
Maria Alice Rocha
A África, um continente que via de regra é vinculado a notícias de cunho negativo, aparece no noticiário da semana com muito glamour: foi anunciada a 1ª. edição da African Fashion Week para o período de 12 a 19 de junho próximo.
Segundo a empresa Africa Fashion International (AFI) que promove as semanas de moda da África do Sul em Cidade do Cabo, Johanesburgo e Durban, a intenção principal é de congregar vários eventos localizados numa grande semana de lançamentos dentro do calendário mundial para a próxima Primavera/Verão.
Mas isso não é tudo. Apesar da iniciativa ter surgido na África do Sul, o projeto prevê que essa semana de moda seja itinerante nos países que formam o continente africano, e que inclua toda a sua diversidade. Como estratégia de marketing, pretende-se aproveitar da mídia instalada no país para acompanhar a Copa das Confederações, que ocorrerá no período de 14 a 28 de junho deste ano.
Seguindo a mesma estratégia, em 2010, durante a Copa do Mundo, a semana de moda também ocorrerá na África do Sul e anualmente deverá circular por outros países, de acordo com a agenda internacional de eventos de grande repercussão no continente africano.
A combinação moda e futebol parece estranha, principalmente no que refere a cobertura de mídia, mas na verdade, junto da equipe de profissionais que estão de olho do que acontece nos gramados há também jornalistas atuando no que acontece fora dos campos. Afinal de contas, os grandes jogadores de futebol hoje são celebridades. E suas esposas e namoradas representam outro filão de interessados no que se refere às suas escolhas, hábitos e excentricidades.
Voltando às passarelas, o evento deste ano promete ter a representação de designers de pelo menos 15 países africanos. Portanto, a semana de moda panafricana pretende chamar a atenção do mundo, não somente por suas estampas e cores, mas também para a qualidade dos talentos que exporta.
Dentre os que estão sendo convidados para participar do evento, há nomes que já desfilaram em tapetes vermelhos. Para quem não sabe, Azzedine Alaia, radicado na França, nasceu na Tunísia; Marc Bouwer, radicado nos Estados Unidos nasceu na Áfica do Sul; Oswald Boateng, radicado no Reino Unido nasceu em Gana e que por trás da transada marca Xuly Bet, há o premiado designer Lamine Badian Kouyaté, nascido em Mali e educado no Senegal.
Afora esses nomes, ainda é esperada a participação daqueles que desfilaram no evento African Fashion Collective ocorrido em paralelo à Semana de Moda de Nova Iorque, no mês passado, como Nkhensani Nkosi que desenha a marca sulafricana Stoned Cherrie, e os nigerianos Tiffany Amber e Momo, este último responsável pela marca Fati Asibelua. Junto a esses talentos, pode-se esperar ainda que o evento una na passarela eternas estrelas como Grace Jones e Alek Wek a nomes emergentes como Tyson Beckford e Chanel Iman.
Há ainda um ponto a favor para a iniciativa: é grande o interesse pela estética do continente mais carente do planeta. Em quase todas as estações, as estampas tribais ou étnicas têm marcado presença nos produtos de moda, além da forte presença dos seus trabalhos manuais, principalmente com miçangas. Não se pode também negligenciar o efeito Obama como contribuição para "o vento a favor".
A proposta itinerante africana sugere uma reflexão dos que fazem a moda brasileira quanto às dimensões continentais do nosso país e a sua diversidade. De imediato, resta-nos torcer para que a mais negra das semanas de moda seja um sucesso, sem a mesmice do tubinho preto.
Fale com Maria Alice Rocha: modalice08@terra.com.br
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