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José Cruz/Agência Brasil
Clodovil faleceu na terça-feira, 17, aos 71 anos. Para Alemão, o ex-apresentador não foi feliz
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Márcio Alemão
De São Paulo
Sobre Clodovil, o homem de TV, eu não tenho muito a dizer. Lembro de seu momento como conselheiro de moda, no TV Mulher da Globo, nos anos 80, exibindo grande habilidade para fazer rápidos croquis de suas sugestões.
Não me lembro jamais - pode ter sido coincidência, uma coincidência de décadas - de tê-lo visto feliz.
Pessoas felizes são simples assim: exalam felicidade, contagiam, fazem os outros se sentirem bem. Falei da Hebe semanas atrás. Um bom exemplo. Pessoas felizes não passam todo o tempo tentando provar de maneira agressiva que são muito mais felizes que os outros.
Todas as vezes que vi o Clodovil no ar ele estava se defendendo. Dizendo-se realizadíssimo, não devedor de nada, senhor absoluto de todas as verdades, atacava terceiros todo o tempo. Sabia de coisas desse e de outros mundos.Dizia-se feliz, muito feliz.
Não me lembro de tê-lo visto sorrir.
O veneno o perseguia.
Conseguia deixar todos os seus convidados, no programa nos quais recebia convidados, muito pouco à vontade. Houve uma exceção: quando recebeu Barbara Gancia. Mas era o típico entrevistador que usa o outro para falar de si.
Seus produtores e diretores e donos de emissoras acreditaram que ele seria capaz de gerar polêmica e isso poderia render audiência. O papel até arquetípico do jurado malvado é necessário.
Não foi o caso. Clodovil parecia, sempre, menos polêmico e mais magoado, ressentido e isso, pelo menos para mim, gerou um dos piores sentimentos: pena.
Como disse, suas polêmicas envolviam terceiros. E o discurso se repetia e os gestos se repetiam e nada se aproveitava.
Sobre o homem político, muito menos a dizer. Para não perder o hábito, ofendeu uma colega, apresentou projetos pífios e sempre que podia, se defendia na base do ataque, da comparação com algum ser inferior. Foi beneficiado pelo chamado voto cacareco, que é o voto irresponsável, uma piada sem graça.
Dizem que foi um ótimo filho. Acredito que tenha sido. E isso já é bom demais.
Terra Magazine