
Atualizada às 17h57 |
Palco do Rock 2009/Divulgação
Palco do Rock em Salvador reúne 36 bandas
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Thais Bilenky
Direto de Salvador (BA)
O quarto circuito do Carnaval de Salvador fica um pouco afastado da Barra e do Pelourinho. Na praia de Piatã, nos coquerais, vê-se de longe barracas, cachorros, crianças, cavalos e muito preto. Os roqueiros - baianos, brasileiros e também gringos - não usam abadá mas fazem sua folia no Palco do Rock há 15 anos.
No rádio da moça da tapioca toca Raul. Na camiseta do menino: "a face do punk nunca há de morrer". No sábado 21, primeiro dia do festival, estrearam os suíços do Underschool Element, a primeira banda de fora do Brasil a se apresentar em Piatã. Ainda se apresentam a Plebe Rude, de Brasília, e os paulistanos do Inocentes.
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A maioria dos foliões de preto não gosta de Carnaval. Independentemente disso, Sandra de Cássia - presidente da Associação Cultural Clube do Rock da Bahia, que organiza o festival - sabe que a festa é parte da cultura baiana e não a ignora.
Sandra conta que nos primórdios do Palco do Rock "um maluco chamado Dedão tinha a ideia de fazer o rock do Carnaval". Que era colocar bandas de rock em cima do trio elétrico. "Não tem condições. É água e vinho", relata. "Nós como baianos, temos que preservar o Carnaval, o axé, que é autêntico. Mas a nossa linguagem é outra", conclama a organizadora.
Os curadores do Palco do Rock selecionam por ano 36 bandas, 13 das quais necessariamente não são baianas. A organização calcula que 7 a 8 mil pessoas passem diariamente pelo festival, que perdura até a terça-feira, 24. Os grupos do interior do estado da Bahia, ainda que mais próximos de Salvador, são os que precisam de maior incentivo para participarem do festival, segundo Sandra de Cássia.
De Feira de Santana, a maior cidade da Bahia atrás da capital, vieram as meninas da Endometriose, banda que já se chamou Cólica, mas que por repetição de patente, mudou a alcunha. Com elas, veio a legião modesta de fãs que as acompanha em todos os shows.
"A gente sempre tem um público fiel. Por ser uma banda feminina, a única de Feira, e pelo gênero, hardcore", conta Ilani Silva, 21, baixista da Endometriose. Mesmo assim, se querem fazer show na cidade natal, só organizando. "Lá tem é muito axé, essas coisas...", diz Ilani.
A guitarrista Amanda Queirós, 17, juntou-se ao grupo via Orkut. E foi Amanda quem trouxe, também por caminhos virtuais, a vocalista Adriana Lima, 21. Norma Juliete, 19, da bateria está no grupo desde o começo - 2006. A formação atual tem um ano e duas apresentações em Salvador. Além do Palco do Rock, a Endometriose tocou no Festival do Batom, dedicado exclusivamente a bandas femininas e organizado pelo mesmo Clube do Rock da Bahia.
O sangue do rock
Corpo todo tatuado, dreadlocks, piercing (aparentemente apenas) no nariz, vestido preto decotado nas costas. Na plateia, uma menina que se identifica por Boly, 23, está mais uma vez no Palco do Rock. Ela não toca, mas jura que "já lutou, já sangrou" pelo festival. "É importante para quebrar a parada do Carnaval. Aqui é o respeito para o que você ama, o que você respeita. Se não, era só carnaval, carnaval, carnaval...", diz Boly.
Menos familiarizado está o boliviano Efraim Cardozo, 23, novato no Palco do Rock. Efraim veio da Bolívia com outros dois amigos a Salvador para o festival porque toca rock e "gosta muito". O baiano David da Silva, 23, detesta o Carnaval tradicional e lamenta a falta de visibilidade do Palco do Rock.
"É bastante discriminado. Pessoas com mentalidade medíocre associam o rock a drogas", diz David. "Que rola (uso de drogas), rola, mas eu não posso dizer o quê, pois não consumo", afirma David. Ele diz fugir do primeiro e do último dias de festival para evitar as brigas comuns nestes dias.
Mas para Sandra de Cássia o evento é um acréscimo e não oposição ao Carnaval:
- Somos um espaço de entretenimento. Não tem corda, não tem camarote.
Terra Magazine