau du Brown, o primeiro que perco, mas ano que vem tem mais...

Saudades da Bahia. Cabaré da Raça, Mercedes Sosa, Canto Geral e Lavagem do Bonfim (Fotos: Deolinda Vilhena)
Pois é está chegando a hora de deixar Salvador, foram quase três meses de muito trabalho, minha pesquisa de pós-doutorado avançou bastante, adorei a biblioteca da Universidade Federal da Bahia, comprei todos os livros que pude na livraria da editora da universidade, e, de quebra, descobri um outro Brasil...
Nas fotos ai em cima divido com meus 17 leitores a saudade que vou levar dos espetáculos que vi no Teatro Vila Velha - Cabaré da Raça, Ó paí, ó, Habitat - Lat 13º S Long 38º 31' 12'' - espetáculos que de uma maneira ou de outra me tocaram, talvez porque a gente que descobri aqui faz teatro com o coração.
Não esquecerei jamais, que tive a oportunidade única de ver duas vezes, num espaço de menos de 20 dias, Mercedes Sosa - La Negra - no Castro Alves. O teatro do Juju, da Rose - que mantém uma programação danada de boa - e cujas portas jamais se fecharam para mim. Momento mágico: o show "Canto Geral", de arrepiar...dirigido pelo Márcio Meirelles.
O Márcio merece um parágrafo separado. Há dois anos e meio ocupando o cargo de Secretário de Cultura, alvo fácil num país onde a cultura nunca foi prioridade, devo dizer que jamais vi um secretário tão presente, em 99% dos eventos nos quais estive encontrei Márcio, sorriso nos lábios, batendo o ponto.
Há poucos dias duas ações da Secretaria de Cultura renovaram meu apreço pelo seu trabalho: a abertura de um edital disponibilizando R$1,2 milhão para os eventos do Ano da França, através do Fundo de Cultura, apenas para projetos chancelados pelo Comitê Misto Brasil-França e a publicação de um catálogo ilustrado, com informações sobre os 117 blocos carnavalescos de matriz africana apoiados pelo programa Carnaval Ouro Negro.
Esse livro tem 208 páginas de fotos coloridas e textos (em português e inglês), e é uma publicação pioneira no levantamento e na divulgação de informações sobre os afoxés e os blocos afro, de índio, samba, percussão e reggae de Salvador, com o objetivo de promover e dar visibilidade aos mesmos.
Mais importante que tudo: a partir de abril de 2009, um curso de capacitação em gestão cultural, voltado para os dirigentes dos blocos e realizado em parceria com o Sebrae, vai fornecer subsídios para a elaboração de projetos, prestação de contas, financiamentos culturais, estratégias de negociação e produção cultural, além de traçar um plano coletivo com vistas a possíveis patrocinadores do desfile dos blocos a partir do Carnaval de 2010. Esse pessoal está no caminho certo, tudo passa pela formação, sem ela não se vai muito longe.
Quem me conhece sabe que nunca fui PT, sou PSDB de carteirinha, logo me sinto bem à vontade para fazer determinados elogios, por isso confesso sem constrangimento que uma das imagens mais bonitas que levo de Salvador é a do casal Jaques Wagner e Fátima Mendonça - governador e primeira-dama - acompanhando os 8 km da procissão da Lavagem do Bonfim, da Igreja da Conceição da Praia até o alto da Colina Sagrada.
Fiquei impressionada, como nunca havia feito o percurso antes não sei se todos os políticos fazem a mesma coisa anualmente, mas havia no ar uma demonstração de respeito e carinho entre governados e governante, coisa rara nos dias de hoje.
Não sei ainda quando poderei voltar, mas se tenho uma certeza em minha vida hoje é a de que Salvador faz parte da minha história...obrigada a todos que fizeram da minha temporada aqui uma sequência de bons e inesquecíveis momentos...São Paulo aqui vou eu, não sem antes passar pelo Rio e desfilar na Viradouro - obrigada Leda Nagle, obrigada Cristina Ferreira e obrigada Milton Cunha - para prestar uma sincera homenagem à Bahia...
Fale com Deolinda Vilhena: deolindavilhena@terra.com.br
Terra Magazine
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