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Sábado, 21 de março de 2009, 08h17

Um case de referência

Reprodução
Empresas, como as pessoas, vivem no presente. É no presente que as construções são realizadas, diz Viana
"Empresas, como as pessoas, vivem no presente. É no presente que as construções são realizadas", diz Viana

Francisco Viana
De São Paulo

Hoje, o espaço da coluna será ocupado por Grace Brandão, líder de Comunicação da Cristal Global no Brasil. Ela tem uma história construtiva para contar: o trabalho de recuperação da reputação/imagem da Millennium, empresa do grupo, única a fabricar matéria prima para tintas na América Latina. A história é emblemática do valor da comunicação.

Há 11 anos, a Millennium comprou uma empresa poluidora - altamente poluidora, melhor dizendo - a Tibrás. Na sua origem, poluiu a paradisíaca praia de Arembepe, paraíso hippie dos anos 70. Tornou-se personagem de romance de Jorge Amado, de novela da Globo, filme com Sonia Braga e, mais recentemente, de um musical dirigido por Christina Trevisan, recentemente levado ao palco no Teatro Frei Shopping Caneca, em São Paulo.

Mudou de dono, passou a ter outro nome, mas ficou a sombra do passado, a se projetar sobre o presente. Empresas, como as pessoas, vivem no presente. Não no passado, nem no futuro, mas é no presente que todas as construções são elaboradas e realizadas. A ação se dá no presente.

É o que a Millennium tem feito: tornar visível que o presente, resultado de mais de uma década de trabalho planejado e responsável, é totalmente diverso do passado. Daí o título do artigo "Millennium não é Tibrás".

Grace é a comunicadora por trás da mudança. Com um histórico que reúne experiência como repórter de A TARDE, em Salvador, repórter especial da assessoria do Governo do Estado da Bahia e como comunicadora, Grace faz um relato vivo e de uma singular experiência que alia teoria e prática.

Com o case Millennium, acredito contribuir para o que existe de realmente construtivo no ensino da comunicação: o estudo de experiências reais, feitas por estrategistas que pensam antes de fazer, que realizam e que, sobretudo, buscam na realidade a matéria-prima do trabalho que se propõem a realizar. Como na área de administração, estuda-se estratégia de comunicação corporativa com cases. Quanto mais inéditos, quanto mais complexos, melhor. São os cases que fazem pensar, refletir, criar.

Millennium não é Tibrás

Por Grace Brandão*

"TIBRÁS, nós não esquecemos o mal que você fez para a Bahia", "Millennium pare de poluir nosso mar". Estas duas frases desfilaram, recentemente, nas ruas do centro de Salvador junto com um bloco de carnaval. Trazem à cena temas que se excluem mutuamente: a Tibrás, de fato, tornou-se um paradigma de empresa poluidora, mas a Millennium caminha justamente na direção contrária. E não é de hoje. Fazem 11 anos.

Numa visão retrospectiva, constata-se que a Millennium adquiriu a Tibrás em 1998, em pleno processo de democratização, e desde então passou a enfatizar três aspectos: o controle da poluição, a segurança no trabalho e o desenvolvimento de atividades educacionais para as comunidades. Ao longo do tempo, investiu US$ 50 milhões, em números aproximados, em modernização e passou a operar com padrões internacionais - os mesmos que mantém nas outras sete fábricas do grupo localizadas nos EUA, Inglaterra, França, Arábia Saudita e Austrália, para fabricar o mesmo produto: pigmento de Dióxido de Titânio.

Além disso, reduziu os acidentes de trabalho, antes com índices elevados, praticamente a zero, e apóia projetos educacionais que vão do Clube de Leitura, em Areias, a parcerias com escolas municiais, incluindo adicionalmente a criação de uma cooperativa que produz roupas. No conjunto, a Millennium assegura hoje cerca de 2.500 empregos na Região Metropolitana de Salvador e mantém uma política de comunicação de portas abertas.

No ano passado, a concessão de operação da Millennium foi renovada por mais quatro anos. Detalhe relevante: a empresa cumpriu todas as 32 condicionantes da licença anterior. E, o que é igualmente importante, num momento de crise mundial em que o Grupo Cristal, atual controlador da Millennium, paralisou operações na Austrália, Estados Unidos e Inglaterra, a fábrica de Arembepe continua operando. Embora as vendas tenham caído à metade, não houve demissões causadas pela crise.

Contudo, a imagem que permanece em meio à população e mesmo autoridades é de que Tibrás e Millennium são uma coisa só. Não existe nada em comum entre ambas. Uma pertence a uma época em que o tema do meio ambiente era quase uma miragem. E, o que é igualmente complexo, o diálogo com a sociedade, por força do ambiente político, o regime militar, pouco avançou. A outra, é produto de um tempo em que a legislação ambiental se aperfeiçoou e que as liberdades democráticas estimularam a organização da sociedade.

As frases exibidas no carnaval não separam esses dois momentos da história. Mas, com sua visão totalizadora, propõem uma fértil reflexão: o que são os fatos da razão e a razão dos fatos. Por fatos da razão, entenda-se a percepção de um acontecimento sem uma perspectiva histórica, sem avaliá-lo nas suas nuanças e evoluções. A razão dos fatos se dá no sentido inverso. Trata da realidade concreta dos fatos, esses personagens persistentes que acabam sempre prevalecendo por conter forte, e irresistível, apelo à razão. Nesse sentido, é que a frase "Millennium pare de poluir nosso mar" está fora do lugar. Não pertence ao âmbito da razão dos fatos.

A proposta central deste artigo é justamente restaurar a razão dos fatos. Ou, mostrar que, há mais de uma década, a produção do pigmento na Bahia, na única fábrica no Brasil, vem se guiando por novos padrões de modernidade. Em outras palavras, segurança e responsabilidade. Às vezes ocorrem problemas com a operação da Millennium, mas o fato inescapável é que a fábrica sempre age com presteza nas soluções. O fato concreto, portanto, é: a Millennium não é a Tibrás. O tempo da Tibrás passou. A Millennium existe no tempo presente e, também, no tempo presente se afirma como parceira da sociedade e da economia baiana.

*Grace Brandão é Líder de Comunicação e Relacionamento com a Comunidade da Millennium/Cristal Global


Francisco Viana é jornalista, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: hermescomunicacao@mac.com)


Fale com Francisco Viana: francisco_viana@terra.com.br

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