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Terça, 17 de março de 2009, 17h08 Atualizada às 20h05

Clodovil foi um "gay alienado", diz Luiz Mott

José Cruz/Agência Brasil
Clodovil Hernandes teve a morte cerebral anunciada pela equipe de médicos do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. O deputado federal sofreu um acidente ...
Clodovil Hernandes teve a morte cerebral anunciada pela equipe de médicos do Hospital Santa Lúcia, em Brasília. O deputado federal sofreu um acidente vascular cerebral

Claudio Leal

Líder histórico do movimento gay brasileiro, o antropólogo Luiz Mott analisa a trajetória do ex-deputado federal Clodovil Hernandes (PR-SP), que teve morte cerebral anunciada na tarde desta terça, como a de um "gay alienado e exibicionista". Mott critica o "desperdício" da intelegência do estilista num "projeto de vida furado".

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- Clodovil sempre foi polêmico. Foi eleito com quase meio milhão de votos, por eleitores não predominantemente homossexuais, num partido, o PR, absolutamente contrário aos direitos GLBT (Gays Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). Como decano do movimento homossexual, eu estendi a mão diversas vezes, enviando a agenda do movimento para tentar fazer de Clodovil nosso aliado. Apesar de ter entrado na frente parlamentar (GLBT), ele só fez declarações antipáticas e hostis a nossas reivindicações.

O fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB) sintetiza a personalidade do ex-deputado:

- Infelizmente, foi um gay alienado, exibicionista e que desperdiçou sua inteligência e sua audácia em favor de um projeto de vida furado, completamente ultrapassado e elitista.

Mott recorda-se da experiência de ser entrevistado por Clodovil, na TV Gazeta, no início dos anos 90. Em vez de abordar a homofobia no Brasil, o apresentador só queria falar de "amenidades" da família do militante gay e de seus hábitos alimentares. Um retrato sem retoque, na hora em que predominam os discursos de praxe:

- Foi uma inteligência mal aproveitada. Além do fato de ter dado visibilidade ao modelo de vivência homossexual já ultrapassado, a bicha desmunhecada que alfineta a todo mundo, de Marta Suplicy ao movimento GLBT, não vejo nenhuma contribuição de Clodovil, à exceção do projeto do exame de próstata, que ele tentou facilitar no Brasil - avalia Mott.

 

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