Lecticia Cavalcanti
Do Recife (PE)
Leônidas da Silva foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos. Fazia gol de todo jeito. Até sem chuteira, como na prorrogação do jogo contra a Polônia. E de "bicicleta", também. Para seus admiradores, era o "Homem Borracha".
Raymond Thourmagem, da revista Paris Match, deu-lhe nome definitivo - "Diamante Negro". A Lacta aproveitou e lançou logo depois da Copa do Mundo de 38, na França, um chocolate com o mesmo nome - preto (como ele), com castanha de caju, mel, cacau, glicose, manteiga de cacau, em embalagem também preta e o desenho de um diamante. Para ser, desde então, o mais vendido do Brasil.
Leônidas morreu aos 90 anos, em janeiro de 2004, depois de passar dez anos numa clínica geriátrica em Cotia (São Paulo), com o Mal de Alzheimer. E sem deixar filhos, ao menos oficialmente. Teve um menino, Leônidas da Silva Jr - que morreu afogado em Niterói, aos 3 anos. E uma menina, Sueli, por ele inclusive admitida como filha, mas que nunca foi legalmente reconhecida.
Em agosto de 2007, escrevi sobre ele; e, em janeiro passado recebi o seguinte e-mail de Marco Antonio Marques:
- Cara Lecticia, li na internet sua matéria sobre Leônidas, O Diamante Negro. E preciso dizer que minha tia (Maria Augusta de Jesus) teve uma filha com ele. Como foi uma traição e ela na época era casada, escondeu de toda a família. Falando só agora pouco antes de morrer. Agora a minha prima (Cleuza Augusta de Aquiles) quer muito saber onde ele está enterrado para que possamos pedir um exame de DNA para que ela possa ser reconhecida como única filha dele. Não por valor material, pois sabemos que ele morreu pobre, sem deixar nada. Mas sim pelo prazer de ser reconhecida, e em sua certidão de nascimento constar o nome do pai. É um pedido simples de uma pessoa simples. Você pode nos ajudar? Desde já agradeço o que poder fazer.
Na tentativa de ajudar Cleuza, entreguei o e-mail a Juca Kfouri - amigo nosso, e mais importante jornalista esportivo do Brasil.
Juca descobriu o endereço dessa Cleuza, e foi a seu encontro. Segundo ele, em longa matéria publicada na Folha de São Paulo (1 de fevereiro), ela "vive humildemente em Uberlândia, interior de Minas Gerais. Trabalha como diarista durante o dia e, à noite, no serviço de limpeza da prefeitura local".
"Ganho um salário mínimo na prefeitura e mais uns R$ 400 por mês", disse ela. Tem 6 filhos - 5 mulheres (a caçula Lorena, com 13 anos, é muito parecida com Leônidas) e um homem, Marcio, com 23 anos, que não teve sorte como jogador de futebol.
Mais talento têm os filhos de Simone, filha mais velha de Cleuza - Eurípedes, o Branco (21 anos), que trabalha em Paris; e sua irmã Larissa (16 anos) que joga futsal "no time Guerreiras, de seu bairro em Uberlândia, na posição de fixo. E, no futebol de campo é uma espécie de líbero", escreveu Juca Kfouri. Seu sonho é ser jogadora profissional. "Alguma coisa eu desconfiava estar no meu sangue mesmo sem saber bem essa história de meu bisavô", declarou Larissa.
Cleuza tem ainda longo caminho judicial a percorrer, para ser mesmo reconhecida como filha de Leônidas. No físico e no jeito (pelas fotos), eles se parecem muito. Só não se sabe ainda é se, no paladar, também gosta do que Leônidas gostava: bucho com arroz, camarão à paulista, churrasco, cozido, feijoada, macarronada, moqueca capixaba (sem dendê e sem leite de coco), espaguete com frutos do mar. E doces como ovos nevados, pudim de leite moça, espera-marido.
Seja como for, Cleuza nos deixa uma lição. A de que, apesar de todas as limitações, vale sempre a pena tentar realizar os sonhos. Mesmo aqueles que pareçam impossíveis. Viva Cleuza!
Ingredientes:
200 g de macaxeira crua ralada
100 g de coco ralado
1 ½ xícara de chá de açúcar
200 g de queijo meia cura ralado
3 colheres de sopa de manteiga
3 ovos
200 ml de leite de coco
Preparo:
- Coloque na batedeira queijo meia cura ralado, açúcar, coco ralado, macaxeira ralada, manteiga, leite de coco e ovos (anteriormente batidos). Bata bem.
- Coloque em assadeira alta, untada com manteiga e polvilhada com trigo.
- Asse em forno pré-aquecido, a 180º , por aproximadamente 40 minutos.
Fale com Lecticia Cavalcanti: lecticia.cavalcanti@terra.com.br
|
AFP
1938 - Leônidas da Silva em campo
|
» Uma breve história da Coca-cola (3ª parte, final)