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Quarta, 4 de março de 2009, 13h51 Atualizada às 14h31

Cassação mostra "jogo sujo", diz vice de Roseana

Marcela Rocha
Especial para Terra Magazine

Na madrugada desta quarta-feira, 4, o Supremo Tribunal Eleitoral decidiu pela cassação do mandato de Jackson Lago (PDT-MA) e seu vice Luiz Carlos Porto (PPS-MA). Após a decisão, o TSE também decidiu o futuro do governo do estado maranhense. O Maranhão volta para a família Sarney.

Roseana Sarney (PMDB-MA), segunda colocada nas eleições de 2006, é a indicada pelo TSE para assumir o posto ao lado de seu vice João Alberto de Souza, ex-senador pelo PMDB, que hoje é diretor de gestão de recursos do Banco da Amazônia.

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A sessão terminou, mas os envolvidos deixaram o plenário depois das 3 horas da manhã. Roseana avisou sua assessora que só iria ao Senado na parte da tarde. Jackson mantém sua agenda de governador enquanto articula nova estratégia de defesa.

Em entrevista a Terra Magazine, o vice de Roseana é agressivo nas acusações a Jackson Lago: "Tínhamos uma preferência de mais de 70% no eleitorado, que eles nos tomaram comprando votos". Explica:

- Um prefeito que recebe R$ 600 mil, R$ 800 mil de participação por mês, é óbvio que vai pro lado dele (Jackson) . Isso é determinante numa campanha no interior.(...) Nós jogamos limpo. Eles jogaram sujo. Jogamos com a regra e eles fora da constituição. Ganhamos no primeiro turno e eles roubaram os nossos votos.

Lago e Porto foram cassados por abuso de poder e compra de votos nas eleições para o governo do estado em 2006. O recurso teria sido julgado no dia 19 de fevereiro, dois dias após a cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), mas foi adiado devido à ausência do ministro Fernando Gonçalves.

Os advogados de Lago alegam que houve cerceamento de defesa. Segundo João Alberto, é tático, para a defesa do Jackson, retardar os processos. "Queriam esgotar o mandato com o processo parado na justiça", analisa o vice de Roseana.

A decisão por não chamar novas eleições e entregar o mandato à segunda colocada foi tomada logo após os ministros votarem pela cassação, por cinco votos a dois.

A discussão agora é "quando a transferência será realizada". Lago e Porto poderão permanecer no cargo até que as possibilidades de recursos no TSE se esgotem. Portanto, a não-empossada governadora deverá aguardar os eventuais recursos serem protocolados pelos advogados de Jackson Lago.

Questionado sobre quais seriam as prioridades do governo, João Alberto passa a bola:

- Isso é com ela. Vice é vice.

Leia na íntegra a entrevista com João Alberto de Souza:

Terra Magazine - O que acha da cassação do governador Jackson Lago (PDT-MA) e do vice Luiz Carlos Porto (PPS-MA)?
João Alberto de Souza -
Eu sempre esperei justiça, a nossa vitória. Tínhamos uma preferência de mais de 70% no eleitorado, que eles nos tomaram comprando votos. Veja as imagens dos comícios em praça pública sob convênio entre os prefeitos, o antigo governador e os candidatos. As entidades, ONGs e governo antigo fizeram convênio com a candidatura dele. Eu tenho a impressão de que o Tribunal agiu com exatidão e fez o que deveria ter sido feito.

O que, nos votos a favor da cassação, o senhor destacaria?
As imagens da influência do poder político na condução da eleição do Maranhão. Apresentam o governador naquela série de convênios tentando modificar a opinião dos prefeitos, trazê-los para o lado deles (Lago e Porto). Olha, um prefeito que recebe R$ 600 mil, R$ 800 mil de participação por mês, óbvio que o prefeito vai pro lado dele. Isso é determinante numa campanha no interior.

Como o senhor avalia os elementos apresentados pela defesa de Jackson Lago e Luiz Carlos Porto?
A defesa para mim não foi uma defesa. Foi uma negação do processo. Nós acusamos por abuso do poder político e econômico e provamos. A defesa não se defendeu, fez apenas um movimento extra-processo. Ela não foi ao âmago da questão. Ela queria adiar mais o processo, queria que fizessem uma perícia na fita na tentativa de dizer que era falsa e adiar perícias. Enfim, o que a defesa queria é fazer exatamente o que fez e fazem há dois anos. Adiar o máximo possível para ganhar tempo. Primeiro disseram que o vice não tinha sido citado, provamos que ele estava envolvido e citamos o vice; e por aí vai. Ganhar tempo. Queriam esgotar o mandato com o processo parado na justiça, porque as nossas provas são irrefutáveis. Ir-re-fu-tá-veis.

O senhor acha que o julgamento do TSE legitima seu mandato?
Sim, nós jogamos limpo. Eles jogaram sujo. Jogamos com a regra e eles fora da constituição. Ganhamos no primeiro turno e eles roubaram os nossos votos. Eles fizeram uma cooperativa de candidatos para ganhar o segundo turno. E fizeram com maestria na base da corrupção eleitoral. Uma das eleições mais corruptas desse País foi essa de 2006 no Maranhão, comandada pelo então governador José Reinaldo.

Confia em nova vitória sobre os recursos de Jackson Lago?
O receio que eu tenho é que nesses trinta dias criem uma série de embaraços na máquina estatal para criar problemas à nova administradora. Como aconteceu na Paraíba.

O que representa para o estado do Maranhão a entrega do governo à senadora Roseana Sarney?
Foi uma festa generalizada em todo o estado do Maranhão. Roseana era a esperança do povo. O estado está parado há vários anos. Estou muito seguro e com muita vontade que Roseana assuma. Ela é uma esperança de luta, trabalho. Ela vai ao interior, fala com o povo e apresenta mudanças. Isto é o que ela representa; a esperança.

Quais as prioridades políticas de seu governo?
Isso é com ela. Vice é vice.

 
Reprodução
O governador cassado Jackson Lago (PDT-MA)

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